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Alex Escobar passa mal ao vivo: calor pode afetar a pressão? Entenda o que aconteceu

Apresentador apareceu desorientado durante participação no Encontro; segundo colega da TV Globo, calor provocou alterações na pressão arterial

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jun 2026, 18h16 | Atualizado em 23 jun 2026, 14h58
Homem careca de barba rala, vestindo camisa polo azul de manga comprida com logos S e Globo, sorri segurando uma bola de futebol colorida, em frente a um estádio com arquibancadas cheias
Apresentador do Globo Esporte não esteve na edição desta segunda-feira, pois se sentiu mal em maio ao calor dos Estados Unidos. (TV Globo/Divulgação)
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Alex Escobar passa mal ao vivo: calor pode afetar a pressão? Entenda o que aconteceu Priorizar nos meus resultados Google

O jornalista Alex Escobar, 51, sofreu um pico de pressão alta nesta segunda-feira, 22, durante a cobertura da Copa do Mundo nos Estados Unidos e não apresentou o programa Globo Esporte.

Ainda na manhã de hoje, ele havia preocupado telespectadores ao aparecer visivelmente desorientado numa entrada ao vivo no Encontro com Patrícia Poeta.

O repórter apareceu comentando a situação de Neymar na competição com um tom de voz mais baixo do que o habitual, fala arrastada e aparente confusão. Nas interações com Patrícia, evitou corresponder brincadeiras, o que também chamou a atenção de internautas.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, ele foi encaminhado ao hospital logo em seguida.

A explicação sobre o ocorrido veio mais tarde, pelo colega Fred Bruno, que abriu o Globo Esporte sem o parceiro:

“Hoje ele teve um pico de pressão, acabou não passando muito bem, mas está tudo certo agora com ele. Realmente o calor está brabo aqui nos Estados Unidos.”

Como o calor pode afetar a pressão arterial?

“O calor extremo aumenta internações e mortes, porque obriga o organismo a fazer um esforço maior para manter a temperatura corporal equilibrada”, explica Ligia Trevizan, cardiologista do Hospital M’Boi Mirim, gerido pelo Einstein Hospital Israelita.

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Uma das principais afetadas por esse processo é, justamente, a pressão arterial, que nada mais é do que a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias enquanto é bombeado pelo coração para todo o corpo.

Mantê-la em equilíbrio é importante, já que, se elevada, ela pode causar ruptura de vasos sanguíneos e, se muito baixa, dificulta a chegada de sangue e oxigênio nas células.

O problema do calor é que ele pode interferir diretamente nesse balanço. Mas, diferentemente do que muita gente acredita, as altas temperaturas costumam fazer a pressão cair e não subir (embora isso também possa ocorrer, especialmente entre pessoas predispostas).

Há dois motivos principais que explicam esse fenômeno: a luta do corpo para manter a temperatura estável e a desidratação causada pelo excesso de suor.

É que, para se refrescar no calor, o corpo aumenta o fluxo de sangue para a pele por meio da vasodilatação periférica.

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Assim, é quase como se os vasos sanguíneos próximos à superfície da pele ficassem mais “largos“. Quando os “canos” por onde o sangue passa aumentam de diâmetro, a pressão interna tende a diminuir.

Além disso, como explica a médica Ligia Trevizan, cardiologista do Hospital M’Boi Mirim, gerido pelo Einstein Hospital Israelita, no calor, a perda de líquidos pelo suor reduz progressivamente o volume de sangue circulante.

Com menos líquido circulando, diminui a quantidade de sangue que retorna ao coração e que é bombeada para o organismo.

Como consequência, a força exercida contra os vasos cai e a pressão arterial pode descer junto, provocando sintomas como tontura, fraqueza e até desmaios.

E aí moram vários outros perigos.

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“Isso faz com que o coração precise trabalhar ainda mais para manter a pressão arterial e a passagem de sangue nos órgãos equilibrados”, diz Trevizan.

