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Rotulagem adequada já: não basta vontade para mudar o que comemos

Informação clara e correta sobre os alimentos é peça-chave para a promoção de mudanças saudáveis no cardápio. E é também uma questão de saúde pública

Por Comitê gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável 22 dez 2017, 11h44 | Atualizado em 3 jul 2026, 23h25
Como ler rotulo de alimento
Para tomar uma boa decisão alimentar, o consumidor precisa ser bem informado (Ilustração: Ana Cossermelli/SAÚDE é Vital)
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Alimentar-se é mais do que ingerir nutrientes ou alimentos. Alimentar-se é uma prática social, cultural e afetiva. É ainda construção e expressão de memórias e exercício de preferências. Mas alimentar-se é também uma questão de saúde.

Nós somos o que comemos. Tudo o que ingerimos têm influência direta sobre o nosso bem-estar físico, mental e social. Impacta na forma como realizamos nosso trabalho, convivemos e socializamos. E até mesmo como nos recuperamos de uma doença ou nos tornamos propensos a ter tantas outras.

Nesse sentido, existem, sim, alimentos mais e menos saudáveis. Há aqueles que causam mais benefícios e outros que provocam mais malefícios à saúde, principalmente quando consumidos sem moderação.

Dentro do consultório, é possível que um profissional elabore cardápios e prescrições específicas e individualizadas, a partir da realidade de cada paciente. E, claro, essas recomendações não precisam abolir alimentos menos saudáveis.

Mas quando se trata de orientações que valem para a população como um todo, a mensagem deve olhar para a saúde de uma forma ampla. E as recomendações sobre alimentação têm que estar em sintonia com seu tempo e as condições da população.

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Hoje, quase 60% dos brasileiros enfrentam o sobrepeso ou a obesidade. Estima-se, ainda, que 4,5 milhões de pessoas tenham indicação para realizar cirurgia bariátrica, porque apresentam obesidade mórbida. E os números não param de crescer.

Todas essas pessoas possuem um risco muito maior de desenvolver diabetes, pressão alta, doenças do coração e pelo menos 13 tipos de câncer, doenças que figuram entre as principais causas de morte no nosso país.

Garantir escolhas alimentares mais saudáveis para a população é um passo fundamental para combater esse cenário, que só se agrava. Outro passo vital é reconhecer que mudança de hábitos alimentares não é apenas uma questão de motivação pessoal.

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Ela, na verdade, depende tanto do ambiente físico tanto quanto do social em que estamos inseridos. E, para isso, a sociedade como um todo precisa apoiar medidas que tornem esse contexto mais saudável.

E os rótulos com isso?

Todos nós temos liberdade para escolher o que desejamos ingerir, mas é importante estarmos totalmente conscientes das nossas decisões. E isso só acontece se estivermos bem informados no momento da escolha.

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Em se tratando de alimentos ultraprocessados, o rótulo é nosso maior aliado na hora de fazer escolhas conscientes e saudáveis. E quem diz isso é a maior autoridade em saúde no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a OMS, é crucial que as embalagens tragam na parte da frente as principais características do produto para que o consumidor saiba, de fato, o que ele está consumindo.

Foi essa recomendação que levou a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável a apoiar a proposta do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que prevê a inclusão de uma sinalização clara e precisa. Com ela, qualquer pessoa pode identificar imediatamente se um produto contém excesso de um ou mais nutrientes críticos.

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Essa sinalização consiste em um triângulo preto inserido no canto superior da embalagem, e traz os dizeres “Alto em”, sinalizando na sequência a presença de excesso de sódio, gorduras e/ou açúcar. Os parâmetros para a inclusão ou não do triângulo nas embalagens são os previstos pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O objetivo desse tipo de rotulagem nada tem a ver com assustar ou cercear a liberdade de escolha dos brasileiros. Pelo contrário: o objetivo é garantir um consumo cada vez mais consciente.

Todos aqueles que desejarem seguir consumindo alimentos altos em sódio, açúcar ou gorduras não serão impedidos de fazê-lo, até porque isso não envolve só o âmbito da saúde. A diferença é que, com a informação no rótulo, saberão claramente o que estão ingerindo.

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Em tempo: a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável reúne organizações da sociedade civil de interesse público, profissionais, associações e movimentos sociais com o objetivo de desenvolver e fortalecer ações coletivas que contribuam para a saúde e o bem-estar de todos. Nossa agenda, nossa carta de princípios e a lista de organizações-membro estão divulgadas de forma transparente e acessível em nosso site, assim como a proposta de rotulagem que foi apresentada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Artigo elaborado pelo comitê gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável

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