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O que é acinetobacter? Superbactéria perigosa é encontrada em água de Porto Alegre

Bactéria é ligada a surto em UTI neonatal na cidade e tem resistência a múltiplos antibióticos; OMS alerta para riscos do patógeno

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 Maio 2026, 17h29
Imagem microscópica da bactéria Acinetobacter baumannii.
Acinetobacter baumannii é uma das prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) (CDC/Reprodução)
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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificaram a presença da bactéria Acinetobacter baumannii nas águas de quatro pontos da cidade de Porto Alegre.

O tipo de patógeno é o mesmo envolvido em um surto que levou ao fechamento da UTI neonatal de um hospital da capital gaúcha em abril.

Segundo os cientistas do projeto ClimaRes WaSH, da UFRGS, uma das amostras isoladas se mostrou multirresistente, isto é, imune a todos os antimicrobianos testados pelos pesquisadores.

Agora, o projeto ainda irá investigar melhor a resistência do patógeno e avaliar a sua possível relação com o surto hospitalar de abril, que resultou na morte de um bebê prematuro.

+Leia também: Superbactérias: o que você pode fazer para combater o problema de saúde global?

O que é Acinetobacter baumannii?

Acinetobacter baumanii é uma bactéria disseminada no ambiente, tanto na água como em vegetais em decomposição”, explica o infectologista Renato Grinbaum, conselheiro da Sociedade Brasileiro de Infectologia (SBI).

Ela é quase onipresente e, por isso, convivemos com esse patógeno bem mais do que imaginamos. “Todos nós, em alguns momentos da vida, teremos contato com ela”, comenta o médico.

Na maioria das vezes, esbarrar nesse micróbio não traz riscos para pessoas saudáveis, porque o organismo consegue controlar e combatê-lo sem dificuldade.

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Por outro lado, ela é uma das principais responsáveis por infecções hospitalares, onde os riscos triplicam. É que, ao adentrar unidades de saúde, especialmente em UTIs, a A. baumanii pode causar infecções graves.

Nesses locais, há pacientes mais frágeis, com imunidade comprometida, usando respiradores, cateteres e outros dispositivos invasivos.  E, em tais condições, a bactéria pode entrar no organismo e provocar quadros como pneumonia, infecção sanguínea e infecção urinária.

É aí que entra, também, uma característica da Acinetobacter que preocupa muito os médicos: ela consegue desenvolver resistência a praticamente todos os antibióticos normalmente utilizados, o que dificulta o tratamento.

Por isso, ela faz parte do grupo das chamadas “superbactérias”, também classificadas como enterobactérias resistentes a carbapenêmicos (CRE), antibióticos poderosos, considerados os últimos recursos terapêuticos contra infecções.

E é por essa razão que Grinbaum distingue: encontrar a bactéria no ambiente ou na água, como nos achados da UFGRS, não significa necessariamente um perigo para a população geral. Mas há grandes riscos quando ela circula dentro de hospitais e alcança pacientes vulneráveis.

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O problema dos hospitais

O Acinetobacter baumannii é um dos patógenos mais temidos no ambiente hospitalar (e com boas razões). Isso porque ele consegue colonizar com facilidade traqueostomias, ventiladores mecânicos e outros equipamentos de saúde.

Por isso, está frequentemente associado a pneumonias graves em pacientes entubados, infecções de feridas cirúrgicas ou traumáticas e abscessos em pulmão, pele e tecidos moles.

A OMS classifica o A. baumannii como ameaça prioritária à saúde pública. No mundo, entre as diversas espécies do gênero Acinetobacter, a baumannii, encontrada em Porto Alegre, é responsável por cerca de 80% das infecções hospitalares e sua taxa de letalidade pode chegar a 70% dos casos.

E o problema não é fácil de sanar. Segundo Grinbaum, esse micro-organismo foi detectado pela primeira vez no Brasil nos anos 1990 e, desde então, segue presente nos ambientes hospitalares.

“Essa bactéria já está nos hospitais do Brasil há mais de trinta anos. Ela povoa este ambiente. E não existe nenhum recurso disponível para eliminá-la. Ela já é um problema sério nos hospitais”, lamenta.

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Como ela se espalha

Comumente, a pele dos profissionais de saúde é o meio de transmissão, aumentando a probabilidade de pacientes e equipamentos médicos serem contaminados.

O contágio também ocorre por contato com superfícies contaminadas e equipamentos médicos mal higienizados; além de contato mão-a-mão.

Esse conjunto de rotas torna o controle difícil em ambientes de alta rotatividade. Fora isso, a bactéria se adapta bem ao ambiente hospitalar, resiste a muitos desinfetantes e sobrevive por longos períodos em superfícies.

Sinais e sintomas

Como visto, os sinais são vastos. A Acinetobacter baumannii pode causar infecções no sangue, trato urinário, pulmões (pneumonia) ou feridas. 

Mas, em alguns casos, as pessoas podem ser portadoras da bactéria sem serem infectadas, um fenômeno conhecido como colonização (quando elas se multiplicam na superfície do corpo, mas sem causar sintomas).

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Prevenção

A prevenção do Acinetobacter baumannii depende de uma cadeia de cuidados. A principal medida é sempre lavar as mãos, especialmente antes e depois de cuidar de feridas ou tocar em dispositivos médicos como sondas e cateteres.

Para profissionais de saúde, é importante o seguimento das práticas básicas de controle de infecção, que incluem incluem higiene das mãos, uso adequado de equipamentos de proteção, isolamento de pacientes infectados e limpeza criteriosa de superfícies e instrumentos.

 

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