Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Trauma racial: um estresse crônico e permanente

Situações de racismo deixam marcas profundas por toda a vida, com repercussões na saúde física e mental

Por Ediane Ribeiro, psicóloga* 16 jan 2025, 08h57 | Atualizado em 5 jun 2026, 06h27
trauma-racial
As consequências do trauma racial podem reverberar por toda a vida. (Ilustração: Fih de Baiano/Veja Saúde)
Continua após publicidade
Trauma racial: um estresse crônico e permanente Priorizar nos meus resultados Google

A questão racial envolve muitas dimensões, e uma delas é a da saúde.

Uma série de estudos aponta que o estresse e o trauma derivados de ideias, culturas e práticas racistas afetam o bem-estar físico e emocional de pessoas negras.

Sim, o corpo e a mente podem encarar consequências tanto dos episódios de racismo explícito quanto do acúmulo de microagressões por motivações raciais.

O estresse não decorre apenas de vivências diretas com o racismo. Pode vir à tona ao testemunhar ou ouvir relatos de violência racial — algo constante na vida de pessoas negras, uma vez que os episódios atravessam o tempo todo o noticiário e as redes sociais.

Daí resulta uma segunda característica do problema, a hipervigilância, um estado em que o cérebro passa a funcionar em alerta perene, como se precisasse se defender a qualquer momento de uma ameaça.

Continua após a publicidade

Assim, o sistema nervoso passa a operar sob altas cargas de estresse, o que resulta em anestesia emocional, padrões de reatividade e adoecimento (físico ou mental).

+Leia Também: Por que precisamos pensar mais na saúde da população negra?

Pesquisas atuais indicam que muitas doenças que são mais prevalentes na população negra (incluindo alguns tipos de câncer) são fortemente influenciadas pelo processo inflamatório decorrente da sustentação crônica do estresse no organismo.

Continua após a publicidade

Nesse contexto, o professor Raymond Rodriguez, da Universidade Colúmbia (EUA), nomeia como ginástica mental uma espécie de varredura imediata e quase inconsciente que uma pessoa negra ou indígena faz quando entra em um espaço novo.

Ele afirma que a cor predominante das pessoas no ambiente informa ao seu senso de segurança quanto elas pertencem ao lugar ou não, fazendo-as selecionar o que podem ou não expressar ali. Ou seja, há uma restrição comportamental e social. No fundo, mais estresse!

O psicólogo Philip Goff, em um de seus estudos na Universidade da Califórnia (EUA), pediu a policiais e também a mulheres brancas universitárias que julgassem fotos de crianças brancas e negras quanto à idade. Os respondentes projetaram em média quatro anos e meio a mais para as negras em relação aos palpites sobre as brancas. Os participantes do experimento também tendiam a considerar, em suas projeções, os meninos negros como menos inocentes e mais problemáticos.

Continua após a publicidade

A essa tendência, em vez de racismo ou preconceito, Goff chama de desumanização. Se eu vejo um garoto de 10 anos não como uma criança, mas como um adolescente, isso repercute na forma como ele será tratado. Tal distorção associada ao racismo criminaliza corpos negros e coloca em risco a segurança desses jovens.

+Leia Também: Racismo aumentaria níveis de inflamação em negros, o que causa doenças

Esses são apenas alguns exemplos de como um trauma racial de base histórica projeta novos desafios e aniquila potencialidades.

Continua após a publicidade

Para lidar com o estresse racial, é preciso considerar todos os dias as marcas e cicatrizes que ele é capaz de produzir e dar novos passos para evitá-las.

Isso depende de ações individuais, coletivas e institucionais que permeiam o letramento, a conscientização, o cuidado com a saúde e, principalmente, o combate às violências raciais.

*Ediane Ribeiro é psicóloga e autora do livro Os Tesouros Que Deixamos pelo Caminho, recém-lançado pelo selo Paidós

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Mulher branca de rabo de cavalo e top preto sorrindo enquanto corre ao lado de um homem negro de camiseta cinza, ambos em um dia ensolarado. O texto No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa aparece em destaque, com cuide do que importa em um fundo verde-água. O logo veja SAÚDE está no canto superior esquerdoMulher e homem sorrindo, correndo ao ar livre em um dia ensolarado. Ela veste top e calça preta, ele camiseta branca e cinza. Texto: No Dia Nacional da Saúde, cuide do que importa. Logotipo Veja Saúde
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 67% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).