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Em países ricos, pessoas com obesidade sofrem menos com colesterol alto e hipertensão

Melhor acesso a tratamentos faz com que indivíduos com excesso de peso tenham risco cardiovascular similar ao daqueles com IMC normal

Por Larissa Beani Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2026, 13h38 | Atualizado em 8 jul 2026, 13h54
Pessoa de costas com guarda-chuva da bandeira do Reino Unido, observando o rio Tâmisa, a ponte de Westminster, o Palácio de Westminster e o Big Ben em Londres, sob céu nublado
Pessoas com excesso de peso tem menor risco cardiovascular em países de alta renda, como a Inglaterra (jcstudio/Magnific)
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Em países ricos, pessoas com obesidade sofrem menos com colesterol alto e hipertensão Priorizar nos meus resultados Google

Em países de alta renda, os níveis de colesterol alto e hipertensão entre pessoas acima dos 40 anos e com obesidade estão diminuindo e se aproximando dos de quem tem IMC normal — tudo graças ao acesso aos tratamentos e à prevenção de doenças crônicas cultivados nesses países.

Eis a conclusão de um estudo publicado nesta quarta-feira (1º) no periódico The Lancet. Os dados refletem uma mudança positiva em comparação ao que era observado há três décadas.

Nos anos 1990, adultos com obesidade geralmente apresentavam níveis mais altos de pressão arterial e de gorduras no sangue do que pessoas sem acúmulo de peso. Hoje em dia, com melhor acesso aos tratamentos, essa diferença é menor.

“Constatamos que o uso de medicamentos hipolipemiantes e anti-hipertensivos aumentou mais entre adultos de meia-idade e idosos com obesidade do que entre aqueles com IMC normal“, escrevem os autores no artigo. “Isso pode ocorrer porque indivíduos com obesidade passam por mais exames de rastreamento ou têm maior probabilidade de receber prescrição de medicamentos.”

O estudo aponta ainda, em alguns casos, pessoas com obesidade em tratamento para hipertensão e dislipidemia podem até ter níveis mais saudáveis de risco cardiovascular do que aquelas com peso ideal — que não investigam outros aspectos de sua saúde.

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Por dentro da pesquisa

Conduzido pela rede internacional de pesquisadores da NCD Risk Factor Collaboration (Colaboração sobre Fatores de Risco de Doenças Não Comunicáveis, em tradução livre), o estudo avaliou dados registrados entre 1990 e 2024 de quase 1 milhão de pessoas.

As informações foram fornecidas por 110 bancos de dados a respeito da população de sete países: Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia e Finlândia.

Entre essas nações, apenas na Tailândia e em Taiwan não foi observada a convergência de níveis de colesterol alto e hipertensão entre pessoas com e sem obesidade. Em países ricos, onde o tratamento e a prevenção são mais disseminados, houve melhora.

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“Nosso estudo sugere que, em países de alta renda, o uso de medicamentos para reduzir a pressão arterial e o colesterol ajudou adultos de meia-idade e idosos a reduzirem seu risco cardiovascular a níveis semelhantes aos de pessoas com IMC normal”, resume Majid Ezzati, professor da Escola de Saúde Pública do Imperial College London (UK).

Entre pessoas mais jovens, a diferença do risco cardiovascular entre quem tem ou não tem obesidade permaneceu significativa, já que é incomum que as pessoas recebam tratamentos para hipertensão e colesterol alto antes dos 40 anos.

Tratamentos no Brasil

Para o cardiologista Andrei Sposito, que não está envolvido no artigo, os resultados reforçam a importância do tratamento de doenças crônicas não comunicávais, como a hipertensão e a dislipidemia, entre aqueles que lidam com o excesso de peso.

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Isso aumenta a qualidade e a expectativa de vida de quem tem sobrepeso e obesidade, reduzindo o risco de complicações como infarto e AVC.

“No Brasil, temos aprovados medicamentos antihipertensivos clássicos (como os bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona, os bloqueadores do canal de cálcio, os diuréticos e os beta-bloqueadores) e hipolipemiantes, como as estatinas e, mais recentemente, os inibidores de PCSK9″, lista Sposito, que é diretor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).

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