Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99
Imagem Blog

Plural & Singular

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O repórter Lucas Rocha aprofunda temas em alta nas redes sociais, com foco especial em sexo, diversidade, saúde mental e comportamento

Terapias de conversão provocam traumas em pessoas LGBTQIA+

Tentativas de promover a atração heterossexual aumentam sintomas de depressão, transtorno de estresse pós-traumático e tentativas de suicídio, mostra estudo

Por Lucas Rocha Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 nov 2024, 09h17 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h54
saude-mente-saudavel-terapia-conversao-lgbtqia
Pessoas LGBTQIA+ submetidas a "terapias de conversão" sofrem danos profundos e duradouros (Foto: D-Keine/Getty Images/Veja Saúde)
Continua após publicidade
Terapias de conversão provocam traumas em pessoas LGBTQIA+ Priorizar nos meus resultados Google

Na adolescência, Héder Bello, do Rio de Janeiro, percebeu que sua identidade e orientação sexual não se encaixavam no ambiente em que vivia. De família evangélica, partiu dele a busca por mudar a própria sexualidade.

Ao todo, foram 12 anos envoltos em diferentes técnicas de conversão. Além de consultas com psicólogos e rituais religiosos, ele chegou a morar seis anos em uma casa mantida por instituições com esse objetivo.

Nada surtiu efeito — pelo contrário, as consequências foram duras. “Tive dismorfia corporal, estresse pós-traumático, depressão, além de ideações suicidas”, relata.

Para o carioca, o ponto de virada surgiu com a graduação em psicologia. Ao longo do curso, ele passou a entender melhor o processo vivenciado e a se aceitar.

Hoje, aos 38 anos, atua como psicólogo e atende pacientes com histórico semelhante, além de ter sido um dos organizadores do livro Tentativas de Aniquilamento de Subjetividades LGBTIs.

Continua após a publicidade

+ Leia também: Os desafios da população LGBTQIA+ no acesso à saúde

Terapias de traumatização

Rituais religiosos, aconselhamento comportamental e técnicas de aversão são alguns dos métodos utilizados pelas chamadas “terapias de conversão”, que buscam promover a atração heterossexual ou alinhar a identidade de gênero de uma pessoa com seu sexo atribuído ao nascer.

Apesar dos avanços em termos de aceitação, respeito e inclusão, essa é uma realidade presente ainda hoje — e com implicações bastante nocivas.

Continua após a publicidade

Medidas do tipo estão ligadas ao aumento de sintomas de depressão, transtorno de estresse pós-traumático e tentativas de suicídio. É o que revela um novo estudo liderado por especialistas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e publicado no periódico The Lancet Psychiatry.

“Em última análise, essas práticas são influenciadas por uma combinação de pressões religiosas, culturais e sociais que visam manter padrões heteronormativos ou cisnormativos”, resume o médico Mitchell Lunn, coautor do trabalho.

saude-mente-saudavel-terapia-conversao-lgbtqia-pesquisa
Clique para ampliar (Editoria de Arte/Veja Saúde)
Continua após a publicidade

A análise mostra ainda que os danos foram mais significativos entre indivíduos submetidos à dupla modalidade, que aborda orientação sexual e identidade de gênero.

Os estudiosos destacam que essas tentativas devem ser chamadas não de terapias, mas de práticas de conversão ou esforços de mudança, considerando que não foi demonstrado nenhum benefício terapêutico.

Nos EUA, os impactos negativos dos métodos para a saúde mental têm sido bem documentados. Entidades como a Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente e a Associação Psiquiátrica Americana denunciaram seu uso. Contudo, não há uma proibição nacional por lá.

Continua após a publicidade

+ Leia também: Sorofobia: entenda como a discriminação impacta pessoas que vivem com HIV

“Embora não esteja totalmente claro por que alguns países continuam a permitir práticas de conversão, normas sociais podem contribuir para sua persistência. Em alguns casos, crenças religiosas ou culturais também desempenham um papel na perpetuação”, pontua Lunn.

Os voluntários também foram questionados sobre pontos como nível educacional, origem étnica e detalhes sobre a infância.

Continua após a publicidade

Das 191 pessoas que se lembraram das tentativas de conversão de orientação sexual, 100 disseram que o procedimento foi comandado por um líder ou organização religiosa. Enquanto 55 afirmaram que o condicionamento foi facilitadas por um profissional ou organização de saúde mental.

saude-mente-saudavel-terapia-conversao-lgbtqia-dado
Clique para ampliar (Editoria de Arte/Veja Saúde)

Para os autores, o combate ao problema exige uma abordagem multifacetada, envolvendo investimento em saúde, educação e mudanças na legislação.

“Reformas legais podem desempenhar um papel relevante, com países potencialmente promulgando leis que vetam essas práticas. A educação também pode ajudar a mudar atitudes sociais, por meio de campanhas de conscientização pública sobre os danos potenciais dessas medidas e educação inclusiva sobre orientação sexual e identidade de gênero“, destaca Lunn.

Para o epidemiologista Nguyen Tran, pesquisador de Stanford e autor do estudo, são necessárias ações de apoio às pessoas afetadas.

“Existem várias estratégias-chave, incluindo conectar indivíduos com redes LGBTQIA+ de apoio, fornecer cuidados de saúde mental afirmativos, que respeitem identidades de gênero e orientações sexuais diversas e promover a autoestima, à medida que os indivíduos abraçam seus verdadeiros eus”, pontua.

“Nossas descobertas podem ajudar a informar formuladores de políticas públicas, gestores de saúde e grupos de defesa sobre a necessidade de intervenções direcionadas a reduzir os danos dessas ideias e ações”, conclui Tran.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Mulher branca de rabo de cavalo e top preto sorrindo enquanto corre ao lado de um homem negro de camiseta cinza, ambos em um dia ensolarado. O texto No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa aparece em destaque, com cuide do que importa em um fundo verde-água. O logo veja SAÚDE está no canto superior esquerdoMulher e homem sorrindo, correndo ao ar livre em um dia ensolarado. Ela veste top e calça preta, ele camiseta branca e cinza. Texto: No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa. Logotipo Veja Saúde
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 67% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).