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Zolpidem e outros medicamentos para dormir causam demência?

Pesquisa divulgada no ano passado encontrou associação entre uso de fármacos contra a insônia e o diagnóstico de Alzheimer em pessoas brancas

Por Maurício Brum 6 set 2024, 14h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 00h03
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Exame acompanhou idosos norte-americanos com mais de 70 anos e detectou risco elevado em pessoas brancas que usavam medicamentos para dormir (Freepik/Freepik)
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Zolpidem e outros medicamentos para dormir causam demência? Priorizar nos meus resultados Google

Um estudo publicado em 2023 tem causado alvoroço por indicar um risco maior de desenvolver demência quando a pessoa utiliza determinados medicamentos para dormir, como o Zolpidem e benzodiazepínicos.

Os achados foram divulgados por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco na revista Journal of Alzheimer’s Disease.

O que o estudo encontrou

A pesquisa acompanhou um grupo de 3 mil pessoas idosas de diferentes raízes étnicas ao longo de nove anos. Com uma idade média de 74 anos, nenhuma tinha diagnóstico de demência no início do estudo, mas, durante o período de monitoramento, uma em cada cinco acabou desenvolvendo a doença.

+Leia também: Demência não é tudo igual: saiba quais tipos existem e como diagnosticar

O achado mais significativo ocorreu nos participantes brancos: entre aqueles que admitiam usar remédios para dormir “frequentemente” ou “quase sempre”, a chance de desenvolver a doença foi 79% maior do que naqueles que afirmavam usar “raramente” ou “nunca” esses fármacos.

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Curiosamente, entre pessoas negras, não houve diferença significativa associada ao uso desses medicamentos. Segundo os pesquisadores, além da etnia, a discrepância pode estar relacionada ao tipo e dosagem de cada remédio, mas estudos complementares são necessários para entender a razão dessa diferença.

Associação não significa causa e efeito

Apesar das descobertas chamativas do estudo, é importante interpretá-las com calma. A pesquisa encontrou uma associação entre o uso dos remédios e um risco aumentado de demência (em idosos brancos), mas isso não necessariamente significa que os fármacos causem a doença.

Uma das hipóteses hoje discutidas na ciência é que esses remédios, em vez de causadores do problema, acabem sendo usados como consequência de um diagnóstico equivocado: a pessoa começa a ter dificuldades para dormir em função de um quadro inicial de demência e, em vez de ter esse problema identificado, passa a ser tratada somente para insônia, mascarando os sintomas.

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Mais pesquisas devem ser feitas até compreender exatamente quais remédios podem ter uma segurança maior ou menor em relação à chance de desenvolver problemas neurodegenerativos no futuro. A pesquisa também não foi capaz de determinar os riscos em pessoas mais jovens, com o foco do estudo sendo pacientes com idade entre 70 e 79 anos.

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