Ataque de pitbull: dá para se salvar de um? Saiba como agir
Mulher morreu após ser atacada pelo próprio cão no interior do Maranhão; entenda sinais de alerta e como lidar com ataques
Uma mulher de 49 anos faleceu, nesta segunda-feira (13), após ser atacada pelo seu cão, da raça pitbull, no povoado de Cordeiro, no interior do Maranhão.
Segundo o Corpo de Bombeiros do estado, o animal vivia com a família há cerca de dois anos, mas foi adotado já adulto. A tutora estava dando banho no cão quando passou a ser mordida.
O esposo da vítima também estava na casa e se abrigou em um dos cômodos da residência. O homem chamou por socorro, mas, quando a equipe de resgate chegou, a companheira já estava morta.
Também segundo as equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, o cachorro estava extremamente agitado e agressivo. Eles afirmaram que tentaram conter o cão para que conseguissem acessar à casa, mas não tiveram sucesso.
“Diante da situação de iminente perigo, e após tentativas de contenção sem êxito, foi necessário o uso de arma de fogo para neutralizar o animal e evitar novos ataques”, escreveu a PM, em nota. O cachorro faleceu no local.
Apesar da gravidade da ocorrência, segundo especialistas em comportamento animal, casos como esse não necessariamente refletem um comportamento natural da raça pitbull, muitas vezes associada ao estereótipo de animal agressivo.
“Essa é uma situação trágica. Infelizmente, na esmagadora maioria dos casos, o manejo inadequado ou insalubre para o cão em determinados contextos é o que predispõe a finais como esse“, avalia a bióloga Helena Truksa, especialista em comportamento da clínica Ethos Animal.
Situações do gênero, porém, servem de alerta sobre o que fazer em caso de ataques, tanto de pitbulls, como de outros cães.
“A maioria dos cães acaba dando sinais antes de atacar. Embora tenhamos de ter cuidado para não generalizar, porque que nem todos vão dar esses indícios, pensar neles já ajuda muito”, diz o zootecnista e apresentador Alexandre Rossi, o “Dr. Pet”, especialista em comportamento animal.
Por isso, a seguir, saiba o que dizem especialistas sobre como evitar acidentes e como agir para minimizar a situação caso ocorram.
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Como agir em um ataque de pitbull?
Diante de um cão agressivo, algumas medidas são importantes. Para se proteger, evite correr ou encarar, afaste-se lentamente, use barreiras e, em caso de ataque, proteja áreas vitais e busque atendimento após o incidente.
1. Sinais de que algo não vai bem
“Raramente a agressão acontece do nada. O que acontece é uma progressão de sinais que vão evoluindo até o ataque”, explica a médica veterinária Camila Rhani, também especialista em comportamento animal.
Esses alertas são chamados por quem é da área de calming signals (sinais de apaziguamento), que são comportamentos instintivos usados por cães para evitar conflitos, aliviar tensões e demonstrar desconforto.
Por isso, são pistas de que o cachorro não está gostando de uma situação. Em um primeiro momento, o cão apresenta sinais sutis de estresse e tentativa de evitar conflitos, como:
Se esses sinais são ignorados, um estresse ainda maior pode ser evidenciado por orelhas para trás, corpo rígido, cauda baixa ou enrijecida, pupilas dilatadas e respiração ofegante com boca tensa.
Já em estágios mais avançados de que o bicho não está nada feliz, ele pode rosnar, mostrar dentes, avançar com o corpo ou fazer o que os veterinários chamam de “congelamento”.
“O animal fica estático e começa a focar o olho naquilo que ele não quer [que aconteça, que esteja ali ou que façam com ele]”, diz Camila. Mas, nessa de “congelar”, um sinal que vem pouco antes mesmo do ataque é fechar a boca.
Rossi explica: “quando o cachorro está respirando com a boca aberta, está relaxado e produz sons que o atrapalham de prestar atenção no ambiente. Quando ele para de fazer isso, consegue prestar mais atenção. E, no momento que precede o ataque, ele vai querer mais informações“, diz o zootecnista.
Respeitar esses limites já evita mais da metade dos problemas. “Na rua, o ataque é geralmente por medo; em casa, é por quebra de limites e falta de manejo adequado“, diz Cintia Pinheiro, veterinária comportamentalista da Animalz Brasil.
2. Evitando uma mordida
Ao notar esses comportamentos, é recomendável não confrontar o cachorro e tentar sair da situação discretamente.
Se estiver na rua, caminhando, o ideal é permanecer imóvel. “Movimento rápido pode ativar o instinto de perseguição”, diz Camila.
Além disso, evite o contato visual direto. O animal pode interpretar o olho-no-olho como um afronte e te ver como uma ameaça.
Também não faça movimentos bruscos e nada que possa chamar muito a atenção do cão.
O melhor é tentar uma “saída à francesa”, aumentando a distância devagar e sem virar totalmente as costas para ele. Vá se distanciamento de forma lateralizada e aos poucos.
