As regras do jogo: como superar o movimento antivacina?
A edição de maio de VEJA SAÚDE explora os efeitos colaterais que as pessoas relamente precisam conhecer sobre as vacinas
Quando eu comecei a ler a reportagem de capa desta edição, assinada pela jornalista Larissa Beani, tomei um susto. Estaria nossa seriíssima repórter se vendendo para a máfia dos charlatões e pregando terapias milagrosas sem nenhum respaldo científico?
É claro que o susto logo passou, pois, como você verá, nossa intrépida e ética profissional se valeu de uma ironia, buscando mimetizar o tom dos picaretas que operam na feira da cura da internet para tentar convencer nosso leitor a se embrenhar em um novo e impactante capítulo na história das vacinas.
Vacinas são um dos pilares inegociáveis da saúde pública moderna — protegem você, sua família e o mundo de forma segura e eficiente, como comprova um alfarrábio de estudos. Ainda assim, é um assunto rejeitado ou negligenciado por boa parte da sociedade.
Tem gente que acha que as picadas se resumem à infância. Outros defendem que elas fazem mal! E há quem simplesmente se esqueça de tomar… Até que uma infecção bata à porta e leve o sujeito a outra porta, a do hospital.
Nesse contexto, ouvimos as pregações nas redes sociais dos mercadores da dúvida e da negação das vacinas, indivíduos com ou sem formação na área que pisam nas evidências e lucram com pretensas alternativas mais saudáveis à vacinação — tudo obviamente sem um pingo de pesquisa por trás. Só que a retórica deles é sedutora, e convence os seguidores desavisados ou em dúvida.
E é impressionante: na lógica dos algoritmos que regem as plataformas, essa turma consegue, com frequência, ter mais audiência que as instituições sérias, que especialistas que dedicam uma vida a esse campo da medicina, que jornalistas queimando neurônios e calorias para entregar reportagens idôneas ancoradas na ciência.
Será que teríamos que pegar emprestadas as estratégias dessas figuras que promovem a narrativa antivacina e outros absurdos? Usar as armas do mal para o bem? É uma discussão e tanto.
Nas minhas palestras sobre comunicação em saúde, costumo dizer que o jornalismo teria de se equilibrar numa espécie de cabo de guerra. De um lado, temos a ciência pura, e, se cairmos aqui, ficaremos reféns de um tecnicismo improdutivo. Do outro, temos o sensacionalismo, que só prejudica o debate público e os cidadãos.
Talvez tenhamos que encontrar um meio-termo — o equilíbrio na corda em disputa. No entanto, a lei instaurada por Instagram, TikTok, Google e companhia nos faz repensar as táticas para fisgar quem vive na aldeia global e virtual — e penso que nossa capa, enfatizando os “efeitos colaterais” das vacinas, é um exercício nascido desse dilema.
O que jamais faremos é abrir mão dos princípios que norteiam o trabalho que você encontrará após abrir a revista ou clicar em nosso conteúdo: ética, excelência e compromisso com a verdade.
Levamos os troféus
No retorno do tradicional Prêmio Abril de Jornalismo, que reverencia os melhores trabalhos da maior editora do país, VEJA SAÚDE ganhou quatro indicações e dois títulos.
Fomos os vencedores nas categorias Saúde e Longevidade, com as reportagens de capa sobre a febre dos hormônios e os avanços contra o Alzheimer — capitaneadas, respectivamente, por Chloé Pinheiro e Larissa Beani —, e ficamos entre os finalistas na categoria Fitness, com nosso especial sobre corrida, de Ingrid Luisa, e na categoria Saúde, com a reportagem sobre câncer em jovens, também de Larissa Beani.
Todas com o suporte especial da nossa dupla imbatível de arte, Laura Luduvig e Letícia Raposo.





