Berberina emagrece e reduz o colesterol? Veja o que a ciência diz
Fitoterápico é vendido com promessas ambiciosas, mas não pode ser usado como substituto de tratamentos convencionais
No mercado de produtos que prometem ajudar na perda de peso e até ganharam o apelido de “Ozempic natural”, nomes como psyllium e glucomannan costumam aparecer com grandes promessas. Mas mesmo eles empalidecem diante da propaganda feita para a berberina que, além do controle dos quilos a mais, supostamente ajudaria até a reduzir os níveis de colesterol.
Mas será que o composto realmente tem todo esse poder? Entenda melhor o que é a berberina, quais as promessas em torno dela, e o que a ciência afirma sobre a substância.
O que é a berberina e para que ela serve?
A berberina é um composto bioativo obtido a partir de plantas do gênero Berberis, como a Berberis vulgaris. Nativa de regiões como o sul e centro da Europa, o norte africano e o oeste asiático, essa planta menos comum por aqui também é chamada de uva-espim ou de espinheiro-vinhedo em Portugal.
No Brasil, o mais comum é que só entremos em contato com os produtos extraídos da Berberis mesmo. A berberina costuma ser encontrada como um fitoterápico em cápsulas, e a indicação normalmente é de uso antes das refeições.
Seus entusiastas dizem que ela contribui para regular o perfil lipídico do organismo, reduzindo os níveis de colesterol ruim (LDL) e triglicerídeos, e também seria capaz de colaborar com o ajuste da glicose e a perda de peso.
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O que dizem os estudos?
Os potenciais anunciados em torno da berberina de fato são alvo de estudos ao redor do mundo e, por vezes, as pesquisas indicam que ela até pode ajudar com algumas das situações para as quais é utilizada popularmente. No entanto, os efeitos são sempre modestos e incapazes de substituir um tratamento convencional.
Um trabalho de revisão conduzido por pesquisadores chineses avaliou estudos sobre o uso da suplementos a base de Berberis vulgaris na síndrome metabólica. A conclusão foi que ela oferece “melhorias modestas mas significativas em componentes chaves da síndrome metabólica, incluindo pressão arterial, peso, perfil lipídico e índice glicêmico”.
No Irã, onde estudos com essas plantas são recorrentes, diferentes trabalhos de revisão têm se debruçado sobre o que pesquisas anteriores tentam decifrar em torno da berberina. Em 2017, um trabalho também reforçou potenciais do composto para ajudar com a síndrome metabólica; em 2025, outros pesquisadores do país discutiram o uso da Berberis vulgaris no tratamento do diabetes tipo 2, argumentando que os estudos existentes “dão pistas” sobre “potenciais benefícios” da planta.
Infelizmente para quem busca uma alternativa natural para o controle desses fatores, em todos os casos as pesquisas sempre reforçam a necessidade de trabalhos mais aprofundados, robustos e devidamente controlados para atestar os benefícios. Sob orientação profissional, a berberina até pode ser indicada como algo complementar a tratamentos preconizados pelos médicos, mas não deve ser encarada como uma solução isolada para esses problemas.
Além de não ser possível cravar os benefícios, suas interações com medicamentos convencionais também não são inteiramente compreendidas. Um dos temores, por exemplo, é que ela possa acabar agindo para reduzir os efeitos de estatinas, medicamento básico no controle do colesterol – o que acabaria até jogando contra uma das promessas em torno da berberina.







