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O que teria disparado a dor crônica de Lady Gaga

Vítima de abuso sexual aos 19 anos, a cantora ainda luta contra os danos físicos e psicológicos do estresse pós-traumático

Por Vand Vieira 22 set 2017, 15h18 | Atualizado em 14 fev 2020, 18h23
lady gaga fibromialgia
A cantora Lady Gaga cancelou sua apresentação no Rock in Rio por causa de fortes dores. De onde elas vieram? (Foto: Divulgação/SAÚDE é Vital)
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Quem só está acostumado a ver Lady Gaga cantando e dançando com figurinos extravagantes ficou surpreso quando a artista anunciou o cancelamento de sua participação no Rock in Rio por causa de fortes dores no corpo. Mas não é a primeira vez que ela toca no assunto ou é obrigada a reagendar apresentações devido a crises desse tipo. Tanto que a via-crúcis de Gaga é o destaque do documentário sobre sua vida que acaba de estrear no Netflix, o Five Foot Two.

No produção, filmada ao longo de oito meses, a cantora faz questão de expor os tratamentos a que é submetida para alívio da dor crônica, atribuída a um quadro de estresse pós-traumático – resultado do abuso sexual que sofreu aos 19 anos. A ideia é representar, confortar e empoderar as pessoas que convivem com essa condição.

“A impossibilidade de fugir ou lutar quando uma violência assim acontece pode fazer com que a energia descarregada pelos mecanismos de defesa do organismo provoque alterações no sistema nervoso central”, explica a psicóloga Melissa Coutinho, diretora de pesquisa da Associação Brasileira do Trauma, em São Paulo. “E há evidências de que isso eleva o risco de dores persistentes e outras doenças”, completa a especialista.

Tal relação, no entanto, precisa ser totalmente compreendida e confirmada. “É uma reação natural do ser humano buscar explicações em certos acontecimentos quando recebe o diagnóstico de um problema cuja causa é desconhecida”, pondera a psicóloga Dirce Perissinotti, diretora administrativa da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, na capital paulista. Ou seja, as pesquisas que fazem a associação em questão não são suficientes para definir uma ligação direta.

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Fato é que, quanto antes essas mulheres procuram ajuda, melhor. “Deve-se ficar atento até mesmo a alterações comportamentais aparentemente inofensivas para evitar que esse acúmulo de tensão tenha consequências mais graves”, alerta Dirce. Sonolência excessiva, insônia, flashes do ocorrido, medo, ansiedade, depressão e outros sintomas comuns nessas situações devem começar a desaparecer até o fim do primeiro mês que sucede o episódio traumático.

Se a melhora não acontecer em um prazo de 90 dias, o estresse é considerado crônico, sendo que suas repercussões físicas não necessariamente darão as caras em curto prazo. Aí, o indicado é partir para um tratamento que envolva profissionais de diversas áreas, aliando medicamentos, terapia, fisioterapia e outros ajustes no estilo de vida, como alimentação saudável, prática regular de atividade física e medidas de reabilitação social.

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