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Como a febre reumática prejudica o coração

Essa doença tem diagnóstico fácil e um tratamento barato. Mesmo assim, continua a atormentar muitos corações por aí

Por André Biernath 6 nov 2019, 10h02 | Atualizado em 3 jul 2026, 18h47
febre reumática tem cura
Dor de garganta causada por bactéria pode impactar o coração. (Foto: Bruno Marçal/SAÚDE é Vital)
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Imagine ter uma simples dor de garganta causada por uma bactéria que, décadas depois, volta a assombrar na forma de uma doença autoimune, com ataques em vários cantos do corpo. Pois esse é o retrato da febre reumática, enfermidade que não costuma dar sinais de sua presença.

“Alguns pacientes só descobrem a condição 60 anos depois, quando estão com um problema grave nas válvulas cardíacas ou sofrem um AVC”, descreve o cardiologista Guilherme Spina, do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.

Para agravar a situação, o quadro é pouco conhecido pela própria comunidade médica — não se sabe, por exemplo, o número de pacientes atingidos no Brasil, o que dificulta a tomada de decisões e a criação de políticas públicas para combatê-lo.

Saiba mais sobre a febre reumática

O que é: a bactéria Streptococcus pyogenes infecta a garganta e, em algumas pessoas, leva a uma reação exagerada do sistema imune.

Sintomas: após a crise na garganta, a doença fica quieta por anos. Depois, se manifesta no coração, nas articulações ou no cérebro.

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Diagnóstico: nas complicações cardíacas, uma auscultação do peito pelo médico já indica que há algo errado. Depois é preciso fazer um ecocardiograma.

Tratamento: o ideal é curar a amigdalite e impedir a evolução para o distúrbio autoimune. Uma dose injetável de antibiótico já basta.

O dilema da penicilina

Diante de uma dor de garganta, uma injeção desse antibiótico (a popular benzetacil) é a terapia mais barata e efetiva para cortar o mal pela raiz. Como ela é baratíssima, muitas farmacêuticas desistiram de fabricá-la. Isso faz com que o Brasil viva hoje um desabastecimento crônico desse remédio.

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Promessa para o futuro

O InCor desenvolveu uma vacina capaz de barrar o Streptococcus pyogenes, micro-organismo que desencadeia a complicação. O imunizante já passou pelos estudos com animais e, agora, será submetido a uma bateria de testes em seres humanos para ver se funciona mesmo.

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