Câncer de peritônio: conheça causas, sintomas e tratamentos
Membrana no abdômen é pouco conhecida e pode esconder um perigo silencioso, principalmente para mulheres

O peritônio não é uma parte do organismo muito popular, em parte porque não é um órgão e não é tão facilmente identificado. Porém, mesmo desconhecido, ele é a maior membrana do corpo humano, responsável por revestir e sustentar os órgãos da região abdominal. E também pode ser acometido por tumores malignos, quando surge o câncer de peritônio.
Sendo tão grande e tão próximo de tantos tecidos, o peritônio fica suscetível aos avanços dos cânceres de outros órgãos, tornando-se uma ameaça silenciosa.
Entenda como funciona o peritônio e como a doença se desenvolve nessa parte do corpo.
O que é o peritônio?
Estômago, intestino, fígado, bexiga, útero e ovários são alguns dos órgãos protegidos do peritônio.
A membrana tem duas camadas: a parietal, que cobre a parede abdominal, e a visceral, que reveste os órgãos internos. O espaço entre essas duas camadas é conhecido como cavidade abdominal ou celoma.
A função dessas camadas é parecida com a que a pleura desempenha no tórax: funcionam como barreira contra infecções, sustem as vísceras, facilitam a passagem do sangue, dos impulsos nervosos e impedem o atrito entre os órgãos.
As paredes do peritônio armazenam gordura e produzem o líquido peritoneal, também chamado de líquido ascítico. Esse fluido ajuda a lubrificar os movimentos peristálticos e é um pouco mais famoso, já que ao inflamar ele causa uma condição chamada ascite.
Diagnóstico e causas do câncer de peritônio
Raro e agressivo, o câncer peritoneal se manifesta em duas categorias: primária e secundária. O câncer de peritônio primário se origina na própria membrana, enquanto o secundário acontece devido a metástase de outros lugares.
As principais causas ligadas ao desenvolvimento primário são mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, também responsáveis por cânceres de ovário, mama e pâncreas, motivo pelo qual as mulheres são as mais afetadas pela enfermidade. Pacientes com histórico de câncer de mama na família têm mais possibilidade de desenvolver a doença.
Já a modalidade secundária é a forma mais comum e costuma se desenvolver na região inferior do abdômen, a partir da metástase do câncer no trato gastrointestinal e nos ovários. O tumor maligno tem um comportamento semelhante ao carcinoma seroso de ovário e afeta predominantemente mulheres com idade entre 56 a 62 anos.
Outra causa para o câncer de peritônio é a exposição ao asbesto, também chamado de amianto, uma substância associada a atividades industriais e construtivas. Essa exposição provoca uma forma agressiva do câncer, que, por sua vez, afeta principalmente homens na casa dos 60 anos.
Sintomas e tratamentos
Como o peritônio cobre boa parte do abdômen e está “mesclado” a outras estruturas, o câncer nessa membrana pode ficar bem escondido. Os sintomas que a enfermidade provoca são genéricos, similares a outras doenças, e variam de acordo com a extensão e a localização do câncer.
Dentre os sinais estão:
- ascite;
- inchaço e dor abdominal;
- redução do apetite
- perda de peso repentina;
- náuseas, constipação ou diarreia;
- dor nas costas;
- sangramento vaginal anormal;
- aumento da frequência urinária.
Portanto, uma avaliação abrangente é necessária e pode incluir exames laboratoriais, de imagem e biópsias. As cirurgias invasivas também são a principal forma de tratamento, pois a quimioterapia e a radioterapia não são tão eficientes diante de uma membrana ao mesmo tempo vasta e pouco vascularizada.
A peritonectomia, também chamada cirurgia citorredutora, é o procedimento cirúrgico mais comum neste tratamento e consiste na ressecção do tumor maligno e de alguns tecidos saudáveis ao seu redor, o que pode implicar na retirada de parte de alguns órgãos.
Outras técnicas de tratamento são as terapias de quimioterapia intraperitoneal, principalmente a hipertérmica ou pós-operatória precoce. A quimioterapia intraperitoneal com hipertermia utiliza uma solução de quimioterápicos em alta temperatura para realizar a limpeza da cavidade peritoneal.
Essas técnicas, executadas no mesmo procedimento ou logo após, visam a destruição de resíduos malignos que não foram alcançados pela cirurgia citorredutora.