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O que é o esporão de calcâneo e como se livrar dele?

Esse problema é uma verdadeira pedra no sapato de muita gente. Entenda como ele se forma e aprenda as melhores formas de tratá-lo

Por Chloé Pinheiro (texto), Laura Luduvig (design) e Rodrigo Damati (ilustração) 19 mar 2026, 14h00 | Atualizado em 24 mar 2026, 14h36
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Esporão provoca dores que lembram agulhadas na região do calcanhar (Foto: VladimirFLoyd/Getty Images e Rodrigo Damati (ilustração)/Veja Saúde)
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Você acorda de uma boa noite de sono, se prepara para sair da cama, e no primeiro toque do pé no chão: ai! Uma dor lancinante, que lembra uma agulhada, surge na sola do pé, na região do calcanhar.

Essa é uma descrição clássica dos acometidos pelo esporão de calcâneo, uma deformação óssea associada a uma inflamação que pode ser bem incômoda.

A seguir, entenda como ele surge, por que dói e como é feito o tratamento.

Por que o esporão acontece?

1. O despertar
O esporão de calcâneo se forma quando a região do calcanhar, que sustenta boa parte do peso do corpo, sofre tensão constante, seja por sobrecarga, seja por movimentos repetidos. Nesse cenário, a fáscia plantar — rede de tendões, como o de aquiles, ligamentos e outros tecidos que compõem o arco do pé — costuma ser atingida. É aí que começa o enrosco.

2. O bico
A pressão desencadeia um processo inflamatório na região, que não necessariamente gera sintomas. Uma de suas consequências é a calcificação da área. Ou seja, o cálcio passa a se acumular ali e, assim, se forma um pequeno crescimento ósseo na região inferior ou posterior do calcanhar. É como um “bico” de osso.

3. A dor
Esse processo é gradual e lento — portanto, nem sempre o esporão dói. O incômodo surge quando há uma inflamação ativa e significativa. A dor, que lembra uma agulhada, costuma ocorrer de manhã ou nas primeiras pisadas após um longo tempo parado, e arrefece depois de um tempo. Há ainda quem relate inchaço e sensação de queimação.

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Clique na imagem para ampliar (Infográfico: Chloé Pinheiro (texto), Laura Luduvig (design), Rodrigo Damati (ilustração) e Foto: VladimirFLoyd/Getty Images/Veja Saúde)

+Leia também: O guia dos pés saudáveis (e sem dor)

O tratamento do esporão

Pacote básico
Os médicos começam com uma abordagem conservadora: gelo, repouso, mudança de calçado, palmilhas de silicone, medicamentos anti-inflamatórios, alongamentos, fisioterapia com exercícios específicos, manipulação e fortalecimento ajudam bastante. Na maioria dos casos, o combo é o suficiente para trazer alívio.

Outras intervenções
Se nada resolver, os ortopedistas partem para a cirurgia, reservada a casos mais raros, quando as outras abordagens falham. Há duas intervenções possíveis: a liberação da fáscia plantar, operação que realiza um pequeno corte no tecido para remover ou liberar a porção inflamada, e a remoção do bico ósseo, por endoscopia ou cirurgia aberta.

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Clique na imagem para ampliar (Rodrigo Damati (ilustração)/Veja Saúde)
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O que causa o esporão?

A principal razão para o surgimento do esporão é a sobrecarga, que pode acontecer por vários motivos. Veja alguns abaixo:

  • Calçado: o uso constante de salto alto pode elevar a tensão na região. Sapatos muito planos e finos, como chinelos, também não ajudam;
  • Treino: o problema é o aumento repentino de carga ou intensidade na corrida ou na caminhada, além de exagero na frequência;
  • Balança: tanto o aumento quanto a perda súbita de peso podem desestabilizar a região da fáscia e causar problemas ali;
  • Anatomia: encurtamentos musculares da fáscia ou da panturrilha aumentam a tração sobre o calcâneo e, portanto, a sobrecarga;
  • Posição: ficar muito em pé não causa o esporão por si só, mas facilita o surgimento caso haja algum outro fator de risco associado.

Esporão e fascite: qual a diferença?

As duas condições costumam aparecer juntas e causar confusão. A fascite plantar é a inflamação da fáscia, o tecido que sustenta o pé, destacado na ilustração acima.

Ela surge pela sobrecarga, e é considerada uma precursora do esporão, que é o tal bico do osso. Geralmente, é a fascite, e não a alteração óssea, a causa da dor.

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Identificá-la (e tratá-la), por sua vez, ajuda a reduzir o risco de a calcificação surgir. Outras encrencas podem desencadear sintomas parecidos, como pequenas fraturas e condições articulares como a artrose do tornozelo, o desgaste crônico dessa junta.

É preciso fazer a diferenciação com o médico para garantir o tratamento mais adequado.

Fonte: André Pedrinelli, ortopedista, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot)

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