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EUA deixam de recomendar vacina tetraviral para crianças menores de 4 anos

Alteração é questionada por especialistas, que apontam risco de uma piora na adesão ao imunizante

Por Maurício Brum 23 set 2025, 09h39 | Atualizado em 23 set 2025, 09h46
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Recomendação se baseia em reação rara (Freepik/Freepik)
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Os Estados Unidos anunciaram uma modificação importante na sua política de vacinação infantil: na última semana, a ACIP (sigla em inglês para Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização) votou para não recomendar mais a aplicação da vacina tetraviral em crianças com menos de 4 anos.

A tetraviral é um imunizante que protege simultaneamente contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora, e era aplicada em bebês de 12 a 15 meses de vida.

Agora, a nova recomendação do órgão norte-americano é que, antes do quarto aniversário, essa proteção seja feita com duas vacinas separadas: aplicando a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e, isoladamente, o imunizante contra a varicela (catapora).

A decisão é questionada por autoridades sanitárias de outros países, e não modifica a política de imunização vigente fora dos Estados Unidos. Para entrar em vigor por lá, a recomendação da ACIP ainda deve ser validada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do país.

Justificativa por trás da decisão

O argumento técnico utilizado nos Estados Unidos aponta para um risco levemente maior de a criança desenvolver convulsões febris como reação após a vacina tetravalente.

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No entanto, esse sintoma, além de pouco comum, não é associado a complicações graves ou sequelas de longo prazo, o que fez muitos especialistas questionarem a validade da recomendação.

Uma das preocupações dos defensores do modelo atual é que, ao trocar uma vacina única por doses separadas, a adesão ao esquema vacinal completo acaba sendo prejudicada. Por consequência, a proteção individual e populacional também se reduz.

Acredita-se que a pressão de movimentos que buscam semear dúvidas sobre a segurança dos imunizantes tenha sido decisiva para a mudança na política. O atual secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., tem se notabilizado por falas e posicionamentos que estimulam a hesitação vacinal.

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+Leia também: “As coisas ficaram muito sombrias nos Estados Unidos”

Situação no Brasil

No Brasil, é possível se proteger contra as quatro doenças utilizando os dois modelos, sem a contraindicação feita nos Estados Unidos. Ou seja: caso haja doses disponíveis da tetravalente, é possível aplicá-la sem restrições; no entanto, como costuma haver escassez desse imunizante, também é possível fazer a aplicação conjunta da tríplice viral com a vacina contra a varicela.

No Programa Nacional de Imunizações (PNI), o esquema recomendado indica realizar a primeira dose com a tríplice viral aos 12 meses de vida. A seguir, uma segunda dose é administrada aos 15 meses, podendo ser da tetraviral ou da tríplice juntamente com uma dose do imunizante contra a varicela, conforme disponibilidade.

Essa aplicação aos 15 meses conta também como a primeira dose da proteção contra a catapora. Uma segunda dose contra esse vírus, de forma isolada, é indicada aos 4 anos.

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Confira no site do Ministério da Saúde como funcionam as recomendações para quem não se vacinou no período indicado.

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