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Alcoólicos Anônimos: como funciona método buscado por Heleninha em Vale Tudo

Irmandade está presente em todos os cantos do país, com cerca de 4 mil grupos e mais de 9 mil reuniões realizadas a cada semana

Por Lucas Rocha Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 ago 2025, 11h32
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Personagem Heleninha de "Vale Tudo" decide procurar o Alcoólicos Anônimos (Foto: Globo/Reprodução)
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Com cerca de dois meses pela frente, a novela Vale Tudo, da Globo, começa a amarrar os desfechos de seus personagens centrais. Como Heleninha Roitman, interpretada por Paolla Oliveira, que passa por um ponto de virada ao buscar o apoio do Alcoólicos Anônimos (AA).

Na vida real, a irmandade está presente no Brasil há 78 anos, com cerca de 4 mil grupos espalhados pelo país e mais de 9 mil reuniões realizadas a cada semana. As atividades no enfrentamento do alcoolismo pelo grupo tiveram início há 90 anos, nos Estados Unidos.

“O lado positivo do AA é ajudar na criação de novos vínculos, especialmente por meio da figura do padrinho, que acaba servindo como uma referência e pode ajudar a pessoa a manter a abstinência”, afirma o psicólogo Maycon Torres, vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), que trabalhou por dez anos no Serviço de Acolhimento a Usuário de Álcool e Outras Drogas.

Pessoas que lidam com problemas com o álcool podem participar pela primeira vez de uma reunião de recuperação de maneira presencial ou online. Naturalmente, o início pode ser marcado por dúvidas, inseguranças e preocupações. Por isso, reunimos orientações úteis para quem sente necessidade de começar.

Os dias e horários dos encontros e os grupos mais próximos podem ser consultados online. Para ser membro só é necessário querer parar de beber, não há qualquer cobrança de taxa ou mensalidade.

+ Leia também: Como parar de beber e quais são os principais benefícios para a saúde

Mas sobre o que falar?

Essa é uma questão muito comum que tende a gerar bastante ansiedade. Em geral, os participantes abordam as consequências do uso abusivo das bebidas alcoólicas para si e para as pessoas próximas.

Outros membros podem compartilhar as medidas tomadas para deixar o álcool para trás, como esse passo foi importante, e como a vida se encontra no momento.

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Enquanto uma pessoa fala, não há interrupções, conselhos ou julgamentos por parte de quem escuta. Apesar de relatos semelhantes, cada indivíduo teve sua vivência particular com o álcool, assim como uma experiência única rumo à recuperação.

Membros novos podem ser convidados a se apresentar, mas não é obrigatório se identificar. Pode ser útil e, se preferir, diga somente o primeiro nome. Quando se sentir à vontade, pode começar a contar sua história.

É anônimo mesmo?

Sim. Virtuais ou presenciais, as reuniões são coordenadas por membros do AA. Tudo o que é dito permanece na reunião, garantindo o anonimato como um princípio de privacidade para participantes novos e antigos.

A estratégia estabelece ainda um ambiente seguro, ao promover humildade e igualdade entre os presentes.

+ Leia também: Álcool e drogas causam mais de 3 milhões de mortes ao ano no mundo

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Heleninha pede ajuda para sair do vício na novela “Vale Tudo” (Foto: Globo/Reprodução)
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Começo e fim

O começo dos encontros são marcados pela leitura do preâmbulo do AA, que descreve o propósito do grupo. Pode ser realizado um momento de silêncio e incluir a Oração da Serenidade.

Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
coragem para modificar aquelas que podemos,
e sabedoria para distinguir umas das outras.

Ao final das atividades, pode ser feito mais um período de silêncio ou de oração e ser lida a Declaração de Responsabilidade do AA.

É comum que haja a socialização entre as pessoas, como o oferecimento de ajuda ou compartilhamento de experiências e desafios na busca pela sobriedade.

Reuniões online

Para fazer parte de uma reunião virtual, é preciso consultar os horários e links de acesso no site. As plataformas disponíveis são Zoom, Google Meet, entre outras.

