4 dicas para lidar com a ressaca moral (e por que ela acontece)
Sensação ruim após exagerar na bebida pode ser pontual ou representar um sinal de alerta para uma relação pouco saudável com o álcool
Quem já passou da dose em uma festa sabe bem: depois da bebedeira, muitas vezes o álcool provoca bem mais do que sintomas físicos desagradáveis associados à embriaguez. Com o dia seguinte, também vem a ressaca moral.
Nome dado ao sentimento de culpa por ter exagerado na bebida e cometido ações que muitas vezes geram arrependimento, a ressaca moral ocorre por diferentes motivos. Alguns deles são sociais, como a preocupação do que outras pessoas vão pensar ou falar sobre suas atitudes enquanto bebia. Outros são bem mais práticos: conforme a clareza mental volta, também retornam inibições que o álcool mascarou, inclusive preocupações emocionais.
A ressaca moral também é intensificada dependendo do contexto em que a bebedeira ocorreu. O day after pode render bem mais estresse se os excessos ocorreram durante uma festa da firma, por exemplo, do que entre amigos que tendem a acolher e julgar menos qualquer atitude fora do padrão.
Independentemente da origem, algumas dicas ajudam a lidar com a ressaca moral para superar esse momento, aprender com ele e, de preferência, não repeti-lo no futuro. Confira.
+Leia também: Ressaca: o que fazer (e o que não fazer) após exagerar no álcool
1. Autocrítica e não autopunição
Não há razão para repetir comportamentos que fazem você se sentir mal. Esse é o primeiro ponto: se você se sente muito bem enquanto está bebendo e celebrando, mas invariavelmente tem uma ressaca moral no outro dia, é hora de refletir sobre esse padrão e como não voltar a vivê-lo no futuro.
Mas é importante saber diferenciar as coisas: pensar a respeito disso e buscar mudança não significa que você precisa se punir com o isolamento social.
A chave é encontrar um equilíbrio, e para isso pode ser fundamental uma conversa franca com amigos, familiares e outras pessoas que estão ao seu redor durante e após a noitada etílica.
Buscar a mudança onde sentir que é necessário é muito mais importante (e efetivo) do que ficar remoendo a sensação de culpa.
2. Entenda por que isso aconteceu
É muito comum que os exageros venham por acidente: você se empolgou demais por um motivo ou outro e acabou bebendo mais do que está acostumado ou tolera em condições normais.
Foi por se distrair demais com os amigos? Por tentar perder a inibição para chegar em alguém na festa? Por misturar bebidas e perder as contas? Por tomar drinks adocicados que acabaram “enganando” sobre o nível de álcool consumido? Os motivos podem ser inúmeros – e aprender a identificar onde esteve o erro pode evitar que isso volte a acontecer.
3. Lembre-se dos outros
Parte da sensação ruim da ressaca moral vem de como você se sente em relação a outras pessoas: o arrependimento por algo que fez quando estava “fora de si” ou a vergonha pelo que elas podem estar pensando de você nos momentos em que o álcool falou mais alto.
Aqui, não tem jeito: se são pessoas próximas, é preciso dar o passo incômodo de buscar uma conversa franca sobre o que aconteceu. Caso sinta que isso é necessário, peça desculpas e até mesmo ajuda para evitar os erros da próxima vez. Deixe claro que está incomodado com a situação e quer melhorar.
Com sorte e honestidade, algumas das histórias podem até virar motivo para rir depois.
4. Cuide do próprio corpo
A ressaca moral tem esse nome justamente para diferenciá-la da ressaca fisiológica: os impactos que seu corpo sente após exagerar no álcool. Mas as duas andam juntas, e é bem provável que você esteja se sentindo ainda pior simplesmente porque o resto do organismo ainda está se recuperando.
Hidrate-se bem e, quando o estômago estiver em condições, tenha uma refeição nutritiva e saborosa. Começar a recuperação física pode ajudar a clarear a mente e facilitar os passos anteriores.
Quando buscar ajuda?
Exagerar na bebida não é recomendado, mas é algo que pode acontecer em situações pontuais. No entanto, se a ressaca (moral ou não) é uma rotina, isso é sinal de que algo está mal: provavelmente, você já desenvolveu uma relação pouco saudável com o álcool, a ponto de ele afetar seu dia a dia.
O alcoolismo deve ser enfrentado como uma doença, com consequências preocupantes tanto no momento imediato quanto no longo prazo. Se você não consegue passar muitos dias sem beber, se a vontade de tomar uma coisinha é persistente na sua cabeça, se as ressacas são frequentes… qualquer uma dessas situações, e muitas outras, são indício de que surgiu uma dependência em torno da bebida.
Nesses casos, é essencial buscar ajuda médica e psicológica para desenvolver estratégias que ajudem a deixar o álcool de lado. Identificar os gatilhos que dão vontade de beber e aprender que situações geram uma maior propensão a consumir a bebida são alguns dos passos.
Nesse processo, contar com uma boa rede de apoio, com familiares e amigos que ajudem na jornada da sobriedade, pode tornar o processo mais fácil.







