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Como funciona o primeiro remédio para ejaculação precoce aprovado no país

Remédio comercializado a partir de prescrição médica deve ser tomado de uma a três horas antes da relação sexual

Por Lucas Rocha Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 ago 2023, 15h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h47
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Ejaculação precoce ou rápida afeta aproximadamente 30% dos homens (Foto: gpointstudio/Freepik/Divulgação)
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o primeiro medicamento específico para o tratamento da ejaculação precoce.

O cloridrato de dapoxetina (nome comercial Prosoy), é o único remédio a contar com esta indicação em bula e deve ser tomado sob demanda, de uma a três horas antes da relação sexual. Ele é vendido sob prescrição médica.

A ejaculação precoce afeta cerca de 30% dos homens, sendo considerada um dos problemas sexuais mais frequentes.

A Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM, em inglês) define a condição como uma disfunção masculina na qual a ejaculação quase sempre acontece antes ou em 1 minuto após a penetração.

Para esses indivíduos, a incapacidade de retardar o clímax está associada ao sofrimento, com impacto significativo para os relacionamentos. O problema pode ocorrer desde a iniciação sexual ou ser adquirido ao longo da vida.

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Mecanismo de ação

A dapoxetina, princípio ativo do medicamento, é da mesma classe da fluoxetina, famoso medicamento antidepressivo.

Drogas desta categoria atuam diretamente sobre a serotonina, neurotransmissor associado à regulação de diversas funções, como libido, humor, ansiedade e sono, além de estar envolvido nas sensações de satisfação e de bem-estar.

“A dapoxetina é um antidepressivo, em dose muito menor, tomado sob demanda. É como se ela atuasse no cérebro estendendo o período em que o indivíduo se vê diante de uma relação”, explica Fernando Facio, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), presidente da Latin American Society for Sexual Medicine (SLAMS) e membro internacional da American Urological Association (AUA).

A dose inicial recomendada é de 30 mg, segundo Facio.

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Um diferencial em relação aos compostos “parentes” é que a nova droga é absorvida, faz seu trabalho e é eliminada mais rapidamente no organismo.

Dessa forma, a substância não permanece no corpo, o que evita o surgimento de efeitos adversos como sonolência, perda de libido e outras consequências que antidepressivos de uso contínuo e diário podem causar.

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Quem não deve utilizar o medicamento

O uso é contraindicado para indivíduos com comprometimento moderado ou grave do fígado.

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Ele também não deve ser usado por homens doenças cardíacas, que já apresentaram síncope (desmaio) ou foram diagnosticados com depressão grave ou mania (uma das fases do transtorno bipolar).

O urologista Fernando Facio destaca ainda que o remédio não pode ser tomado com antidepressivos de uso diário. Além disso, os pacientes devem evitar o excesso de álcool.

Entre os possíveis efeitos colaterais estão tontura, náuseas e queda da pressão arterial.

Causas e diagnóstico

A ejaculação precoce, também chamada de ejaculação rápida, pode ser causada por diversos fatores, incluindo condições psicológicas, como a ansiedade e depressão.

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O problema também está relacionado a experiências sexuais ruins, quadros de abuso, estresse e baixa autoestima.

A origem ainda pode estar em questões do próprio organismo, como disfunção erétil, desequilíbrio hormonal ou de neurotransmissores no cérebro, infecção ou inflamação da próstata ou uretra.

Por isso mesmo, é importante procurar o médico e entender a causa da condição antes de tomar remédios por conta própria.

“Há muito tabu sobre sexualidade masculina e os homens têm medo e preconceitos em buscar ajuda. Mas não se deve tomar medicações porque deram certo para um amigo, por exemplo. O problema pode estar em outros distúrbios sexuais que devem ser investigados”, afirma o médico urologista Leonardo Seligra Lopes, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo (SBU-SP).

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Em geral, o tratamento da ejaculação precoce é feito com técnicas comportamentais. Considerando o envolvimento da saúde mental no desenvolvimento da disfunção, os especialistas recomendam o acompanhamento psicológico como estratégia complementar e, quando necessário, o uso de medicações.

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