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Para receber ajuda, basta enviar mensagem no chat avisando que se trata da primeira vez no AA. É importante destacar que não é obrigatório abrir a câmera, identificar-se ou falar, caso não se sinta à vontade.

Os 12 passos do AA

Para guiar os membros, o AA conta com sugestões distribuídas em 12 passos. Confira aqui.

As ideias são descritas com uma linguagem “espiritual”, e incluem dizeres onde os participantes reconhecem suas falhas, pedem ajuda e buscam reparar os danos provocados em suas relações.

O psicólogo da UFF explica que a dimensão de 12 passos traz o sentido de um processo gradual, abrindo espaço para o fortalecimento contínuo ao longo do tempo.

“De certa maneira, são 12 frases fortes que ajudam a pessoa a desenvolver uma autoconsciência sobre o problema em relação ao álcool. Isso faz com que ela perceba que tem uma dificuldade e precisa de apoio e amparo para poder enfrentar esse problema”, resume Torres.

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+ Leia também: “Vale Tudo”: 5 questões de saúde retratadas na novela da Globo

Consumo abusivo cresce entre as mulheres

A narrativa de Heleninha se reproduz na vida real, com impactos preocupantes em termos de saúde pública.

O consumo de abusivo de bebida alcoólica entre as mulheres cresce no Brasil. É o que revela um novo estudo realizado por pesquisadores da Escola de Enfermagem da UFMG, da ACT Promoção da Saúde e do Ministério da Saúde com recorte nas capitais do país.

O trabalho recém-publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia analisou a tendência ao longo do tempo, utilizando dados de mais de 800 mil entrevistas da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), entre os anos de 2006 e 2023.

O abuso é definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebida para o homem ou quatro ou mais doses para a mulher em uma única ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias. Em outras palavras, são 60 gramas de álcool puro, o equivalente a cerca de 4 ou 5 cervejas de 350 ml ou quatro taças de 150 ml de um vinho de 10 de teor alcoólico.

Nesse estudo, o indicador entre os homens se manteve estável (em torno de 25%), porém mais do que dobrou entre as mulheres, passando de 7,7% para 15,2%. Os autores evidenciam que o fenômeno pode ter associação com reformulações no marketing do álcool e uso de redes sociais para impulsionar o consumo entre o público feminino.

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O alcoolismo nas novelas

Em 1988 ou 2025, Heleninha não é a primeira personagem do universo das novelas a procurar ajuda devido ao alcoolismo. E, provavelmente, não será a última.

Ao longo da história da teledramaturgia brasileira, fomos apresentados a uma diversidade de figuras que enfrentaram entraves com a bebida, a partir de diferentes perspectivas.

O boa-praça Orestes (Paulo José) penou ao longo dos quase 200 capítulos de “Por Amor” (1997). A dependência era um dos fatores que o afastava da filha Maria Eduarda (Gabriela Duarte), com Helena (Regina Duarte). No final da trama, é levado ao grupo de recuperação por Sandrinha, a filha criança (Cecília Dassi), do segundo casamento.

“O Clone” (2001) foi marcada pela dependência química de Mel, vivida por Débora Falabella. Contudo, paralelamente, conhecemos a história do advogado Lobato (Osmar Prado), alcoólatra e usuário de cocaína na batalha para deixar o vício. Ao longo dos capítulos, a novela apresentou depoimentos reais de pessoas que sofreram com a dependência química.

Em “Mulheres Apaixonadas” (2003), a professora Santana (Vera Holtz) escondeu destilados, foi flagrada bebendo dentro da escola e, em uma das fases mais difíceis, tomou perfume para tentar aplacar a vontade do álcool.

A separação foi o gatilho para que Bira (Eduardo Lago) mergulhasse na bebida em “Páginas da Vida” (2006). Com o apoio da filha, ele tenta se recuperar frequentando reuniões do AA.

O assunto não ficou de fora de “Viver a Vida” (2009). Bárbara Paz, na pele da modelo Renata, mostrou não somente as dificuldades do alcoolismo, mas também os perigos da anorexia, transtorno discutido no mundo da moda, especialmente nos anos 2000.

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