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Qual é a idade do seu coração? Saiba que ela pode ser diferente da sua idade real

Ele pode ser "mais velho" ou "mais jovem" do que você. A chamada idade cardiovascular reflete o impacto de hábitos e ajuda a prever risco de infarto e AVC

Por Carlos Alberto Pastore, cardiologista, via Brazil Health* 16 jun 2026, 16h15
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Hábitos saudáveis podem diminuir o risco de problemas cardiovasculares; saiba o que indica a ciência para evitar complicações (Issarawat Tattong/Getty Images | Ilustração: Laura Luduvig/Estúdio Tigre/Veja Saúde)
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A idade cronológica marca os anos de vida. Já a idade cardiovascular indica como estão suas artérias e o funcionamento do sistema circulatório. Duas pessoas com a mesma idade podem ter riscos muito diferentes, dependendo de pressão arterial, colesterol, glicemia, tabagismo, peso e estilo de vida.

Esse conceito ganhou espaço porque traduz o risco de forma mais concreta. Em vez de números isolados, ele mostra o efeito acumulado desses fatores no organismo.

Idade cronológica vs idade cardiovascular

Pressão alta não controlada, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e tabagismo aceleram o envelhecimento das artérias. Esse processo envolve inflamação, rigidez vascular e formação de placas de gordura.

Por outro lado, hábitos saudáveis – atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado e controle do estresse – ajudam a preservar a função vascular e podem “manter o coração jovem” por mais tempo.

A genética também influencia, mas não determina o resultado final. O estilo de vida tem papel decisivo nessa equação.

+Leia também: Com o coração nas nossas mãos: aprenda a cuidar melhor dele

Como estimar a idade do coração

Na prática clínica, não existe um único exame que mostre a “idade exata” do coração. O que se utiliza são escores de risco cardiovascular, que combinam dados como idade, pressão, colesterol, histórico familiar, presença de diabetes e tabagismo.

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Essas ferramentas permitem estimar o risco de eventos como infarto e AVC nos próximos anos – e, a partir disso, inferir se o perfil cardiovascular está compatível, melhor ou pior do que o esperado para a idade.

Exames complementares, como avaliação da função cardíaca, testes de esforço e, em alguns casos, exames de imagem das artérias, podem refinar essa análise.

Estudos sobre envelhecimento cardiovascular mostram que estresse crônico, desgaste emocional e condições sociais desfavoráveis podem produzir alterações biológicas mensuráveis no funcionamento do coração.

O artigo Deep neural network-estimated electrocardiographic age as a mortality predictor, publicado na revista Nature Communications, utilizou inteligência artificial para analisar milhões de eletrocardiogramas e identificar alterações sutis na atividade elétrica cardíaca associadas ao envelhecimento cardiovascular.

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O sistema conseguiu estimar uma espécie de “idade biológica” do coração, diferente da idade cronológica da pessoa. Os resultados mostraram que indivíduos cujo coração aparentava ser biologicamente mais envelhecido apresentavam maior risco de morte e de eventos cardiovasculares, inclusive em casos nos quais o eletrocardiograma era considerado normal pelos critérios tradicionais.

A pesquisa Using artificial intelligence to calculate the heart’s biological age through ECG data predicts increased risk of mortality and cardiovascular events, apresentada no EHRA 2025 da Sociedade Europeia de Cardiologia encontrou resultados semelhantes, sugerindo que pequenas alterações elétricas cardíacas detectadas por inteligência artificial podem refletir processos precoces de envelhecimento cardiovascular.

Solidão, estresse e desgaste emocional também envelhecem o coração

O envelhecimento cardiovascular não depende apenas de colesterol ou pressão arterial. Hoje sabemos que estresse crônico, sofrimento emocional persistente, privação de sono e isolamento social também provocam respostas biológicas capazes de acelerar o desgaste cardiovascular.

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Por exemplo, a solidão está associada a aumento da atividade do sistema nervoso simpático, maior pressão arterial, pior regulação inflamatória e redução da variabilidade da frequência cardíaca, um marcador importante da adaptação do organismo ao estresse.

Estudos populacionais mostram que pessoas socialmente isoladas apresentam maior risco de infarto, AVC e mortalidade cardiovascular, mesmo quando outros fatores clínicos parecem controlados.

Isso reforça a ideia de que cuidar do coração também tem relação com a construção de vínculos, suporte emocional e qualidade de vida.

É possível “rejuvenescer” o coração?

A boa notícia é que a idade cardiovascular não é fixa. Ela pode ser modificada com mudanças consistentes ao longo do tempo.

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Controlar a pressão arterial, reduzir o colesterol, tratar o diabetes, parar de fumar e manter um estilo de vida ativo têm impacto direto na redução do risco cardiovascular.

Em alguns casos, medicamentos também são necessários para atingir metas de segurança e proteger o sistema cardiovascular.

O ponto central é que pequenas decisões diárias, repetidas ao longo dos anos, moldam o estado das artérias. O envelhecimento do coração não depende apenas do tempo – depende de como se vive.

Entender isso transforma a prevenção. Porque mais do que contar anos, o objetivo é cuidar da qualidade do caminho.

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Carlos Alberto Pastore é cardiologista, doutor e livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro da Brazil Health 

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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