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Hemoterapia: o que é e quando é feita

Nome técnico que engloba as transfusões de sangue tem gerado confusão com a “auto-hemoterapia”, um procedimento perigoso e sem base científica

Por Maurício Brum 25 out 2025, 04h00
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Transfusões de sangue são exemplo de hemoterapia (rawpixel.com/Freepik)
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Hemoterapia é o nome dado a qualquer tratamento de saúde que envolva a retirada ou reposição do sangue de uma pessoa, por motivos diversos.

Embora a descrição possa parecer um tanto assustadora à primeira vista, o termo nada mais é do que uma forma técnica de se referir a procedimentos como uma transfusão de sangue.

No entanto, a hemoterapia não se limita à transferência do sangue com todos os seus componentes. Ela também pode ser aplicada em situações em que apenas uma das partes é necessária para debelar uma questão de saúde, como nas transfusões de plasma.

Em tempos recentes, a hemoterapia, que é um procedimento seguro e fundamental para a saúde de todos, tem sido alvo de confusões pelo uso de uma expressão parecida para se referir a uma técnica perigosa sem qualquer base científica: a auto-hemoterapia.

Entenda melhor as diferenças entre elas.

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Usos da hemoterapia

A mais conhecida aplicação da hemoterapia é em procedimentos de transfusão de sangue total, que podem ser necessárias quando há hemorragias severas, como em cirurgias ou após acidentes, além do tratamento de doenças como a hemofilia ou anemia grave.

Em alguns casos, porém, a principal necessidade não está nos glóbulos vermelhos. Nessas situações, pode haver indicação por uma hemoterapia focada em outros componentes sanguíneos, como o plasma (importante para barrar o efeito de anticoagulantes e repor fluidos, por exemplo), e concentrados com maior número de plaquetas e leucócitos (especialmente importantes em tratamentos oncológicos, que podem levar a uma imunossupressão).

Já quando se refere à remoção do sangue, a hemoterapia não se limita ao cenário mais conhecido de uma doação: ela também engloba a chamada sangria terapêutica, que pode ser necessária diante de problemas como a hemocromatose (excesso de ferro no sangue).

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Auto-hemoterapia não tem base científica

O termo hemoterapia, que se refere a aplicações legítimas na medicina, vem sendo confundido com outra técnica perigosa e sem qualquer base científica: a chamada auto-hemoterapia, que consiste na retirada e reaplicação do próprio sangue da pessoa em si mesma por via intramuscular.

Vendido como uma técnica que supostamente aumentaria a imunidade e ajudaria a prevenir doenças, a auto-hemoterapia não tem indicação de entidades médicas e nem pesquisas robustas que comprovem benefícios. Pelo contrário: ela aumenta o risco de uma série de problemas potencialmente fatais, como infecções, coágulos e reações alérgicas.

Além disso, é importante não confundir a auto-hemoterapia com a autotransfusão de sangue, que tem aplicações válidas. Na autotransfusão, que pode ser feita de forma preventiva antes de uma cirurgia ou até mesmo durante o procedimento operatório, o sangue de uma pessoa é coletado para voltar a ser usado nela mesma, reduzindo a necessidade de doadores externos.

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A diferença fundamental: na autotransfusão, o sangue é filtrado e reinfundido na própria corrente sanguínea, uma técnica comprovadamente segura e que reduz ainda mais os riscos relacionados ao sangue recebido de terceiros. Na auto-hemoterapia, a aplicação é feita dentro dos músculos, um procedimento sem eficácia ou segurança demonstrados cientificamente.

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