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Esclerose múltipla: novo remédio pode reduzir crises para uma a cada 17 anos

Dados preliminares de ensaio clínico em fase final indicam que droga experimental dobre o tempo sem recidiva de forma mais comum da doença

Por Larissa Beani Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 Maio 2026, 15h11 | Atualizado em 7 Maio 2026, 16h27
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Neurônios são danificados na esclerose múltipla. (Foto: sqback/Getty Images)
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Fadiga extrema, fraqueza muscular, formigamentos, problemas de visão e cognitivos. Estes são os principais problemas de saúde trazidos pela esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), a forma mais comum dessa doença autoimune que, a longo prazo, pode limitar a mobilidade e independência de milhões de pessoas em todo o mundo.

A doença se apresenta em relapsos (ou surtos), intercalando fases em que o paciente não sente incômodo algum e períodos em que os sintomas retornam ou mesmo pioram. 

Hoje, não há cura para a condição e o controle é feito por medicamentos que retardam as crises. E uma nova droga experimental parece fazer isso com o dobro de eficiência do que o tratamento padrão disponível.

Segundo dados divulgados em abril, durante o Encontro Anual da Academia Americana de Neurologia (AAN), o fármaco fenebrutinibe reduz o número de surtos em até 58% por ano, comparado com o uso de teriflunomida, que é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento hoje e que já permite que a maioria dos pacientes fique anos sem apresentar crises. 

O que os resultados representam agora é que, com o fenebrutinibe, estima-se que os usuários tenham um surto a cada 17 anos — mais do que o dobro de tempo sem novas recaídas, comparado à teriflunomida.

“Ao mais que dobrar o tempo sem recidivas em comparação com a teriflunomida, o fenebrutinibe pode oferecer aos pacientes anos de vida sem recidivas, preservando assim a independência diária e a funcionalidade a longo prazo”, comemora Levi Garraway, diretor médico e chefe de Desenvolvimento Global de Produtos da Roche, farmacêutica que desenvolve a droga, em comunicado de imprensa.

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Estes são dados preliminares da terceira e última fase dos ensaios clínicos FENhance 1 e 2, que acompanharam quase 1,5 mil pacientes com EMRR por 96 semanas (quase dois anos). 

“Esses resultados reforçam o potencial do fenebrutinibe como um tratamento oral de alta eficácia para a EMRR”, afirma Jiwon Oh, neurologista da Universidade de Toronto, no Canadá, que tem conduzido os estudos. “Seu modo de ação único pode oferecer um perfil diferenciado, visando dois mecanismos da esclerose múltipla no sistema nervoso central e na periferia”.

Como funciona

O fenebrutinibe faz parte de uma nova classe de medicações capazes de modificar o curso da doença.

Ele é um inibidor da tirosina quinase de Bruton (BTK), ou seja, é uma droga capaz de inibir uma enzima chamada de BTK, prevenindo a ativação de células de defesa que atacam a bainha de mielina — estrutura que envolve parte importante dos neurônios e, quando agredida, gera os sintomas da esclerose múltipla.

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“O que queremos com os inibidores de BTK é tratar a inflamação diretamente no sistema nervoso central, para que as células do sistema nervoso central, que também estão envolvidas no processo de neurodegeneração, não sejam afetadas e não causem o acúmulo de incapacidade”, explica o neurologista Ricardo Pereira Gonçalves, especialista em doenças desmielinizantes.

Nos ensaios, a droga vem sendo administrada por via oral, duas vezes por dia.

Outros benefícios 

Ao reduzir a frequência das crises de esclerose múltipla remitente-recorrente, o fármaco também diminui a progressão da incapacidade pela doença de 13 a 20%.

Para chegar nesse número, foram avaliadas a velocidade de marcha, a mobilidade dos membros superiores e a Escala Expandida do Estado de Incapacidade (EDSS), que é uma forma de medir a incapacidade neurológica gerada pela esclerose múltipla.

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Em fevereiro, outros dados foram revelados e mostraram que a droga também pode reduzir a progressão de pacientes com uma outra forma de esclerose múltipla, a primária progressiva (EMPP). É a primeira substância em mais de uma década a demonstrar esse potencial.

Segurança

Em relação à segurança, uma das preocupações é a elevação de enzimas hepáticas que podem levar a problemas no fígado pelo uso de medicamentos, mas as taxas observadas no fenebrutinibe têm sido semelhantes à teriflunomida, que é o tratamento padrão. Possíveis quadros podem ser tratados e revertidos.

O índice de infecções entre pacientes utilizando ambos tratamentos também é semelhante.

Durante o período de observação dos estudos FENhance 1 e 2, houve uma morte no braço de teriflunomida e sete no de fenebrutinibe.

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Entre os óbitos de quem usava a droga experimental, as causas foram variadas: infecções por pneumonia e pelo Cryptococcus gattii, complicações do diabetes tipo 1, hemorragia grave, suicídio, lesões por acidente e morte por causa desconhecida.

Quando estará disponível?

Os estudos clínicos de fase 3 devem ser concluídos para que o medicamento seja, então, submetido à avaliação de órgãos regulatórios e passará por um processo de precificação. Não há previsão de quando ele estará disponível no Brasil.

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