Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99

IA na medicina: saiba o que pode (e o que não pode) segundo nova resolução do CFM

Diagnóstico por IA, uso de dados, autonomia do profissional... Entenda o que deve mudar nos consultórios nos próximos meses

Por Chloé Pinheiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 fev 2026, 15h09 | Atualizado em 27 fev 2026, 15h13
tecnologia-na-saude
Relação entre homem e tecnologia está se tornando mais intrínseca  (Freepik/Reprodução)
Continua após publicidade
IA na medicina: saiba o que pode (e o que não pode) segundo nova resolução do CFM Priorizar nos meus resultados Google

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou uma resolução sobre o uso de inteligência artificial (IA) em atendimentos médicos. O texto foi publicado no Diário Oficial da União nesta sexta, 27.

As novas regras passam a valer em 180 dias, e envolvem diversos aspectos do emprego da tecnologia na assistência. Nos últimos anos, houve uma explosão de soluções baseadas em IA para auxílio a diagnósticos, exames, triagem, preenchimento de prontuários, entre outros serviços.

Para juristas, a resolução é bem-vinda e sinaliza um amadurecimento do setor no Brasil. “A Resolução 2454/26 sinaliza maturidade regulatória ao reconhecer o potencial da inteligência artificial sem afastar a responsabilidade do médico na tomada de decisão clínica”, afirma Renato Opice Blum, advogado, economista e professor de direito digital, IA e proteção de dados na FAAP e INSPER.

Entre os destaques dos especialistas, estão a governança, a classificação de riscos e a exigência de supervisão humana contínua. “Um dos pontos centrais é a obrigatoriedade de avaliação preliminar de risco e classificação dos sistemas com base no impacto potencial à saúde do paciente”, diz Henrique Fabretti, CEO do Opice Blum Advogados.

A seguir, entenda o que muda e o que está ou não permitido.

Direitos do médico

Um dos principais destaques do documento é a garantia da autonomia do médico e das instituições médicas. Em resumo, o texto afirma:

Continua após a publicidade
  • Que a IA não pode restringir ou substituir a autoridade do médico;
  • Que a decisão final sobre diagnóstico, prescrições ou qualquer ato médico sempre caberá ao profissional, que pode receber sugestões da IA;
  • Que a autonomia também garante o direito de não usar ou desligar modelos e aplicações de IA que julgar inadequados no momento.

A resolução afirma ainda que o médico tem direito de usar a IA como apoio a sua prática, desde que respeitados os limites éticos e legais da profissão. E que deve ser protegido contra responsabilização indevida quando houver falhas 100% atribuíveis à tecnologia.

+Leia também: Um mergulho na medicina na era da inteligência artificial

Deveres do médico ao usar IA

O profissional também tem que observar regras estabelecidas pelo órgão. Entre as principais, estão:

Continua após a publicidade
  • Exercer julgamento crítico sobre as informações e recomendações fornecidas pela IA;
  • Manter-se atualizado quanto às capacidades, limitações, riscos e vieses conhecidos dos sistemas utilizados;
  • Usar IAs que atendam às normas éticas, técnicas, legais e regulatórias vigentes no território nacional;
  • Registrar no prontuário do paciente o uso de IAs.

Cabe a ela também assegurar que a IA não comprometa a relação médico-paciente, ou seja: não prejudique a escuta, a empatia e a confidencialidade.

O que você precisa saber antes da próxima consulta

O CFM também garante direitos a quem está do outro lado da mesa do consultório. “Outro destaque é a transparência, uma vez que o paciente deve ser informado de que seu tratamento pode estar sendo impactado por IA e de que forma isso ocorre”, aponta Fabretti.

Ou seja, o médico precisa comunicar de forma clara e acessível se estiver usando qualquer tecnologia, e também deve zelar pela segurança dos dados do paciente, visto que as informações sobre saúde são muito sensíveis e vulneráveis a golpes.

Continua após a publicidade

O indivíduo também não pode receber, nunca, diagnósticos feitos e/ou entregues por uma IA.

A fiscalização do uso

O CFM determina que as instituições de saúde devem monitorar constamente o uso de ferramentas de IA, incluindo auditorias para identificar erros, desvios ou vieses.

A profundidade dessa fiscalização deve levar em conta o grau de risco que a solução oferece aos pacientes. Para isso, a autarquia criou 4 graus de classificação:

  •  Risco baixo: tendem a causar no máximo atrasos ou inconvenientes. Exemplos: funções administrativas, gestão de insumos, chatbots de informações generalizadas sobre saúde;
  • Risco médio: aplicações com potencial de impacto negativo, mas contornável com controles de segurança e supervisão humana. Exemplos: software de apoio à decisões clínicas ou operacionais que não operam de forma autônoma;
  • Risco alto: ferramentas que podem gerar dano físico, psíquico ou moral. São qualquer programa que execute decisões médicas críticas ou ações de forma automatizada.
  • Risco inaceitável: o CFM não detalhou o que se enquadraria nessa categoria.
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Mulher branca de rabo de cavalo e top preto sorrindo enquanto corre ao lado de um homem negro de camiseta cinza, ambos em um dia ensolarado. O texto No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa aparece em destaque, com cuide do que importa em um fundo verde-água. O logo veja SAÚDE está no canto superior esquerdoMulher e homem sorrindo, correndo ao ar livre em um dia ensolarado. Ela veste top e calça preta, ele camiseta branca e cinza. Texto: No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa. Logotipo Veja Saúde
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 67% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).