Mara Flávia: morte de triatleta é a segunda em provas do Ironman esse ano
Brasileira foi encontrada sem vida dentro de lago onde ocorria etapa da natação; morte reforçou riscos do triatlo extremo
A atleta brasileira Mara Flávia Araújo, de 38 anos, morreu no final de semana durante a etapa de natação do Ironman Texas, disputado no estado norte-americano homônimo. Mesmo com quase uma década de experiência no triatlo, ela acabou se afogando no lago Woodlands, pouco após o início da prova, no último sábado (18).
Embora não tenham sido divulgadas informações sobre a causa da morte de Mara, que compartilhava suas conquistas esportivas em um perfil com quase 60 mil seguidores, o caso voltou a chamar a atenção para os riscos de eventos que forçam o corpo humano ao seu limite.
Em março, uma etapa do Ironman 70.3 em Curitiba também havia registrado a morte de um participante. Na ocasião, o problema foi uma parada cardiorrespiratória.
Entenda mais os riscos.
Como era a prova disputada por Mara Flávia e o que aconteceu
A versão do Ironman disputado pela brasileira era uma prova completa do triatlo de longuíssima distância: são 226 km ao todo, divididos em trechos de 3,8 km de natação, 180 km de bicicleta, e uma maratona inteira, na distância de 42,2 km. Já no Ironman 70.3, mais popular, todas as distâncias são cortadas pela metade (“70.3” é a extensão em milhas da prova, equivalente a 113 km).
Segundo informações da organização da prova, as primeiras notícias sobre uma “nadadora perdida” vieram por volta das 7h30 da manhã, cerca de uma hora após o início do trecho da natação feminina. O resgate tardou outros 90 minutos em função da baixa visibilidade da água, que dificultou as buscas. Mara Flávia foi localizada já sem vida.
Natação é etapa do triatlo onde ocorrem mais mortes
O esforço excessivo de etapas do Ironman pode levar o corpo além dos próprios limites e render desfechos trágicos, mesmo em participantes experientes. Mortes já foram registradas em todas as etapas do triatlo, mas estima-se que mais de 70% das fatalidades ocorram justamente na fase da natação, como aconteceu com Mara Flávia, mesmo que ela represente menos de 17% da distância da prova.
Paradas cardiorrespiratórias são o maior perigo, com o risco potencializado pela adrenalina elevada do início da competição, ataques de pânico ou pelas condições de temperatura da água quando ela está fria demais — não era o caso da prova do Texas: a temperatura do lago Woodlands estava em 23°C.
Problemas específicos dessa fase incluem complicações raras como o edema pulmonar induzido pela natação (SIPE, na sigla em inglês), quando há acúmulo de líquido nos pulmões mesmo sem aspirar água, associado a alterações na circulação sanguínea.
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Em alguns casos, o afogamento pode nem mesmo estar relacionado a algo que acontece no corpo do praticante, mas às largadas “em massa”: com vários atletas juntos disputando espaço na água, é comum sofrer com chutes e cotoveladas acidentais, que podem submergir o competidor.
A natação também é comparativamente mais perigosa porque, dentro da água, é muito mais difícil parar ou desistir quando se sente que algo vai mal com o corpo do que em terra firme.
Mais adiante na prova, conforme a exaustão se acumula, os riscos permanecem, especialmente em dias mais quentes, que podem levar a problemas em função da desidratação severa e de golpes de calor.







