Elas não podem treinar em paz: o que atrapalha mulheres na academia?
Pesquisa aponta os percalços do público feminino nos espaços voltados para musculação e exercícios

Colocar os pés em um ambiente para malhar requer empenho, boa vontade e disciplina. Para as mulheres, os desafios são ainda maiores.
Elas enfrentam barreiras como assédio, comentários e avaliação da imagem corporal. É o que expõe um estudo inglês publicado na revista PLOS One. Para a análise, 279 voluntárias responderam a um questionário.
Os resultados mostram que elas se sentem frequentemente julgadas, levando a uma sensação persistente de inadequação. Apesar disso, as mulheres mostraram sinais de resistência aos ideais de gênero e de aparência que permeiam os ambientes.
Para a doutora em psicologia Kat Schneider, pesquisadora da Universidade do Oeste da Inglaterra e uma das autoras, o enfrentamento desses desafios requer uma abordagem multifacetada.
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“A cultura da academia precisa evoluir para abraçar a diversidade, focando em promover a positividade corporal e empoderar a todos, independentemente do tamanho, forma ou gênero. Isso pode envolver a implementação de políticas antiassédio, a criação de espaços neutros em termos de gênero e o treinamento da equipe sobre os desafios que as mulheres enfrentam”, propõe Schneider.
A pesquisadora destaca ainda a importância de se promover comunidades de apoio dentro das academias.
“Programas e iniciativas que promovam a liderança feminina em espaços de fitness — seja por meio de treinadoras, mentoras ou modelos — podem ajudar as mulheres a se sentirem empoderadas e construir confiança em suas habilidades”, acrescenta.
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De onde vem o incômodo?
Pesquisas recentes indicam que mulheres que se envolvem em exercícios regularmente experimentam mais benefícios à saúde do que os homens, incluindo menor incidência de mortalidade geral e menor risco de eventos cardiovasculares.
Apesar do aumento nas inscrições em academias, elas são menos ativas do que eles e pouco se sabe sobre as barreiras enfrentadas ao navegar por esses espaços.
O estudo revelou que as mulheres encaram o traje de academia tanto como uma barreira quanto como um facilitador para o exercício. Nesse contexto, elas frequentemente escolhem as peças com base no conforto e na funcionalidade.
No entanto, a decisão também é influenciada por comparações com outras pessoas ou medo de julgamento pelo uso de roupas sem marca ou por parecerem muito arrumadas.
Muitas também pensarem em vestimentas que pudessem esconder áreas percebidas como supostamente problemáticas, incluindo manchas de suor visíveis.
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Empecilhos afastam mulheres do exercício…
• Invasão: no cotidiano, elas se sentem julgadas por sua aparência e desempenho.
• Batalha: também precisam lutar por espaço na academia e até mesmo para serem levadas a sério.
• Impertinência: grande parte enfrenta assédio e comentários não solicitados dos homens.
• Observação: sentem necessidade de escolher roupas que ajudem a evitar comparações com outras pessoas.
• Excesso de zelo: têm preocupação em esconder áreas supostamente problemáticas, como manchas de suor.