Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99

Saiba como funciona fábrica de mosquitos que rendeu reconhecimento a cientista brasileiro

Luciano Moreira está no top 10 cientistas de 2025 da revista Nature. Ele criou fábrica de mosquitos que ajudam a combater dengue e outros vírus

Por Valentina Bressan 9 dez 2025, 11h43 | Atualizado em 5 jun 2026, 06h42
Homem de cabelos grisalhos e termo em frente aum microfone. Ao fundo, painel diz: "Wolbito protegendo a população da dengue, zika e chikungunya"
Luciano Moreira na inauguração da Wolbito do Brasil. Revista Nature considerou ele um dos cientistas mais influentes do ano (Wolbito do Brasil/Reprodução)
Continua após publicidade
Saiba como funciona fábrica de mosquitos que rendeu reconhecimento a cientista brasileiro Priorizar nos meus resultados Google

Aplicar inseticidas, remover a água parada, conferir locais onde o mosquito pode se proliferar: todas essas são maneiras de combater a dengue. Mas o cientista Luciano Moreira descobriu outra forma de barrar a transmissão da doença, usando os próprios mosquitos Aedes aegypti.

A descoberta e sua eficácia renderam uma menção na recém-divulgada lista de 10 cientistas mais influentes de 2025 na revista Nature. 

Chamada de “método Wolbachia”, a técnica usa as bactérias de mesmo nome. O engenheiro agrônomo e entomologista estuda essas bactérias há mais de uma década. Em um artigo de 2009, ele já demonstrava como mosquitos infectados pela Wolbachia têm menos chances de contrair dengue e, portanto, de transmiti-la para os humanos. 

+Leia também: Vacina do Butantan contra a dengue: como funciona e quando deve estar disponível

Continua após a publicidade

Como o método funciona?

A técnica desenvolvida por Moreira não mata os mosquitos, mas faz com que os insetos circulem sem transmitir doenças como a dengue, a zika e o chikungunya para humanos. Uma vez que são liberados no ambiente, os mosquitos se reproduzem já com a bactéria.  

Assim, novas gerações de mosquitos já nascem infectados e, portanto, incapazes de passar os vírus adiante. A ciência sabe o efeito, mas ainda não entende exatamente por que ele ocorre. 

Presente em várias espécies de insetos, a Wolbachia pode ajudar o mosquito a produzir proteínas antivirais, que combatem os vírus – essa é uma das hipóteses. A bactéria também pode competir com o vírus por recursos. Por enquanto, os cientistas não sabem qual dessas vias garante a proteção do mosquito – e, por consequência, da população. Mas a estratégia funciona. 

Continua após a publicidade

O recurso mostrou o mesmo efeito com outros vírus. Isso significa que, ao infectar o Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, diminuem as chances do inseto contrair – e transmitir – os vírus da dengue, do zika e do chikungunya.

Um estudo publicado na revista The Lancet neste ano apontou para uma redução média de 63% dos casos de dengue nas regiões onde o mosquito infectado com a Wolbachia estava presente.

Quem é Luciano Moreira 

Em julho, Luciano Moreira inaugurou a Wolbito do Brasil, a maior biofábrica do mundo de

Continua após a publicidade

Aedes aegypti infectados com Wolbachia. A fábrica tem a parceria da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o World Mosquito Program.

O pesquisador já estudava controle biológico de pragas na graduação. Depois do doutorado, ele desenvolveu uma pesquisa de pós-doutorado nos Estados Humanos, e começou a investigar como bloquear a transmissão da malária usando os mosquitos.

Em 2008, fez outro pós-doutorado na Austrália, no laboratório do entomologista Scott O’Neill na Universidade de Melbourne. Lá, eles já pesquisavam a possibilidade de infectar o Aedes aegypti com a Wolbachia

Continua após a publicidade

De volta ao Brasil, Moreira foi trabalhar na Fiocruz e começou a testar o método, de forma manual. Conseguiu resultados positivos, que convenceram políticos a implementar o projeto: em Niterói, a incidência de dengue reduziu em 89% depois que os mosquitos com a bactéria foram introduzidos na cidade. 

Hoje, a fábrica produz milhões de ovos do mosquito infectado por semana. Quando se desenvolvem, os mosquitos são soltos nas cidades. 

O método é reconhecido pelo governo federal como uma medida de saúde pública para combater a dengue. O Ministério da Saúde está ampliando o uso dos “wolbitos” em mais cidades.

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Mulher branca de rabo de cavalo e top preto sorrindo enquanto corre ao lado de um homem negro de camiseta cinza, ambos em um dia ensolarado. O texto No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa aparece em destaque, com cuide do que importa em um fundo verde-água. O logo veja SAÚDE está no canto superior esquerdoMulher e homem sorrindo, correndo ao ar livre em um dia ensolarado. Ela veste top e calça preta, ele camiseta branca e cinza. Texto: No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa. Logotipo Veja Saúde
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 67% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).