Dispneia: o que pode estar por trás da falta de ar?
Aperto no peito, sensação de sufocamento e cansaço são sintomas que podem aparecer junto da dispneia e indicar uma doença subjacente

Dispneia é o termo médico usado para descrever a falta de ar. A condição é uma queixa frequente em atendimentos de emergência, e você provavelmente já experimentou a sensação pelo menos uma vez.
O incômodo pode ser passageiro, mas é um sintoma para problemas mais sérios, sejam eles cardíacos, respiratórios ou neuromusculares.
O que é dispneia?
A dispneia não é considerada uma doença por si só, mas um sintoma que aponta para alguma condição subjacente.
Esse desconforto respiratório é classificado em agudo ou crônico e está relacionado a diferentes sistemas do organismo. Tanto os pulmões quanto o coração são responsáveis pelo trabalho de fornecer oxigênio aos tecidos – ao mesmo tempo que removem o dióxido de carbono produzido pelo corpo.
Por isso, danos ao sistema cardiovascular e respiratório costumam provocar uma necessidade maior de oxigênio, o que leva à dispneia.
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Sintomas
A dispneia é caracterizada principalmente pela falta de ar. Outros sintomas podem aparecer concomitantemente, como:
- Aperto no peito;
- Respiração rápida;
- Palpitação cardíaca;
- Sensação de sufocamento;
- Cansaço.
Depois de verificada a dispneia, o médico deve conduzir uma investigação clínica sobre a causa para a condição. A avaliação pode incluir raio-X do tórax, eletrocardiograma e exames de sangue.
A espirometria e a gasometria servem para avaliar a função pulmonar. Em alguns casos, o paciente também é encaminhado para testes de esforço e tomografias.
Se algum dos seguintes sinais for identificado, a dispneia pode fazer parte de um quadro mais grave, de urgência:
- Coloração azulada nos lábios e pontas dos dedos;
- Dor no peito;
- Febre alta;
- Calafrios;
- Chiado ao respirar;
- Inchaço nos pés e tornozelos.
Causas para dispneia
Uma variedade de problemas de saúde tem a falta de ar como uma de suas manifestações.
A dispneia não é sempre sinal de uma doença: ela pode aparecer frente a temperaturas muito altas ou após a prática de exercícios físicos extenuantes. O problema também surge quando há mudança de altitude, como ao subir uma serra alta.
Já a dispneia crônica costuma ter relação com uso de cigarro e a falta de condicionamento físico – provocada tanto pelo sedentarismo quanto por longos períodos de internação, por exemplo. A obesidade também aumenta o risco para a falta de ar.
Falhas nos sistemas respiratório e cardiovascular são as primeiras suspeitas quando há falta de ar.
A asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são algumas das causas mais comuns para dispneia crônica contínua. Infecções respiratórias, como a pneumonia e o coronavírus, assim como inflamações, como o crupe que afeta a traqueia e a laringe, são outra classe de encrencas relacionadas à dispneia. Outras possíveis responsáveis são:
- Embolia pulmonar;
- Pneumotórax;
- Derrame pleural;
- Inflamação pleural;
- Fibrose;
- Sarcoidose;
- Tuberculose;
- Câncer de pulmão;
- Doença pulmonar intersticial.
Já na categoria cardiovascular, a dispneia pode ser desencadeada por outra gama de diagnósticos. Tamponamento cardíaco, perda de sangue, arritmia e pericardite são alguns deles.
Choques anafiláticos provocam falta de ar, assim como problemas de ordem psicológica: ataques de pânico ou ansiedade, e até estresse, são capazes de gerar uma sensação de sufocamento. Medicações como estatinas ou betabloqueadores também podem ter a dispneia como efeito colateral. No nível neuromuscular, paralisias, miopatias, neuropatias e traumas, como costelas fraturadas, afetam a respiração.
É importante informar o médico sobre as circunstâncias em que a dispneia aparece. Se ela te faz acordar durante a noite, pode ser um caso de dispneia paroxística: caracterizada pela sensação de falta de ar durante o sono, costuma melhorar ao sentar ou ficar em pé.
Tratamentos
O curso de tratamento para dispneia consiste, na realidade, em diagnosticar e manejar a condição causadora da falta de ar. Oxigenoterapia pode ser adotada como terapia complementar. Medicações broncodilatadoras podem ser receitadas, assim como remédios para aliviar dor e controlar a ansiedade.
A fisioterapia respiratória é uma opção para melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças pulmonares. Já os exercícios físicos servem tanto como tratamento quanto como forma de prevenção da dispneia: vale dizer que as atividades devem ser autorizadas pelo médico e acompanhadas por profissional de educação física.