Além disso, segundo Rafael Amorim, cardiologista do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de forma mais grave, o aumento da viscosidade sanguínea pela perda de água pode levar indivíduos predispostos a um maior risco de formação de coágulos e de eventos como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Copa de 2026 preocupa por calor extremo

O calor e a umidade, impulsionados pelas mudanças climáticas, já estão previstos como possíveis ameaças para a saúde de jogadores e torcedores na Copa do Mundo Fifa de 2026.

É o que apontou, por exemplo, um relatório do Weather World Attribution (WWA), projeto internacional de pesquisas sobre clima.

O sinal de alerta está aceso porque esta edição da disputa mundial está ocorrendo em pleno verão nos países que irão sediar o evento – Canadá, Estados Unidos e México.

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Segundo a entidade de pesquisas, as previsões apontam que, nas duas últimas nações, alguns jogos poderão ser praticamente testes de resistência ao calor.

“Em algumas sedes, os índices que combinam temperatura, umidade, radiação solar e vento poderão atingir níveis considerados de risco para atividades físicas prolongadas”, alertou Trevizan para reportagem da VEJA SAÚDE.

“Isso não significa que haverá, necessariamente, um grande número de emergências médicas, mas reforça a importância das estratégias de prevenção”, ponderou.

De acordo com o WWA, os jogos no sul e no interior dos EUA e do México estarão sujeitos a temperaturas que, com frequência, podem se aproximar ou mesmo ultrapassar os 30 °C.

Para quem vem de climas tropicais, como o do Brasil, o número pode parecer razoável, mas o dado que realmente tem preocupado os especialistas é outro: o Índice de Bulbo Úmido e Temperatura de Globo (IBUTG).

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Essa medida captura o estresse térmico real imposto ao corpo humano, levando em conta também a relação entre umidade, radiação solar e vento.

Pense assim: 30°C num dia seco e ventilado é bem diferente de 30°C com 80% de umidade e sol a pino. Para o corpo, a segunda situação é infinitamente mais pesada.

A WWA acredita que, na Copa deste ano, 26 jogos irão ocorrer a, pelo menos, 26°C de temperatura de bulbo úmido.

Para ter ideia, as diretrizes da Federação Internacional de Profissionais de Futebol (Fifpro, na sigla em inglês) consideram que temperaturas de bulbo úmido acima de 26°C ou mais oferecem um risco real de estresse térmico. 

Nessas condições, a entidade recomenda que as partidas incluam pausas para resfriamento. Já acima de 28 °C, a federação considera inseguro jogar. Na previsão da WWA, cinco jogos deverão correr dentro do limite de 28ºC.

Em contraste, os regulamentos da Fifa para a Copa só preveem o adiamento de jogos em temperaturas de bulbo úmido superiores a 32 °C, o que preocupa alguns especialistas.

Por sorte, para este ano, a WWA considera que as chances de condições climáticas mais severas, como níveis de IBUTG acima 30°C, são baixas.

Ainda assim, a probabilidade é quase o dobro da apresentada em 1994, última vez em que o torneio foi realizado nos EUA, o que chama a atenção para o impacto das mudanças climáticas ao longo dos anos.

Quais são os sinais de alerta para o calor?

Seja entre os torcedores, jornalistas ou entre os atletas, nesta copa será fundamental ter atenção a sinais de riscos ligados ao calor.

Além de sintomas iniciais como sede intensa, fadiga excessiva dor de cabeça e câimbras musculares, situações mais graves podem incluir palpitações, sensação de desmaio, dificuldade de concentração e desequilíbrio.

Alterações neurológicas, como confusão mental, desorientação, comportamento inadequado ou perda de consciência, são sinais particularmente preocupantes.

Nessas situações, o atleta deve ser retirado imediatamente da atividade e receber avaliação médica. “A rapidez no reconhecimento e no tratamento pode ser decisiva para evitar complicações graves”, diz Trevizan.

Já para evitar problemas, os especialistas recomendam monitorar de perto o balanço de líquidos e sais minerais, acompanhar a variação de peso corporal durante treinos e partidas – porque cada quilo a menos é sinal de desidratação – e garantir a reposição adequada de água depois de cada esforço.

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