Gastrite atrófica: entenda o que é, sintomas e tratamento
Condição crônica não tem cura, mas pode ser aliviada com tratamento
A gastrite atrófica é uma condição caracterizada pela dificuldade de absorção de nutrientes em função da atrofia do tecido gástrico. Ela pode ter origem autoimune ou surgir como consequência de infecções. Por ser uma condição crônica, não tem cura, mas tratamentos buscam reduzir os efeitos produzidos por ela.
Ela pode afetar até 5% da população mundial, segundo algumas estimativas, mas costuma ser subnotificada porque acaba confundida com outros quadros ou não produz mudanças perceptíveis no corpo nas fases iniciais. Devido à dificuldade de diagnóstico, é comum que seja identificada só em estágios avançados.
Quando os sintomas aparecem, costumam incluir refluxo, saciedade precoce, dor ou queimação na parte superior do abdome, a dispepsia. Também podem ocorrer azia e regurgitação.
Os sinais podem começar ou ser agravados a partir da ingestão de certos alimentos ou se o estômago estiver vazio.
A melhor forma de diagnosticar é através de análises histológicas para detectar alterações nas células. Nesse caso, são coletadas amostras de tecidos que formam o estômago através de uma endoscopia digestiva alta, também conhecida pelo nome esofagogastroduodenoscopia ou, simplesmente, EDA.
Causas da gastrite atrófica
A infecção pela bactéria Helicobacter pylori e reações autoimunes contra as células parietais do estômago são as duas principais causas da gastrite atrófica. Ela pode ser comprovada com a presença anormal de anticorpos – proteínas produzidas pelo corpo que atuam no combate a doenças e que, quando há disfunções, atacam células saudáveis do organismo.
Quando tem origem autoimune, a gastrite atrófica costuma ser genética e hereditária. Qualquer pessoa pode ser afetada pelo problema, mas a doença está mais presente em mulheres, idosos e em pacientes com histórico pessoal ou familiar de outros tipos de doenças autoimunes.
Impactos da condição no corpo
A gastrite atrófica está relacionada com a anemia ferropriva refratária (que não melhora nem com suplementação), que pode ser um sinal para auxiliar na identificação da doença.
Em longo prazo, também passa a ser perceptível em exames a quantidade insuficiente de vitamina B12. Isso ocorre porque a destruição das células parietais do estômago dificulta a absorção dos nutrientes.
Casos graves de atrofia, sem o devido tratamento, aumentam o risco de desenvolver cânceres. Também é comum que o problema venha acompanhado de outras condições autoimunes, como tireoidite e hepatite autoimune, diabetes tipo 1, vitiligo, psoríase e urticária crônica espontânea.
Pessoas que já têm algum desses outros sinais e apresentam deficiências nutricionais devem ser consideradas um caso suspeito de gastrite atrófica e realizar investigações diagnósticas.
Como é o tratamento
Por ser uma doença crônica, a gastrite atrófica não tem cura definitiva, podendo acompanhar o paciente ao longo de toda a vida. Tratamentos e consultas contínuas, no entanto, podem controlá-la. Os médicos determinam o tempo indicado para cada exame com base nas características de cada paciente.
Os tratamentos mais comuns buscam corrigir a falta de ferro e de vitaminas com suplementos, seja oralmente ou com injeções. Caso a gastrite atrófica seja decorrente da infecção pelo H. pylori, são utilizados antibióticos, com o regime de uso dependendo da gravidade do caso.
Alguns tratamentos em desenvolvimento atuam diretamente no estômago contra a gastrite. Esse é o caso de agentes anti-inflamatórios de ação local, que buscam diminuir a inflamação gástrica e prevenir o desenvolvimento ou a progressão da atrofia. O uso de prebióticos para restaurar a microbiota gástrica e de agentes produtores de mucosa para promover a cicatrização também estão em análise.







