Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99
Imagem Blog

Saúde, Negritude & Atitude

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A psicóloga Roberta Federico reflete sobre preconceito, racismo e os desafios para a saúde e o bem-estar da população negra em nosso país.

A negação do racismo no Brasil

Séculos de história e episódios recentes demonstram a profunda discriminação que opera na sociedade. Reconhecer o racismo é o primeiro passo para superá-lo

Por Roberta Federico 8 jan 2021, 19h02 | Atualizado em 4 jun 2026, 22h47
racismo preconceito e saude
Mulheres são as mais afetadas pelo racismo estrutural (Ilustração: Nadia Bormotova/Getty Images)
Continua após publicidade
A negação do racismo no Brasil Priorizar nos meus resultados Google

De acordo com o Vocabulário de Psicanálise, de Jean Laplanche e J.B. Pontalis, negação é um mecanismo de defesa que diz respeito ao “processo pelo qual o indivíduo, embora formulando um dos seus desejos, pensamentos e sentimentos, até aí recalcados, continua a defender-se deles negando que lhe pertençam”. A partir desse conceito, faremos uma reflexão sobre como se estrutura a resistência em assumir a existência de práticas racistas em nosso país, mesmo após mais de três séculos de escravidão e tantas evidências contrárias ao longo de 2020.

No campo jurídico, a lei nº 7.716/89 criminaliza as condutas racistas. Ainda assim, as marcas do racismo permanecem visíveis. O Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, publicado em 2010 pelo professor Marcelo Paixão, comprova, a partir de dados estatísticos, que o mito da democracia racial está longe de ser verdade.

O desconhecimento da nossa história é um dos responsáveis pela negação de algo tão evidente. Por um lado, o fato de não termos em nossa história uma política de apartheid oficial como os Estados Unidos e a África do Sul cria a ilusão de que o nosso racismo teve uma forma mais branda, sobretudo quando se pensa a miscigenação como uma das maiores provas da suposta harmonia racial.

Por outro lado, é importante trazer à luz episódios da história como a do movimento eugenista brasileiro que, no Congresso Universal das Raças realizado em 1911 em Londres, propôs que, dentro de um século, se fossem estimuladas as correntes de imigração europeia e a miscigenação para eliminar os traços negros e indígenas da população. Sim, o embranquecimento através das gerações, fruto desse discurso de miscigenação eugenista, chegou a ser uma política de Estado.

Voltando ao tempo presente, o ano de 2020 foi marcado por eventos que trouxeram a pauta racial às mídias. O caso da estudante Nedye Fatou Ndiaye em um colégio particular no Rio de Janeiro, o assassinato de João Alberto Silveira Freitas às vésperas da comemoração do Dia da Consciência Negra em Porto Alegre, a discriminação nos campos de futebol e os ataques orquestrados contra artistas negros nas redes sociais dão provas de que o racismo à brasileira ultimamente tem sido bem menos cordial.

Continua após a publicidade

Assim como na psicoterapia ter escuta para a história que o paciente traz é uma das chaves para a mudança de narrativa e o alívio dos sintomas, é urgente que reconheçamos como a negação do racismo é um mecanismo de defesa para que o problema permaneça inalterado, operando na preservação de uma suposta autoimagem nacional de que somos uma democracia racial. Nega-se uma realidade com a qual não se tem recursos emocionais para lidar.

Mas negar o racismo é uma forma de mantê-lo vivo e impedir que as reparações aos seus danos sejam feitas. Bom seria se, por via do conhecimento da história sem omissão e distorção dos fatos, pudéssemos avançar enquanto sociedade e sermos verdadeiramente um país que valoriza a diversidade racial.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto branco OFERTA RELÂMPAGO e um raio amarelo, seguido de Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas Superinteressante e Veja, e um celular com aplicativo abertoBanner laranja com OFERTA RELÂMPAGO em destaque, acompanhado de um raio amarelo. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, revistas Superinteressante e Veja e um cartão de crédito. No canto superior direito, um ícone de árvore
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 67% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).