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Jovens negros morrem mais pela violência do que brancos, reforça estudo da Fiocruz

Pesquisa sobre juventude brasileira revela que a faixa etária é um fator de risco mais significativo do que a localização geográfica para violências e acidentes

Por Lucas Rocha Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2025, 04h00
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Mortes de jovens negros afetam toda a família (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
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Uma nova pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na segunda-feira, 25, revela que homens jovens e negros são os que mais morrem de forma violenta, corroborando dados de outros estudos, enquanto as mulheres de idade semelhante são as principais vítimas de agressões.

O levantamento mostra que 73% dos óbitos por causas externas incluindo fatores como violência ou acidentes ocorrem entre os jovens negros. A mortalidade do grupo é oito vezes maior do que a das mulheres mais novas.

Homens entre 20 e 24 anos são os mais atingidos, com 390 vidas perdidas para cada 100 mil habitantes. Para ter ideia, na população em geral, o índice é de menos de 150 mortes.

Os achados pontuam ainda que a faixa etária traz mais risco do que a geografia. A localização do município em regiões metropolitanas, por exemplo, está menos relacionada ao risco de morte por violência do que a idade.

Os indicadores encontrados no levantamento foram calculados a partir de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“É extremamente necessário trazer dados e reflexões sobre como a violência se apresenta de maneira distinta em relação à idade, gênero, raça e localização geográfica. Isto ajuda a compreender como agressões e acidentes são associados às condições de vida e trabalho das juventudes brasileiras”, destaca a sanitarista Bianca Leandro, pesquisadora da Fiocruz.

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+ Leia também: Violência no trânsito: uma ferida aberta no sistema de saúde

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Protesto no Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial (Foto: Paulo Pinto/Divulgação)

Outros recortes do estudo

A pesquisa destaca que a juventude preta e parda representa mais da metade (54,1%) das vítimas notificadas de mortes por causas externas.

Entre esse grupo populacional, o risco de falecer por violências e acidentes chega a 227,5 para cada 100 mil habitantes, índice que é 22% maior que a taxa do conjunto da população jovem (185,5).

As taxas de mortalidade por causas externas para negros de 15 a 19 anos ficam em 161,8 óbitos para cada 100 mil habitantes.

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Já o maior número de vítimas das violências notificadas pelo SUS é de mulheres, tanto em termos proporcionais como na taxa de incidência. A análise revelou que o cenário é igual em todos os estados e no Distrito Federal, principalmente entre a faixa de 15 a 19 anos.

De acordo com a análise, o sexismo aparece como a motivação mais frequente de atos violentos contra jovens nas notificações, correspondendo a 23,7% dos casos. Essa motivação é mais frequente nas brutalidades sofridas por pessoas de 25 a 29 anos.

+ Leia também: Violência contra a mulher: sofrimento silencioso

Conjunto de evidências

Diversos estudos brasileiros confirmam que negros morrem mais do que brancos por diversas causas.

O Boletim Çarê, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), mostra que homens negros morrem 4 vezes mais do que brancos em vias públicas por disparos de arma de fogo. Com mulheres o cenário é semelhante.

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No período de 2010 e 2021, negros com idade entre 18 e 24 anos apresentaram taxas de mortalidade significativamente superiores em comparação com seus pares brancos, segundo a pesquisa do IEPS.

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