“E se você tem que passar perto dele, passe tomando cerca distância, formando um arco“, orienta Rossi.
3. Durante um ataque
De novo, não tente correr, já que isso o estimula a ir atrás de você. O pitbull, em especial, é um animal muito rápido e poderá te alcançar com facilidade.
Se o animal vier para cima, tente permanecer o imóvel. Além disso, proteja as áreas vitais e mais sensíveis do corpo – rosto, pescoço e mãos.
Um jeito de fazer isso é cruzando os braços em “X”, na frente do peito, de modo a proteger a região cervical.
Segundo Rossi, o único cenário em que é válido tentar fugir, é se você tiver muita certeza de que tem vias para escapar (e habilidade para isso), como um pular um muro, subir numa árvore ou correr para fechar um portão. Mesmo assim, ele alerta que a medida pode ser arriscada.
Também é importante usar o que estiver por perto como barreira ou um “alvo” substituto, seja uma mochila, cadeira ou até casaco. Os cães se distraem fácil, passando a atacar o objetivo e esquecendo um pouco de você.
Mas não solte o seu escudo, do contrário o animal pode voltar para você. “Se ele mordeu o objetivo, tenta deixar ele interessado naquilo, enquanto você pede ajuda ou vai deslocando até um lugar em que consiga se proteger”, diz Rossi.
Além disso, vale encostar-se em uma parede, árvore ou muro para proteger as costas.
Não tente agredir ou jogar coisas no animal. Isso vale para qualquer cão, mas, medir forças com um pitbull é ainda mais desaconselhável, pois é uma raça forte e resistente à dor.
“Dessa forma, diminuímos os estímulos que deixam o animal mais agressivo ainda”, explica Camila.
Como socorrer alguém de um ataque de cachorro
Não tente puxar o animal, nem mesmo pelo rabo. Isso pode irritá-lo mais e aumentar os riscos não só para a vítima, mas para quem está socorrendo, que pode se tornar um novo alvo.
É recomendável evitar movimentos caóticos, acúmulo de pessoas e gritaria, além de jamais colocar a mão no animal de alguma forma ou tentar colocar coisas na boca dele.
A conduta mais segura é tentar usar um objeto como separação, colocando-o entre o animal e a pessoa atacada, e tentar interromper o foco do animal de forma indireta.
“Sem encostar, tentar fazer algum barulho que chame a atenção do cão para o outro lado até conseguir socorrer a pessoa”, descreve Camila.
Se tiver petiscos, jogue no chão para distraí-lo.
Ter cuidado sem estigmatizar
Para quem deseja criar um pitbull, os especialistas destacam que vale considerar que um bom manejo deve ser pensado desde filhote.
Mas não é porque ele seja naturalmente agressivo, como muita gente tende a pensar. E sim porque uma mordida desse cão, definitivamente, pode causar mais danos do que a de um Lulu-da-pomerânia, por exemplo, entre outras características.
“O pitbull possui uma seleção genética para persistência. Isso não significa que ele quer atacar, mas que, se entrar em um estado de luta, ele demora mais para sair dele”, destaca Cíntia Pinheiro, veterinária comportamentalista da Animalz Brasil.
Isso não faz da agressividade um ‘traço de personalidade’ da raça. Pelo contrário. A personalidade é algo que surge de uma combinação entre genética e, sobretudo, ambiente e a forma como o bicho é tratado e educado.
Com isso, fatores como falta de estímulo físico e mental, brincadeiras inadequadas ou contenção excessiva podem favorecer respostas agressivas.
E, mesmo que eles nem estejam entre os cães mais agressivos na rotina dos profissionais da área, não dá para negar que são animais muito fortes — o que aumenta o risco em caso de erros.
É aí que entra a importância do treinamento e acompanhamento com médicos veterinários e especialistas em comportamento animal quando um cão — seja de qual raça for — demonstra tendência a ter momentos antissociais.
Isso inclui treino e uma boa leitura de comportamento por parte dos tutores.
“Muitas vezes, a pessoa pensa que só amor e carinho são suficientes. Mas, se o meu animal demonstra agressividade e eu não consigo inibi-la, o afeto não bastará. É preciso lidar com esse traço”, orienta Rossi.
Para fechar, é importante destacar, como reforça Camila, que rotular uma raça como agressiva “não resolve o problema, dificulta políticas públicas eficazes, aumenta abandono e estigmatização”.
Mas, mesmo assim, Rossi lembra: “quanto maior e mais perigoso é o cachorro, devido à sua força e rapidez, mais eu tenho que conseguir controlar essa agressividade dele”.
Dessa forma, a saúde não só da família, mas do próprio cachorrinho ficam asseguradas.
Ou seja, cães não nascem “bons” ou “maus”. Sem manejo adequado, qualquer animal pode desenvolver comportamentos de risco.
Por isso é preciso ter cuidado, atenção, respeito aos limites do animal e, quando necessário, orientação profissional e treinamento.





