Bolsonaro: entenda as alterações renais e se há relação com a broncopneumonia
Problemas de saúde que afetam ex-presidente acontecem em órgãos diferentes, mas podem estar associados
O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, onde trata uma broncopneumonia acompanhada de acometimento nos rins. No boletim médico mais recente, divulgado nesta segunda-feira (16), o político apresentou recuperação na função renal e melhora nos marcadores inflamatórios, mas segue sem previsão de alta.
Embora os pulmões e os rins pareçam órgãos distantes, os dois problemas de saúde enfrentados por Bolsonaro estão relacionados. Entenda melhor como a broncopneumonia pode provocar alterações renais.
Broncopneumonia e função renal: o que tem a ver?
Uma broncopneumonia, como a enfrentada pelo ex-presidente, é caracterizada por um processo inflamatório mais disseminado do que uma simples pneumonia, e costuma afetar diferentes estruturas pulmonares simultaneamente, como os brônquios e os alvéolos.
Ocasionada por uma infecção bacteriana, a doença de Bolsonaro pode desencadear uma resposta inflamatória que afeta outras partes do corpo. Não à toa, marcadores inflamatórios do ex-presidente têm sido medidos diariamente.
Exames típicos para acompanhar esses quadros costumam ser feitos com amostras de sangue, avaliando indicadores como a proteína C reativa (PCR), a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a ferritina, entre outros.
Nesse contexto de inflamação sistêmica, os rins costumam estar entre as estruturas mais ameaçadas. Quadros graves que exigem internação em UTI, como o de Bolsonaro, podem inclusive ocasionar lesões renais agudas, que fazem a função dos rins piorar rapidamente.
Para avaliar a saúde dos rins, pode haver medição de marcadores como os níveis de creatinina e ureia, além da taxa de filtração glomerular (TFG), que indicam como esses órgãos estão atuando para filtrar as impurezas do sangue.
Vale dizer que em idosos, como o sistema imune não funciona tão bem, esse efeito em outros órgãos pode ser ainda mais sentido.
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Como é o tratamento de Bolsonaro
Bolsonaro enfrenta uma broncopneumonia de origem bacteriana, o que exige o uso de antibióticos endovenosos para combater o agente causador da doença. Em paralelo a isso, o político também está sendo submetido a procedimentos de fisioterapia respiratória e motora, recebendo oxigênio por cateter nasal e seguindo uma dieta pastosa.
Segundo as informações disponibilizadas publicamente até o momento, o ex-presidente não vem realizando um tratamento específico para as complicações renais. A melhora nos marcadores de função dos rins e de inflamação pode ser atribuída a uma boa resposta aos antibióticos, que ajudam a aliviar a infecção e seus impactos inflamatórios.
Em casos graves, quando a função renal piora ainda mais, um paciente na situação de Bolsonaro pode precisar recorrer a técnicas como a hemodiálise. Entretanto, não foi informada essa necessidade no quadro do ex-presidente, que permanecia estável até a última atualização deste texto.





