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Saúde com Diversidade

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A enfermeira especialista em educação Jussara Otaviano, embaixadora do Prêmio de Enfermagem Rainha Silvia da Suécia, discute a importância de valorizar a diversidade e o tamanho dos impactos da desigualdade no acesso à saúde

Precisamos falar sobre a saúde mental dos imigrantes

Migrações estão aumentando no mundo, colocando pessoas numa jornada cheia de desafios e negligências da sociedade

Por Jussara Otaviano 3 set 2024, 11h15
refugiados
Mudanças climáticas e conflitos estão aumentando o número de refugiados ao redor do mundo (rawpixel.com / Freepik/Reprodução)
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Hoje nosso diálogo vai ao encontro do que temos como mais genuíno, o território onde nascemos. Muitos decidem voluntariamente emigrar para outro país.  Mas imagine ser considerada uma pessoa apátrida, que não é titular de nenhuma nacionalidade, ou mesmo refugiada, precisando solicitar abrigo em função de sua etnia, religião ou opinião política?

Pois bem. É sobre este tema que trataremos com os psicólogos Maria Vitória Silva Paiva e Clefaude Estimable. Maria é psicóloga clínica, mestre em relações étnico raciais e autora do livro Fronteiras, Travessias e Desafios. Estimable é membro da Rede Internacional de Imigrantes e Refugiados da América Latina e Caribe e conselheiro titular do Conselho Estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas.

Atualmente o mundo vive uma onda migratória sem precedentes, um fluxo muitas vezes forçado ou involuntário, devido a mudanças climáticas, catástrofes naturais e conflitos geopolíticos. Muito poderiam ser os temas dialogados sobre o tema aqui, aspectos políticos, econômicos, sociais, mas esses dois psicólogos vem nos falar aqui do olhar de quem migra, no guarda-chuva da mediação intercultural.

A mediação intercultural foi desenvolvida como uma proposta pedagógica e terapêutica, aberta e dinâmica para acolher pessoas provenientes de outras culturas, idiomas e histórias diferentes.

Nosso país se inseriu no cenário internacional das migrações e isso exige do Estado não apenas receber as pessoas em deslocamento, mas acolhê-las com todas as suas bagagens culturais e históricas. Esta realidade contribui com a criação de um novo Brasil dentro do Brasil.

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+Leia também: A febre do planeta: como o aquecimento global mexe com a nossa saúde

Situação dos imigrantes no Brasil

Atualmente o pais tem cerca de 1,5 milhão de imigrantes e 140 mil pessoas em situação de refúgio. Contudo, a maioria das ações de acolhimento é realizada por organizações da sociedade civil, especialmente as entidades religiosas e as organizações não governamentais (ONGs).

Por um lado, o país apresenta posições de abertura para com pessoas migrantes, refugiadas e apátridas em termos jurídicos, com normativas como o Acordo de Residência entre países do Mercosul, o Visto Humanitário, a promulgação do Estatuto do Refugiado de 1997 e a nova Lei de Migração, aprovada em maio 2017.

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Por outro, ainda não conta com uma política institucional de acolhimento. Relatos dos beneficiários do serviço da mediação intercultural nas instituições públicas mostram que a migração forçada gera um impacto psicológico para aqueles que precisam deixar seus locais de origem.

A intensificação do fluxo migratório marca um novo momento na assistência, na educação e na saúde coletiva e isso exige de cada profissional um processo de ressignificação das práticas profissionais tendo em vista a diversidade do público atendido. Trata-se de um momento propício para profundas reflexões sobre o fazer-pensar sobre o importante papel da mediação intercultural nas instituições públicas.

+Leia mais textos da coluna Saúde com Diversidade

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Desafios para a saúde mental dos imigrantes

A dificuldade de comunicar-se, a incompreensão linguística e cultural, a discriminação, xenofobia, racismo e o choque cultural são fatores que prejudicam a saúde mental da população migrante, refugiada e apátrida.

Ouvimos frequente no nosso meio comentários e debates acerca da migração e do migrante, muitas vezes esses comentários provocam desconforto para os mesmos.

Pensando nesta realidade, a migração pode ser um fator de sofrimento e isolamento social de pessoas provenientes de outros países.

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O processo começa com a preparação: pesquisa pela internet, troca de e-mails e mensagens em redes sociais, contato com amigos ou conhecidos e, em seguida, venda dos bens materiais, solicitação de visto, compra de bilhete, etc. Nesta fase, a pessoa/família pode viver períodos de euforia, tensão, ou mesmo uma ansiedade antecipada.

Além disso, existe quem decide migrar e quem é obrigado a migrar, o que modifica consideravelmente o modo de adaptação e qualidade de experiência para cada um. Algumas famílias vendem tudo o que possuem e a migração passa ter um caráter definitivo, sem expectativa de volta. Outras se deslocam deixando um ponto seguro ou planejando ficar fora por um tempo, mas mantendo a ideia de retornar.

O ato de migrar

O ato de migrar é definitivamente mais complexo e, ao mesmo tempo, mais interessante e altamente relevante para a sobrevivência.

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Migramos por múltiplas razões: guerras, desastres naturais, situações políticas e econômicas, religiosas, acesso a melhores condições de saúde, realização profissional, relacionamentos, relações amorosas, etc. Hoje, em muitas situações, parece não haver outra alternativa para o ser humano que não seja migrar.

Assim, para um imigrante ou refugiado, a migração significa potencializar uma diversidade de funções, incluindo a capacidade de aprender um novo idioma, de memorizar e tomar decisões e fazer escolhas.

Conforme mencionado, ao migrar, a pessoa enfrentam muitas adversidades, contudo, a neuroplasticidade do nosso cérebro é fundamental na superação dos desafios sociais e emocionais.

A implementação da mediação intercultural nos serviços públicos contribui significativamente na atenuação do sofrimento emocional dos migrantes que chegam ao Brasil, este país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, parefraseando Jorge Ben Jor.

Os autores do texto realizarão palestra sobre o tema no dia 5 de Setembro às 19:30 no Instituto Afinando Vidas na Rua Marquês de Itu nº95, cj. 22 – República – São Paulo.

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