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Transtorno de personalidade borderline: conheça 4 mitos sobre a condição

Desinformações frequentemente reproduzidas como verdades reforçam estigmas em relação às pessoas com esse diagnóstico

Por Eduardo Barcelos 22 Maio 2026, 10h13
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TPB ainda é rodeado de estigmas (wirestock/Freepik)
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Impulsividade, emoções intensas, instabilidade de humor, distorções na percepção da realidade e irritação estão entre os sintomas que podem aparecer em uma pessoa com transtorno de personalidade borderline (TPB).

Trata-se de uma condição psiquiátrica associada a um padrão persistente de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na autoimagem, no humor e no comportamento.

Estima-se que o transtorno atinja cerca de 1% da população global e, embora a principal hipótese aponte para uma combinação de fatores genéticos e ambientais, as causas do TPB ainda não foram plenamente elucidadas pela ciência.

O que se pode afirmar, porém, é que o transtorno ainda é cercado por muitos estigmas e desinformações, muitas vezes reproduzidos como verdades. Nesse contexto, confira quatro mitos comuns sobre o TPB – e entenda por que eles não são exatamente o que parecem.

Borderline só acontece em mulheres

Mito. As mulheres representam, de fato, a parcela mais ampla dos diagnósticos de TPB. No entanto, qualquer pessoa pode apresentar o transtorno. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 25% das pessoas diagnosticadas com a condição são homens.

Esse mito pode ser bastante prejudicial, sobretudo para homens com sintomas de TPB, que podem se sentir mais relutantes em buscar diagnóstico ou tratamento por medo do julgamento social.

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Ao mesmo tempo, mulheres podem sentir que não recebem uma avaliação imparcial, já que muitas vezes há uma presunção prévia de que elas tenham TPB por causa do gênero.

Borderline não tem cura ou tratamento

Mito. O borderline não tem cura no sentido habitual do termo: sempre será preciso monitorar o quadro. No entanto, há uma série de tratamentos bastante eficazes para pessoas com o transtorno, que permitem conviver com ele minimizando o impacto dos sintomas no dia a dia.

Após um diagnóstico preciso, o paciente pode contar com diferentes abordagens terapêuticas. É claro: sempre de acordo com a estratégia definida pelo médico, considerando as características do quadro em cada caso.

De modo geral, a base do tratamento do transtorno de personalidade borderline é a psicoterapia. Entre as abordagens possíveis, destaca-se a terapia cognitivo-comportamental, que pode ajudar no manejo da desregulação emocional e no aprimoramento das habilidades sociais, levando a um bem-estar geral.

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Quanto aos medicamentos, eles podem ser úteis em situações específicas, a depender da avaliação do profissional de saúde e das necessidades de cada paciente.

Borderline é a mesma coisa que bipolaridade

Mito. As duas condições podem apresentar sintomas bem parecidos, como irritabilidade, impulsividade e instabilidade de humor – sendo este último o fator que mais costuma levar à confusão entre os transtornos.

No entanto, as diferenças já aparecem na própria definição: enquanto o transtorno afetivo bipolar envolve alterações de humor em sentido mais estrito, o TPB é caracterizado como um transtorno de personalidade.

No bipolar, as oscilações de humor costumam ocorrer em ciclos que duram dias, semanas ou até meses. Já no TPB, as variações tendem a ser mais repentinas, podendo acontecer em questão de minutos ou horas.

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Além disso, os fatores desencadeantes também são diferentes. No borderline, as mudanças de humor geralmente estão associadas a fatores externos e gatilhos interpessoais. No transtorno bipolar, a alternância de humor costuma estar mais relacionada a processos internos da pessoa.

Pessoas com borderline são violentas ou perigosas

Mito. Embora o TPB seja frequentemente descrito como uma condição associada a sintomas de agressividade e irritabilidade, a ideia de que pessoas com borderline são “perigosas” é um mito – e pode prejudicar, inclusive, suas relações sociais e seus avanços no tratamento.

Ainda que algumas pessoas com TPB possam apresentar um temperamento difícil ou parecer constantemente irritadas, isso não significa, necessariamente, que representem uma ameaça aos outros. Além disso, muitos desses comportamentos podem estar relacionados à necessidade de validação, ao medo de abandono ou à sensação de rejeição, e não a uma intenção deliberada de ferir alguém.

Muitas vezes, pessoas com TPB representam um risco maior para si mesmas do que para os outros, tanto que a taxa de comportamentos suicidas é mais alta nesse público.

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