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Por que a nova insulina disponível no SUS é considerada um avanço

Análogo de insulina glargina mantém níveis mais estáveis ao longo do dia e permite menos aplicações, o que pode melhorar a adesão ao tratamento

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein* 3 abr 2026, 10h00
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Insulina glargina facilita a vida de quem tem diabetes (stefamerpik/Freepik)
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No início de fevereiro, o Ministério da Saúde iniciou o que é considerado um avanço no tratamento do diabetes: a transição do uso da insulina humana NPH para a glargina no Sistema Único de Saúde (SUS).

A principal diferença está no funcionamento do medicamento: desenvolvido para liberação lenta e contínua, ele mantém níveis de glicose mais estáveis ao longo do dia e pode favorecer a adesão ao tratamento.

Enquanto a insulina humana NPH costuma agir por cerca de oito horas, exigindo reaplicações ao longo do dia, a glargina pode ser administrada apenas uma vez ao dia. “Ela foi desenvolvida para ter uma duração média de 18 a 24 horas no organismo. Isso faz com que permaneça mais tempo no corpo e facilite o uso por quem precisa aplicá-la”, explica o endocrinologista Gustavo Daher, do Einstein Hospital Israelita.

+Leia também: Anvisa aprova insulina semanal: o que muda para quem tem diabetes?

Como funciona a insulina glargina

Diferentemente da insulina tradicional, disponível há décadas na rede pública, a nova versão permite um controle glicêmico contínuo. Esse efeito é possível por causa de mudanças na própria estrutura da molécula: a glargina forma microcristais no tecido subcutâneo após a aplicação, o que faz com que a insulina seja liberada aos poucos na circulação.

Outra vantagem é a ausência de picos de ação. “Ela começa a agir dentro de uma ou duas horas e não é disponibilizada pelo organismo de uma só vez”, detalha Daher. Essa característica tem impacto direto na segurança do tratamento. Picos elevados de insulina podem levar a episódios de hipoglicemia, que acontecem quando os níveis de açúcar no sangue caem demais.

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Os principais beneficiados são pacientes que dependem do uso contínuo de insulina. Isso inclui todas as pessoas com diabetes tipo 1, em que o organismo praticamente não produz o hormônio, e parte dos pacientes com diabetes tipo 2, que podem desenvolver deficiência progressiva na produção da substância. “Cerca de 30% a 40% das pessoas com diabetes acabam usando insulina em algum momento”, destaca o endocrinologista.

Avanço no SUS amplia acesso ao tratamento

A introdução de análogos de insulina na rede pública é considerada um avanço, já que pode ajudar mais pacientes a atingir as metas de controle glicêmico. “A inclusão no SUS traz benefícios palpáveis, como menos pacientes fora da meta de controle, menor risco de hipoglicemia e potencial aumento da adesão ao tratamento”, avalia Gustavo Daher.

O custo médio da insulina glargina varia entre R$ 70 e R$ 150 por caneta, dependendo se é o medicamento de referência ou genérico. Há pacientes que usam duas por mês.

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A mudança começou por um projeto-piloto nos estados de Amapá, Paraná, Paraíba e no Distrito Federal. Nessa primeira etapa, serão contemplados crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. O Ministério da Saúde estima que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas inicialmente.

Profissionais da atenção primária estão recebendo treinamento para orientar pacientes sobre o uso correto do medicamento e das canetas aplicadoras. Após a avaliação do projeto-piloto, a expectativa é ampliar gradualmente o uso da nova insulina para outros estados.

No Brasil, o diabetes é um problema de saúde pública. Estimativas indicam que entre 10% e 15% da população convive com a doença. No entanto, o número real pode ser ainda maior. “Existe uma estimativa mundial de que cerca de 50% das pessoas com diabetes não têm diagnóstico, o que poderia praticamente dobrar esses números”, alerta o médico do Einstein.

Fonte: Agência Einstein

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