Oferta Relâmpago: Saúde em casa por 9,90

Ansiedade pode vir do intestino? O que a neurociência já descobriu

Desequilíbrios na microbiota intestinal parecem estar relacionados ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e até neurológicos

Por Maurício Brum 27 abr 2026, 17h42
cerebro-intestino
Cérebro e intestino, apesar da distância física, estão sempre se comunicando! (Ilustração: Jonatan Sarmento/Veja Saúde)
Continua após publicidade

Você já deve ter ouvido falar que o intestino é o “segundo cérebro” dos seres humanos. Curiosa à primeira vista, a frase encontra embasamento científico: ali dentro estão milhões de neurônios que não apenas lidam com as funções propriamente intestinais, mas também permanecem em contato direto com o cérebro verdadeiro, lá em cima.

Essa noção já não é tão nova assim, mas, desde que se tornou corrente na medicina, abriu um filão de pesquisas que têm se dedicado a demonstrar o impressionante papel do intestino (e da microbiota que reside nele) em inúmeros aspectos da nossa saúde geral. E não é diferente quando se pensa em saúde mental.

Mas, afinal, o que a ciência sabe sobre a relação entre o intestino e transtornos psiquiátricos como a ansiedade? E como isso realmente funciona? Entenda melhor o que já se sabe nesse sentido.

O que é o eixo intestino-cérebro?

Nosso trato gastrointestinal conta com uma complexa rede neural. Conhecida como sistema nervoso entérico, ela conta com cerca de 500 milhões de neurônios – trata-se da maior concentração dessas células fora do próprio cérebro, com relativa autonomia em seu funcionamento.

A comunicação entre o sistema nervoso entérico e o cérebro é feita pelo nervo vago, responsável por mandar sinais nos dois sentidos sobre o que está acontecendo. Comeu alguma coisa? Teve alguma alteração química no sistema gastrointestinal? O nervo vago vai informar o cérebro sobre isso, gerando uma resposta (ou “reflexo”), que pode ou não ser perceptível do lado de fora.

Continua após a publicidade

Muito além dos impulsos relacionados à digestão, essa conversa também influencia outros aspectos do dia a dia e da saúde. Os estudos mais recentes demonstram como o eixo intestino-cérebro modula a imunidade, o risco de desenvolver uma série de doenças autoimunes e neurológicas, e até mesmo a propensão a transtornos psiquiátricos – é aí que entram em cena problemas como a depressão ou a ansiedade, e sua relação com tudo isso.

Microbiota é essencial

A comunicação entre o intestino e o cérebro, porém, é só uma parte desse intrincado sistema. Afinal, quando falamos do trato gastrointestinal, não somos o único ser vivo envolvido nessa história: ali dentro também vivem trilhões de micróbios. Eles compõem o que já foi chamado de flora intestinal, mas hoje é mais conhecido como microbiota.

Com o tempo, a importância deles para esses processos ficou tão consolidada nas pesquisas que o nome foi estendido: agora, é mais comum ouvir falar em eixo intestino-microbiota-cérebro.

Continua após a publicidade

Esses micro-organismos (majoritariamente bactérias) participam diretamente da formação de metabólitos e neurotransmissores com as funções mais diversas. Calcula-se que até 90% da nossa serotonina, o “hormônio do bem-estar”, venha do trato gastrointestinal, que também está envolvido na produção de dopamina e GABA.

Reduções em níveis desses neurotransmissores costumam aparecer com frequência quando o assunto é ansiedade, depressão, distúrbios de sono e humor, entre outras questões psiquiátricas. O risco de problemas neurológicos, como o Alzheimer e o Parkinson, também parece aumentar quando algo vai mal com os nossos habitantes internos.

Embora o mecanismo exato siga sendo estudado, não há dúvidas: desequilíbrios na microbiota que podem ocorrer pela dieta ou correlacionados a condições como a doença de Crohn afetam também a produção dessas substâncias tão importantes para a mente e acabam repercutindo em uma maior chance de sofrer com ansiedade. Não é o único fator de risco, mas é parte do que precisa ser considerado na equação.

Continua após a publicidade

Como melhorar as coisas

A alimentação é chave para manter a microbiota intestinal em dia e melhorar os desfechos de saúde impactados por ela. Mas não para nisso: evitar o uso excessivo e desnecessário de antibióticos também é importante, pois eles não eliminam somente bactérias patogênicas, mas também aquelas que são aliadas da nossa saúde.

O alcoolismo é outro fator que desequilibra as coisas e, portanto, a ingestão de bebidas deve ser moderada (ou zerada).

Uma dieta rica em fibras é ótima para o bom funcionamento do intestino. Alimentos naturalmente probióticos, como aqueles com lactobacilos, também fornecem micro-organismos interessantes para a flora.

Sob orientação médica, algumas situações também podem se beneficiar de suplementos de prebióticos e probióticos específicos, mas o indicado é não fazer isso por conta própria – já que uma população excessiva de micróbios no intestino também gera consequências indesejadas.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).