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Somp: o que é, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e o tratamento

A antiga síndrome dos ovários policísticos mudou de nome. Entenda a alteração e como ela amplia a visão sobre diagnóstico e tratamento da condição

Por Larissa Beani Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jun 2026, 14h53 | Atualizado em 30 jun 2026, 11h17
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Estudo propõe nova classificação da síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Menshalena/Getty Images)
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Cerca de 170 milhões de mulheres em todo o mundo vivem com a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Somp), novo nome da síndrome dos ovários policísticos.

A mudança de nomenclatura foi anunciada em maio de 2026, quando um consórcio internacional de médicos e cientistas publicou no renomado periódico The Lancet um artigo justificando a decisão, que foi tomada após mais de uma década de discussões no ambiente acadêmico.

A denominação antiga era errônea porque focava apenas nos chamados cistos, que, na verdade, são folículos com crescimento interrompido”, argumenta a endocrinologista Poli Mara Spritzer, que participou das discussões e da decisão como representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). “Além disso, algumas mulheres com o diagnóstico nem apresentam esse aspecto nos ovários”.

O novo nome evidencia outros sinais e condições de saúde associados à síndrome, que vão muito além da aparência dos ovários. A seguir, entenda como a Somp é diagnosticada, como se manifesta e quais são os tratamentos disponíveis hoje para ela.

+ Leia também: Síndrome dos ovários policísticos muda de nome — perigos vão além dos cistos

Diagnóstico

Para definir se uma mulher tem Somp, ela precisa apresentar ao menos dois de três dos chamados critérios de Rotterdam. São eles:

  • A irregularidade menstrual;
  • O aumento de hormônios masculinos;
  • A presença de “cistos” nos ovários.
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Ou seja, mesmo mulheres que não tenham ovários com aspecto policístico podem ser diagnosticadas com Somp — o que explica a recente mudança de nome.

Para fechar o diagnóstico, são realizados exames de imagem — como o ultrassom transvaginal ou pélvico — para a identificação dos folículos imaturos nos ovários, além de dosagem de hormônios — como o folículo-estimulante (FSH), o luteinizante (LH), a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) e a testosterona.

“Quando a paciente está na adolescência, são levados em consideração para o diagnóstico apenas a presença de sintomas de hiperandrogenismo (como acne e excesso de pelos grossos) e a ausência ou irregularidade menstrual“, afirma a ginecologista Mariana Granado, do Hospital Municipal M’Boi Mirim, em São Paulo, gerido pelo Einstein Hospital Israelita.

Nessa faixa etária, os exames de imagem são dispensados, porque, entre as jovens, é comum que os ovários estejam mais estimulados a produzir folículos, o que podem levar a “falsos-positivos” para condição.

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Sintomas e complicações

Os sinais relatados pela paciente em consultório são também um ponto importante para fechar o diagnóstico. Em geral, as mulheres com Somp podem apresentar:

  • Menstruações irregulares ou ausentes (amenorreia);
  • Infertilidade;
  • Acne (excesso de espinhas);
  • Alopecia androgenética (perda de cabelo excessiva);
  • Hirsutismo (crescimento de pelos grossos em regiões tipicamente masculinas, como buço, queixo, tórax e abdômen);
  • Ganho de peso.

A Somp também está relacionada a uma série de problemas endocrinológicos e metabólicos, como:

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“Isso acontece porque o desequilíbrio dos hormônios sexuais também descompensa o metabolismo de outros hormônios e enzimas do nosso corpo, elevando o risco de acúmulo de gorduras e diminuindo a resposta à insulina”, explica a endocrinologista Fabíola Satler, pesquisadora do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. 

+ Leia também: De acne a infertilidade: 5 doenças associadas à síndrome do ovário policístico

Causas

As causas exatas da síndrome são desconhecidas, mas sabe-se que a Somp pode ser influenciada por uma série de fatores genéticos, hormonais, metabólicos e ambientais.

“Alterações no eixo hipotálamo-hipófise, que coordenam a produção de hormônios pelos ovários e outras glândulas, resistência à insulina e hiperandrogenismo (excesso de produção de testosterona) são considerados os principais ‘motores’ da Somp“, lista Spritzer.

Tratamento

A síndrome ovariana metabólica poliendócrina não tem cura, mas há formas de controlar todas as manifestações associadas à condição.

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Pílulas contraceptivas podem ser receitadas para ajudar a diminuir os níveis de hormônios masculinos e “simular” o ciclo menstrual.

“Além de evitarem gravidez entre as pacientes que não querem ter filhos, eles também ajudam a evitar o espessamento do endométrio, induzindo um sangramento regular — que não é propriamente a menstruação, pois não há ovulação com o uso desses medicamentos”, esclarece a ginecologista Mariana Granado.

O uso de metformina pode ser indicado para pacientes com Somp e resistência à insulina ou diabetes tipo 2. Para aquelas que tem problemas relacionados a fertilidade e estão tentando ter filhos, são indicados indutores de ovulação, como etrozol ou clomifeno, por exemplo.

A prática de atividade física e a adoção de uma alimentação saudável também são peças-chaves para ajudar o corpo a regularizar o metabolismo e combater o excesso de peso, colesterol alto, resistência à insulina e outros problemas comumente relacionados à Somp.

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