“Covid 2.0”? Entenda se o Nipah vírus pode causar problemas no Carnaval
Fake news diz que doença teria chegado ao Brasil. Na realidade, não há casos fora das áreas onde o vírus já é conhecido desde o final do século 20
Com a proximidade do Carnaval e a confirmação de uma morte pelo Nipah vírus em Bangladesh, o trauma de 2020 renasceu na internet: diante de notícias sobre um “novo” vírus (que não é novo) e boatos de que ele já teria chegado ao Brasil (o que é uma mentira), será que os foliões e as autoridades não estão desprezando o risco de espalhar uma doença desconhecida na iminência de uma nova pandemia?
Afinal, até que ponto devemos nos preocupar com o vírus Nipah aqui no Brasil? Existe perigo no Carnaval? Veja o que já se sabe.
O que é o vírus Nipah
O vírus Nipah (NiV) é transmitido de animais para seres humanos. Seus hospedeiros naturais mais importantes são os morcegos do gênero Pteropus, que eliminam o patógeno por fluidos corporais e fezes. Porcos também são conhecidos por abrigar o vírus e potencialmente transmiti-los para humanos, devido à proximidade de convívio.
Quando contagia seres humanos, o Nipah pode ser transmitido de pessoa para pessoa pelo contato próximo com alguém infectado. Embora o quadro costume começar lembrando uma gripe, com sintomas respiratórios e febre, a infecção por NiV é caracterizada por uma grande chance de agravamento dos sintomas: surtos passados tiveram uma letalidade entre 40% e 75% dos casos confirmados.
Além de poder levar a uma pneumonia, a infecção pelo Nipah também preocupa pela possibilidade de o vírus atingir o sistema nervoso, produzindo quadros de encefalite, uma inflamação cerebral potencialmente fatal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enquadra o Nipah entre os vírus mais preocupantes do planeta desde 2018.
Vírus não é novo
Apesar de ter voltado ao noticiário no começo de 2026 em função do registro de um surto no estado indiano da Bengala Ocidental, o vírus não é novo: surtos da doença têm sido registrados pela Ásia desde o final dos anos 1990, e todos os anos há registros de casos ao redor da Índia.
A “novidade” que fez o Nipah voltar ao noticiário é, principalmente, porque a Bengala Ocidental não tinha casos conhecidos do vírus há quase duas décadas inteiras, desde 2007.
No entanto, isso não necessariamente significa que ela “retornou” a um lugar que a havia erradicado: especialistas apontam que o NiV pode ter se mantido presente na área esse tempo todo, apenas passando despercebido por falhas na testagem e vigilância epidemiológica.
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Situação é diferente de 2020
A descrição acima reforça uma situação importante: apesar de muito preocupante, o Nipah não passou a ter registros em lugares inéditos. Também não houve infecções novas em áreas que já não tivessem observado a doença desde que ela foi identificada pela primeira vez, em 1999.
Com a covid-19, após os primeiros contágios confirmados na China no final de 2019, o ano seguinte já havia começado com infecções observadas em outros países distantes, indicando um agravamento da situação.
A Europa e os Estados Unidos confirmaram publicamente seus primeiros casos ainda em janeiro de 2020, e pesquisas realizadas posteriormente comprovaram que o vírus já havia chegado até antes disso.
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Riscos no Brasil
Não caia em mentiras difundidas nas redes sociais: não existe qualquer caso de infecção por Nipah registrado no Brasil até hoje, e nem registro da circulação do vírus por aqui, como o próprio Ministério da Saúde precisou reafirmar na segunda-feira (9). A espécie de morcego que é considerada seu hospedeiro natural mais importante sequer existe no continente americano.
Isso não quer dizer que seja impossível o desembarque do NiV por aqui: como ocorre com qualquer doença transmissível entre seres humanos, o risco nunca é nulo, e o patógeno poderia chegar até nós por meio de uma pessoa infectada durante uma viagem internacional.
No entanto, até aqui, nada indica motivo para pânico na situação atual: em Calcutá, nenhuma das quase 200 pessoas que entraram em contato com os pacientes infectados com o Nipah testou positivo para a doença. Não há registro de uma cadeia sustentada de transmissão que demonstre que o vírus está se espalhando fora de suas áreas endêmicas, onde ele é conhecido desde o final do século passado.






