Causa da morte de Oscar Schmidt: o que é e como age o tumor cerebral
Oscar Schmidt, o Mão Santa, faleceu após anos de tratamento de um câncer cerebral; entenda a condição
O ex-jogador Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro, faleceu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. Conhecido como “Mão Santa”, o atleta tratava um câncer no cérebro há mais de 15 anos.
A informação foi confirmada pela assessoria de Oscar e publicada pela revista Quem, da editora Globo. Em nota, a assessoria escreveu:
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo. Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida”.
Nas redes sociais, o seu filho, Felipe Schmidt, também lamentou o ocorrido. “Hoje o mundo perde um ídolo, e eu perco meu pai”, disse. O jovem fez homenagens ao pai e pediu respeito à dor da família neste momento de luto.
O que é um tumor cerebral
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os tumores no Sistema Nervoso Central (SNV) – grupo que inclui o cérebro – representam 1,4 a 1,8% de todos tumores malignos no mundo.
Além disso, estima-se que entre 2026 e 2028, o Brasil vá registrar 12.060 novos casos desse tipo de câncer.
Um tumor cerebral pode ser explicado como a multiplicação desordenada de células nessa região, o que pode levar a uma formação benigna ou maligna.
Essa distinção, porém, nem sempre determina o risco. Diferentemente de outros órgãos, o cérebro está confinado em uma “caixa rígida”, o crânio. Daí, mesmo lesões não cancerosas podem causar problemas, desde fraqueza até perda completa da visão, por comprimir as áreas responsáveis por funções vitais.
Vale destacar que, entre os diversos tipos desses tumores, o mais sério é o glioblastoma, que tem se tornando cada vez mais comum entre idosos à medida que a população envelhece.
Outro ponto importante é que esses tumores podem ser divididos em lesões primárias ou secundárias, como explicou, em coluna da VEJA SAÚDE, o neurocirugião Felipe Mendes, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).
“As primárias têm origem em células e tecidos do próprio sistema nervoso, sendo o exemplo mais comum o glioma ou o glioblastoma“, disse.
Já as secundárias se referem às metástases. Ou seja, quando o tumor se originou em outras partes do organismo e se espalhou, até atingir o sistema nervoso.
As lesões secundárias são o tipo de tumor cerebral mais frequente, com pulmão, mama e intestino estão entre os principais órgãos inicialmente afetados.
Quais as causas?
“Elas ainda não são totalmente conhecidas, mas existem alguns fatores de risco, como exposição à radiação, diversas síndromes genéticas e o tabagismo – nos casos de metástases pulmonares, por exemplo”, explicou Mendes.
De acordo com o Inca, algumas alterações são adquiridas durante a vida, por predisposição ou por exposição. Outras são hereditárias e estão presentes em algumas síndromes familiares, como a neurofibromatose.
Muitos possíveis fatores de risco já foram estudados, mas até hoje não se confirmou sua relação com a doença.
Entre as hipóteses, considera-se aspectos como traumatismos na região da cabeça, exposição a várias substâncias químicas (entre elas alguns derivados do petróleo) e consumo de aspartame (tipo de adoçante artificial).
Ainda, segundo a American Cancer Society, também são avaliados fatores como a exposição a arsênico, chumbo, mercúrio, óleo mineral e agrotóxicos.
Algumas deficiências do sistema imunológico também entram nas possibilidades, sejam ela causada pelo vírus HIV ou pelo uso de medicamentos que suprimem o sistema imunológico.
Além disso, acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o tabagismo, apesar de não ter relação direta com os tumores cerebrais, é um fator fortemente associado a inúmeros tipos de câncer que podem se espalhar para a região.
É preciso considerar, por exemplo, que os tumores de pulmão, fígado e mama, por exemplo, podem evoluir e atingir o cérebro e a medula espinhal.
Sintomas
Os sintomas podem ocorrer tanto nos tumores cerebrais não cancerosos como nos cancerosos. Além disso, variam de acordo com a localização, tamanho e tipo.
No caso de Oscar, a longa convivência com o tumor mostra justamente esse caráter heterogêneo. Alguns pacientes pioram rapidamente; outros, como ele, atravessam anos lidando com a condição.
Seja qual for a origem, especialistas destacam que muitos sinais são decorrentes do aumento da pressão dentro do crânio e incluem dor de cabeça persistente, piora na função mental e alterações na visão.
Além desses sinais, de acordo com Mendes, também são comuns:
- Convulsões
- Problemas de equilíbrio e coordenação
- Alterações no humor e de personalidade
- Alteração de força ou sensibilidade
- Dificuldade de fala ou compreensão
Mais tarde, à medida que a pressão dentro do crânio aumenta, podem surgir náuseas, vômitos, letargia, sonolência ou mesmo coma.
É importante destacar, ainda, que a dor de cabeça é o sintoma mais comum, mas não é absoluto. Tem pessoas com tumores cerebrais não que não têm quadros de cefaleia, e, vale dizer, na grande maioria das vezes a dor nessa região não é causada por tumores cerebrais.
Tratamento
Atualmente, o tratamento é multidisciplinar, ou seja, envolve vários profissionais, como o neurocirurgião, o oncologista, o radioterapeuta, entre outros. E, assim como os sintomas dependem de diversos fatores, os cuidados também.
A abordagem contra tumores cerebrais inclui medidas como cirurgia, radioterapia e uso de medicamentos (como quimioterapia ou imunoterapia) ou, mais frequentemente, uma combinação deles.
Quando possível, uma craniotomia (remoção cirúrgica de um pedaço do crânio para que o cérebro possa ser operado) é realizada. Isso porque alguns tumores cerebrais podem ser extraídos sem danos ou com danos mínimos ao cérebro.
No entanto, muitos deles crescem em zonas onde a remoção por cirurgia tradicional é difícil ou impossível sem destruir estruturas vitais. Com isso, outras vias de tratamento podem ser consideradas.
De todo modo, Mendes destaca que os riscos sempre são minimizados: “no caso da intervenção cirúrgica, o foco é utilizar técnicas minimamente invasivas, com o objetivo de retirar a maior quantidade possível da lesão com o máximo de segurança para, assim, reduzir danos”, disse.
Dá para prevenir?
Segundo o Inca, até o momento, não existem medidas definidas para a prevenção específica dos tumores de SNC.
O que se sabe é que, por exemplo, no contexto de trabalho, é importante que pessoas que lidam com raios-x e radiação utilizem equipamentos de proteção adequados e sigam os protocolos de segurança.
Fora isso, de acordo com Mendes, o diagnóstico precoce é o ponto mais importante, para que os tratamentos possam ser iniciados cedo, o que aumenta as chances de cura.
“Por meio de alertas como esse, as pessoas se tornam capazes de notar as alterações mais rapidamente. Com dedicação e compromisso da comunidade médica, de pacientes e dos familiares, há motivos para acreditar em um futuro mais animador para todos aqueles afetados por esses tumores”, conclui o médico.







