Michael Patrick: entenda a doença que causou morte do ator de Game of Thrones
Ator convivia há três anos com diagnóstico de doença do neurônio motor, condição incurável que leva a uma perda progressiva das funções musculares
O ator norte-irlandês Michael Patrick, nome artístico de Michael Campbell, teve a morte confirmada pela família nesta semana. Ele faleceu na terça (7), aos 35 anos, pouco mais de três anos após o diagnóstico de uma condição neurodegenerativa incurável.
Mais conhecido no Brasil por ter participado de um episódio da série Game of Thrones, Patrick enfrentava uma das chamadas doenças do neurônio motor (DNM), embora a condição específica enfrentada pelo ator e dramaturgo não tenha sido divulgada.
Conheça mais sobre o quadro.
O que é a DNM? Como ela surge?
A doença do neurônio motor é um termo guarda-chuva para uma série de condições que destroem progressivamente as células nervosas que atuam no movimento. A mais conhecida delas é a esclerose lateral amiotrófica (ELA), que recentemente vitimou o também ator Eric Dane, mais famoso por seu papel em Grey’s Anatomy.
Além de distúrbios perceptíveis nos membros, que levam a alterações na marcha (progredindo até exigir uso de cadeira de rodas) e na capacidade de segurar objetos, o paciente acometido pela DNM gradativamente perde o controle muscular sobre outras funções, como a fala, a deglutição e a respiração – estágio em que a doença costuma evoluir a óbito.
Sem cura, a DNM pode ter origem genética hereditária, mas muitos casos não têm uma causa definida. Os principais fatores de risco são o próprio histórico familiar, não só de doenças do neurônio motor, mas também de outras condições neurodegenerativas, com destaque para a demência frontotemporal. Ela é mais comum após os 50 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade.
Alguns medicamentos e fisioterapia podem melhorar a qualidade de vida enquanto os sintomas progridem, mas ainda não existe forma de curar ou frear a doença.
Trabalho premiado conscientizou sobre a doença
Michael Patrick ganhou fama global pela sua curta participação em Game of Thrones, mas, no Reino Unido, era conhecido por uma carreira bem-sucedida nos palcos.
Em um de seus últimos trabalhos públicos, no começo de 2025, estrelou uma obra que ajudou a conscientizar sobre a DNM: já sofrendo com a doença e usando cadeira de rodas, ele realizou a adaptação de Ricardo III, de William Shakespeare, interpretando o personagem do título.
Na tragédia original, o rei tem uma “deformidade física” não definida. Na adaptação de Patrick, Ricardo III tem um problema semelhante ao ator: a certa altura, recebe a notícia de uma doença terminal que, além de não ter cura, vai piorar progressivamente.
O trabalho chamou atenção para a própria situação enfrentada pelo artista e foi aclamado pela crítica britânica, rendendo-lhe o troféu do júri no The Stage Awards, uma das mais prestigiosas premiações para obras teatrais no país.







