Oferta Relâmpago: Assine por apenas 7,99

Ebola: especialistas avaliam o risco real da doença chegar ao Brasil

Brasil registrou dois casos suspeitos que já foram descartados, mas quais as chances de a doença realmente aparecer?

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 jun 2026, 14h22
Profissional de saúde em EPI branco, máscara e protetor facial, segurando um tubo de ensaio e um cotonete para teste, com estetoscópio no pescoço. Ao fundo, um símbolo de risco biológico em uma porta escura
Ebola é uma doença viral grave e altamente infecciosa, frequentemente fatal. (Freepik/Freepik)
Continua após publicidade
Ebola: especialistas avaliam o risco real da doença chegar ao Brasil Priorizar nos meus resultados Google

O Brasil registrou, neste fim de semana, os primeiros quadros suspeitos de ebola no país em 2026.

As notificações envolveram dois pacientes – um em São Paulo e um no Rio de Janeiro -, mas os quadros acabaram descartados após investigação laboratorial. Segundo as autoridades de saúde, os dois receberam diagnóstico para outras infecções.

Os suspeitos são estrangeiros que passaram recentemente pela República Democrática do Congo e por Uganda, países africanos que enfrentam um surto da doença.

Em São Paulo, o paciente testou positivo para meningite. Já no Rio, o viajante foi diagnosticado com malária. A possibilidade de infecções simultâneas com ebola também foi descartada.

Segundo especialistas, os casos precisaram ser investigados porque os pacientes apresentavam critérios que levantavam suspeita para ebola, como sintomas compatíveis com a doença e histórico recente de viagem a regiões afetadas pelo surto.

“Se fossem confirmados, os pacientes deveriam ficar isolados dentro do hospital até não transmitirem mais a doença. Também, as pessoas com as quais eles tiveram contato deveriam ser rastreadas e isoladas”, explica Álvaro Costa, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP).

Apesar das suspeitas sempre acionarem investigações rígidas, infectologistas consideram que a chance de que quadros da doença ocorram no Brasil, especialmente com um alto volume de casos, é baixa.

Continua após a publicidade

Qual o risco real de o ebola chegar ao Brasil?

Segundo Costa, é possível que algum indivíduo adoecido desembarque no país em algum momento, mas a probabilidade é baixa.

“É uma chance muito pequena”, considera Álvaro. E alguns fatores contribuem para isso, segundo o infectologista:

Primeiro, os surtos estão ocorrendo em áreas da RDC e Uganda consideradas remotas, isto é, entre comunidades de difícil acesso e pouca circulação de pessoas.

Isso reduz as chances de contato entre sujeitos infectados e indivíduos que possam circular entre diferentes países ou continentes, espalhando a doença.

Segundo, usualmente, as pessoas que têm ebola evoluem rapidamente para um quadro muito grave, especialmente em localidades com pouco acesso à assistência em saúde.

Continua após a publicidade

“A letalidade está relacionada não só à gravidade do vírus, mas também a qualidade da assistência de saúde nos locais onde estão acontecendo surtos”, diz Costa.

Doenças mais letais tendem a se espalhar menos porque rapidamente reduzem a capacidade do paciente de viajar e ampliam as chances de diagnóstico antes que ele transmita a infecção a muitas pessoas.

“É pouco provável que alguém saia das áreas de surto e, realmente, entre em outros países. As pessoas acabam evoluindo para um desfecho grave ali e, dificilmente, vão pegar um avião e ir para outros locais”, explica o infectologista.

Portanto, é considerado baixo o risco de uma grande disseminação internacional além da região da África Central, onde hoje estão concentrados os casos, ou mesmo de uma pandemia,

Continua após a publicidade

destaca Gerson Salvador, infectologista do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP).

No caso do Brasil, especificamente, ainda há outros fatores que reduzem as chances do vírus chegar. “Não há rota comercial direta da região onde está ocorrendo a crise sanitária para o nosso país”, lembra o médico.

Por isso, os especialistas cravam que um surto no Brasil, com muitos casos ou mesmo transmissão de brasileiro para brasileiro, é considerado altamente improvável.

Continua após a publicidade

Ainda assim, ela não é nula. Por isso, cuidados, como a testagem de pessoas suspeitas, são tão importantes.

“É uma possibilidade remota, mas qualquer país tem que estar preparado para, dentro de uma emergência de interesse internacional – como foi decretado para o ebola –, ter condições de fazer rastreio, isolamento e testagem de suspeitos, bem como ter um programa para caso o número de infecções aumente”, conclui Álvaro.

A espécie atual aumenta a preocupação?

O surto em andamento na RDC e em Uganda está relacionado a uma espécie do vírus ebola chamada Bundibugyo

Identificado pela primeira vez em Uganda em 2007, o vírus possui uma letalidade mais baixa do que as cepas que causaram surtos anteriores, como o Zaire ebolavirus.

Continua após a publicidade

“O vírus da espécie Zaire mata cerca de 70% das pessoas infectadas, enquanto a letalidade da Bundibugyo varia entre 30% e 50%, o que continua sendo um índice bastante alto”, diz Salvador.

Apesar da letalidade mais baixa, os dados apontam que a transmissibilidade entre as duas espécies é semelhante. Assim, a grande diferença é que o vírus Bundibugyo, mais raro, não conta com vacina nem tratamento eficaz.

“As vacinas que apresentam alta eficácia contra a espécie Zaire e os tratamentos que funcionam de forma moderada contra essa espécie simplesmente não funcionam contra a Bundibugyo”, explica o infectologista.

Segundo os especialistas, esse é o principal desafio enfrentado atualmente. “Embora o problema esteja concentrado na África Central, ele exige controlar uma doença para a qual ainda não há vacina aprovada nem tratamento eficaz disponível”, avalia Salvador. 

Transmissão e sintomas

Diferentemente de patógenos como o coronavírus ou influenza, responsável pela gripe, o vírus ebola não é transmitido pelo ar

A infecção ocorre por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais e secreções como, por exemplo, fezes, urina, saliva, leite materno e sêmen de pessoas infectadas.

Além disso, a transmissão só ocorre após o aparecimento dos sintomas. Ou seja, até que possa começar a transmitir o vírus, uma pessoa já saberá que está doente, o que aumenta os cuidados para não espalha-la aos demais.

Essas são características que também diminuem o seu potencial de espalhamento. “Por isso, a probabilidade de a doença chegar ao território nacional é pequena, embora não seja zero”, destaca Gerson.

Segundo o Ministério da Saúde, na África, os surtos provavelmente originam-se quando pessoas têm contato ou manuseiam a carne crua de chimpanzés, gorilas infectados, morcegos, macacos, antílopes florestais e porcos-espinhos encontrados doentes ou mortos ou na floresta.

Depois que uma pessoa entra em contato com um animal que tem ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outras pessoas.

Uma vez transmitida, a doença é caracterizada por febre alta e hemorragias em várias partes do corpo, além de causar:

  • Febre;
  • Cefaleia;
  • Fraqueza;
  • Diarreia;
  • Vômitos;
  • Dor abdominal;
  • Falta de apetite;
  • Dor ao engolir;
  • Manifestações hemorrágicas;
  • Erupção cutânea (petéquias) ou manchas de sangue sob a pele

Mpox: tudo o que você precisa saber

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto branco OFERTA RELÂMPAGO e um raio amarelo, seguido de Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas Superinteressante e Veja, e um celular com aplicativo abertoBanner laranja com OFERTA RELÂMPAGO em destaque, acompanhado de um raio amarelo. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, revistas Superinteressante e Veja e um cartão de crédito. No canto superior direito, um ícone de árvore
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 67% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).