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Quanto tempo leva para superar um ex? Estudo dá resposta surpreendente

O término de uma relação amorosa deixa marcas significativas para a saúde mental

Por Lucas Rocha
20 mar 2025, 06h00
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O término de um relacionamento pode deixar marcas duradouras (Ilustração: Freepik/Divulgação)
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Um coração partido talvez seja uma das mais profundas e universais das experiências. Um casamento de 50 anos, um namoro adolescente ou aquele romance tórrido de verão…

Independente da forma, o término de um relacionamento deixa marcas significativas para a saúde mental e muda completamente a rotina.

Mas quanto tempo pode levar para superar um ex? Pode acreditar, um novo estudo buscou responder a essa questão. Pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, se debruçaram sobre dados para entender o prazo de validade da dor de cotovelo.

Publicada na revista científica Social Psychological and Personality Science, a análise envolveu mais de 300 voluntários e revelou que grande parte das pessoas supera um ex de maneira plena em algum momento, desatando profundamente os vínculos afetivos.

+ Leia também: Vínculo fantasma: “Muitos começam a relação e somem sem dar satisfação”

O problema é que nem sempre isso acontece no prazo desejado. O estudo aponta cerca de quatro anos para que esse apego emocional seja reduzido ao menos pela metade. Para que o ex fique completamente “esquecido no churrasco”, o tempo aumenta para em torno de oito anos.

Como foi feito o estudo

Para participar, era preciso ter mais de 18 anos, ao menos uma vivência de relacionamento amoroso de dois anos já encerrado, cujo ex parceiro ainda estivesse vivo durante a pesquisa. Os participantes tinham idade, em média, na casa dos 30 anos, sendo 57% mulheres.

O grupo respondeu a questionários que destacavam temas como apego emocional e vínculo afetivo. Os especialistas investigaram questões como vontade de estar junto, sensação de segurança em relação ao outro, desejo de manter a amizade e a frequência de contatos presenciais ou virtuais.

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Eles também foram questionados sobre quem havia decidido pelo término, se surgiu um novo relacionamento desde o fim do anterior, entre outros pontos. Para mensurar a superação emocional, os pesquisadores norte-americanos utilizaram recursos estatísticos.

+ Leia também: Como identificar e romper relações abusivas?

Como interpretar esses dados

Os números podem chocar. Oito anos para esquecer alguém?

Mas vale destacar que as informações coletadas refletem uma média e que foram observadas grandes variações entre os indivíduos. Por exemplo, pessoas que mantiveram contato após o fim e aquelas ansiosas enfrentaram mais dificuldade na superação.

“Pessoas que terminaram, que não viam o relacionamento como significativo levam menos tempo para se desapegar, o que é esperado. Porém, um achado inesperado é o de que a presença de filhos ajudou no desapego romântico. Talvez o apego ao filho ou a oportunidade reprodutiva não desperdiçada tenha facilitado esse processo”, comenta o doutor em psicologia Marco Antonio Corrêa Varella, pesquisador do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Varella destaca ainda como inesperado o fato de que houve pouca diferença na velocidade de esquecimento entre homens e mulheres.

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Os autores acreditam que os resultados fornecem novas formas de resolver debates clássicos na literatura sobre o que significa “superar” alguém, ao mesmo tempo em que avança na compreensão de como os vínculos de apego mudam ao longo do tempo.

Mas o psiquiatra Antonio Egídio Nardi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia o que luto de uma separação não tem prazo para terminar. O especialista observa os achados de maneira crítica, dada as características tão subjetivas desta jornada.

“O estudo generaliza dados de poucas pessoas e não distingue diferentes situações afetivas. Enfim, os dados são pobres e não podem de maneira alguma se portarem como padrão. Até porque não há um padrão, cada pessoa tem a liberdade de passar pelo luto de um rompimento dentro de suas possibilidades”, pontua Nardi, que também é membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

+ Leia também: Ficar só (na medida certa) faz bem aos relacionamentos

Por que o fim dói tanto?

Os impactos podem ser psicológicos, como sofrimento, tristeza, solidão, desamparo e baixa autoestima, ou comportamentais, como hábitos e rotinas que precisam ser reajustadas à nova realidade.

E e existem também dificuldades sociais, como pontua Varella. “Parentes e amigos do ex não estarão mais tão inclinados a socializar com a pessoa. Há dificuldades materiais de divisão de recursos e bens, como objetos, plantas e animais de estimação. Além disso, para aqueles casais que têm filhos fica a dificuldade de compartilhar a guarda e a criação deles”.

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Como superar o término de um relacionamento?

A caminhada rumo à superação de um relacionamento que chegou ao fim é longa.

“O estudo mostrou que realmente se trata de um processo lento e gradual de desvinculação, que precisa ser respeitado. Apontou ainda que começar uma nova relação dentro de 4 a 5 anos após o término não vai influenciar na velocidade de desapego do ex”, frisa Varella.

Não existem receitas prontas, mas algumas atitudes contribuem para amenizar o sofrimento.

Uma delas é reduzir o contato tanto presencial quanto virtual. Um bom começo é remover o ex das redes sociais, que potencializam a exposição à vida do outro.

Outra estratégia é se blindar de fofocas sobre o ex. Evite saber o que a pessoa tem feito, com quem tem andado, se já está com alguém, etc. Afastar a própria curiosidade pode ser útil e saudável.

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vazão ao sentimento, se permita chorar quando der vontade e procure extravasar a emoção de alguma forma. Uma boa alternativa é escrever sobre esse momento. Mantenha contato com família e amigos, especialmente aqueles que são bons ouvintes.

Por fim, respeite o seu próprio tempo, não se cobre tanto. Aos poucos, questões duras como culpa, raiva e apego tendem a amenizar.

Em caso de dificuldades mais severas ou sofrimento extremo, busque atendimento especializado. O Mapa da Saúde Mental permite a consulta de serviços de atendimento psicológico gratuito, voluntário ou com preços acessíveis no Brasil.

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