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Vacina da Johnson & Johnson contra Covid-19: as vantagens e desvantagens

Segundo comunicado da empresa, essa vacina para o coronavírus tem eficácia de 66% e só precisa de uma dose. Veja o que ela agrega — e suas limitações

Por Maria Tereza Santos 4 fev 2021, 15h53 | Atualizado em 12 mar 2021, 12h17
Desenho de vacina para coronavírus da Johnson
A vacina da Johnson & Johnson se uniu a outras com resultados positivos frente à Covid-19. (Ilustração: André Moscatelli/SAÚDE é Vital)
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A Johnson & Johnson anunciou, em comunicado à imprensa, os resultados preliminares da fase três do estudo da sua vacina contra o coronavírus (Sars-CoV-2). A pesquisa foi realizada em oito países — incluindo o Brasil — e chegou à eficácia de 66% na prevenção casos moderados a graves de Covid-19. Detalhe: o imunizante só precisa de uma dose.

Como a análise aconteceu em várias nações, a empresa destrinchou resultados isolados de cada região. Nos Estados Unidos, a eficácia foi de 72%, na América Latina (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru), 66%, e na África do Sul, 57%. Os testes contam com a participação de 43 783 voluntários.

A vacina usa uma tecnologia de vetor viral não replicante. Funciona assim: os cientistas modificam um adenovírus para que perca sua capacidade de replicação. Com isso, ele não é capaz nem de gerar um resfriado. Aí, colocam parte do material genético do Sars-CoV-2 nele. Ao entrar no organismo, esse composto induz nosso sistema imunológico a produzir anticorpos contra o coronavírus, sem o risco de gerar a Covid-19.

Essa é a mesma estratégia usada pelo imunizante da AstraZeneca e da Universidade de Oxford. “Só que essa usa um adenovírus de chimpanzé. A da Johnson conta com um adenovírus humano que não é muito comum”, diferencia a epidemiologista Denise Garrett, vice-diretora do Sabin Vaccine Institute, nos Estados Unidos.

Mas quais são os prós desse imunizante em comparação com os que já foram aprovados pelo mundo? E quais são os contras? É o que veremos agora.

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Os pontos positivos da vacina da Johnson

Antes de mais nada, lembre-se que não faz sentido comparar a eficácia das vacinas, já que os critérios usados para chegar à porcentagem final variam de estudo para estudo.

No momento, o mais importante é superar os 50% de eficácia global, conforme estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E, claro, garantir que o maior número possível de pessoas receba injeções comprovadamente seguras e protetoras.

Uma vantagem óbvia e já mencionada da vacina da Johnson é a de só demandar uma aplicação. Denise explica que, pelos dados de estudos anteriores, os cientistas haviam percebido que a quantidade de anticorpos produzida com apenas uma dose já seria suficiente. Então resolveram seguir com essa estratégia.

“Mas existe outro ensaio clínico sendo realizado para checar a taxa de eficácia com duas doses. Daqui um ou dois meses devemos ter o resultado”, conta Denise.

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Outro ponto positivo é a eficácia contra algumas mutações do Sars-CoV-2, principalmente na África do Sul. No país, em 95% dos participantes infectados, a doença foi causada por uma variante da linhagem B.1.351, que é mais transmissível. Pois os resultados da pesquisa com a vacina da Johnson demonstraram uma capacidade de proteção aceitável mesmo diante dela.

Por fim, há a questão do armazenamento. É possível guardar as doses por até três meses em geladeira comum, numa temperatura de 2° C a 8° C. Essa é uma excelente notícia para países com clima tropical e com dificuldades estruturais, como o Brasil.

Há interesse do governo brasileiro em comprar a vacina, mas o quantitativo provavelmente será pequeno em um primeiro momento. Segundo VEJA, o laboratório teria se comprometido a vender apenas 3 milhões de doses no primeiro semestre de 2021, que provavelmente seriam entregues em maio.

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E as desvantagens?

Há uma questão, ainda não confirmada, que está relacionada à própria tecnologia da vacina — aquela de vetor viral não replicante. Veja: mutações do coronavírus estão pipocando por aí. Isso significa que certos ajustes na vacina possivelmente terão que ser feitos de tempos em tempos para manter a sua eficácia e para controlar a pandemia nos anos que virão. Basicamente, os especialistas trocam aquela parte do material genético do Sars-CoV-2 por outro que possua a nova mutação.

Esse tipo de alteração nem é tão complicado para os cientistas, mas o fato é que há uma chance de a população precisar tomar vacinas de tempos em tempos. E aqui mora uma potencial limitação do produto da Johnson.

Uma pessoa que recebeu sua dose também irá criar imunidade contra aquele adenovírus modificado. E esse vetor não é trocado. Por isso, se for preciso tomar outra injeção da vacina da Johnson para se proteger de uma mutação, talvez o organismo ataque esse adenovírus antes mesmo de ele apresentar o material genético da nova linhagem do Sars-CoV-2 — o que reduziria a eficácia.

Essa hipótese ainda não foi comprovada, mas é algo para os cientistas ficarem de olho. “Caso sejam necessárias aplicações sucessivas no tempo, o que a gente nem sabe se vai acontecer, isso precisará ser pesquisado”, comenta Denise.

Mas a epidemiologista lembra que todos os imunizantes têm seus prós e contras e que essa opção certamente ajudará no controle da pandemia. Quanto mais vacinas seguras e eficazes, melhor.

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