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Respirar É Preciso

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Do nariz aos pulmões, dos pulmões ao nariz... Percorrendo o sistema respiratório, o pneumologista Elie Fiss, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC, desmistifica tudo que pode tirar nosso fôlego.

O que gripe e Covid-19 podem aprontar nos pulmões?

Nosso colunista explica como as duas infecções respiratórias chegam até os pulmões e que estragos podem promover ali

Por Elie Fiss 11 fev 2022, 16h33 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h24
gripe e covid
O vírus da gripe também pode causar prejuízos aos pulmões. (Ilustração: Erika Onodera/SAÚDE é Vital)
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O que gripe e Covid-19 podem aprontar nos pulmões? Priorizar nos meus resultados Google

Nos últimos dois anos, temos lidado diariamente com uma infecção respiratória que mudou completamente nossa rotina, a Covid-19. E, mais recentemente, voltamos a conviver com um velho conhecido circulando em nosso meio em uma época não habitual, o vírus da gripe.

Ora, ambas são doenças virais respiratórias com sintomas semelhantes e muitas vezes é difícil diferenciá-las clinicamente. Febre, tosse, falta de ar, dor no corpo e indisposição estão entre as principais manifestações dessas infecções. Só a realização de exames específicos permite identificar o patógeno e chegar ao diagnóstico correto.

Mas e os pulmões, até que ponto podem ser comprometidos nesses casos? Sabemos que a Covid-19 pode, em suas formas mais graves, deixá-los em apuros. Será que a gripe também? Como é que fica?

A porta de entrada dos vírus é a mesma: o nariz e as vias aéreas superiores. É a partir daí, batendo de frente com nossas defesas, que a infecção pode se espraiar, ou não, até os pulmões. Vários fatores influenciam essa evolução: idade, imunidade, problemas de saúde concomitantes, se o indivíduo foi vacinado ou não…

Neste momento, a maioria dos casos de Covid-19 pela variante Ômicron se resume a um quadro de inflamação dos brônquios e da garganta. Há poucos sinais de acometimento dos alvéolos (as pequenas estruturas onde ocorre a troca de gases nos pulmões), como vimos nos surtos anteriores.

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+ Leia também: A dinâmica das variantes do coronavírus e o que pode vir por aí 

Daí que temos menos pacientes com sensação de falta de ar e mais pessoas com queixas de tosse seca e dor de garganta mais intensa − tem paciente relatando que nunca sentiu nada igual anteriormente.

Nas outras ondas de Covid-19, presenciamos inúmeros casos graves nos quais houve comprometimento pulmonar decorrente da chamada cascata inflamatória. Como reação à infecção, o organismo entra num estado de inflamação sem controle que provoca danos aos alvéolos e compromete o fluxo de oxigênio dos pulmões até o sangue.

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Houve casos em que esses órgãos ficaram rígidos e espessos, com marcas de fibrose. A isso ainda se somaram episódios de trombose e sangramento, contribuindo para a gravidade da situação.

Um estudo recente mostrou detalhes de como o coronavírus consegue se espalhar nos pulmões, manipula nosso sistema imunológico e impede as células pulmonares de repararem as lesões na região.

O processo é diferente com o vírus influenza. O causador da gripe, ao invadir o organismo, busca entrar principalmente nas células dos brônquios, onde se replica e liberta cópias para se disseminar. Ocorre também um processo inflamatório, mas de intensidade menor que aqueles primeiros casos de Covid-19 (a exceção fica por conta de versões diferentes do influenza por trás de epidemias).

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+ Leia também: Tire 7 dúvidas sobre isolamento e testagem por Covid-19

Após o segundo dia de infecção, a replicação viral vai diminuindo, mas a inflamação ainda não atingiu seu pico e pode durar em torno de sete a oito dias.

As complicações principais, nessas circunstâncias, são as infecções bacterianas secundárias, responsáveis por sinusite, otite ou pneumonia. Elas acontecem sobretudo em crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas (diabetes, DPOC, obesidade etc.). Repare que são as mesmas condições que propiciam maiores estragos na infecção pelo coronavírus.

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Na gripe, não vemos habitualmente evoluções para fibroses pulmonares ou fenômenos trombóticos nos pulmões nem tantos quadros de insuficiência respiratória, comparando com esses dois últimos anos de Covid-19. Não se iluda, porém: a gripe também pode ficar grave e progredir para fatalidades.

Nestes tempos, vimos até situações inusuais com a infecção ao mesmo tempo por influenza e coronavírus. São quadros que, até pela novidade, exigem controle e acompanhamento rigorosos.

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Para o vírus da gripe, a depender do momento, podemos recorrer a um antiviral, o oseltamivir (e ele se aplica a qualquer subtipo, não só o H1N1, como já ouvi por aí). Para o coronavírus, ainda aguardamos a chegada de algum tratamento antiviral efetivo e aprovado para uso.

Assim, não podemos descuidar da prevenção. Isso exige vacinação para ambas as doenças, higiene das mãos, distanciamento social e testagem e afastamento das pessoas infectadas.

Também não se deve deixar para depois o controle dos problemas crônicos. E, sentindo sintomas gripais piorando, já sabe, procure um serviço médico. Vamos ficar atentos, pois respirar é preciso!

 

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