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O que é a pré-eclâmpsia e por que ela preocupa tanto na gravidez?

Relacionada ao aumento da pressão arterial durante a gestação, a condição é a principal causa de morte materna em países em desenvolvimento

Por Goretti Tenorio (texto), Rodrigo Damati (ilustrações), Estúdio Coral e Laura Luduvig (design)
21 mar 2025, 14h15 •
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A pré-eclâmpsia pode levar à morte da gestante ou do bebê  (Foto: Jajah-sireenut/Getty Images / Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde)
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  • A pré-eclâmpsia é uma condição marcada pelo aumento da pressão arterial durante a gravidez.

    Ela pode comprometer a saúde da mãe e do bebê e representa a principal causa de mortalidade materna em países em desenvolvimento. A seguir, entenda como o problema acontece:

    A pressão nas alturas

    A pré-eclâmpsia é uma das principais preocupações no acompanhamento pré-natal das mulheres. Ela se caracteriza pela subida da pressão arterial, em geral a partir da 20ª semana de gestação, que passa a ficar acima de 140 por 90 mmHg (o 14 por 9).

    O quadro afeta a saúde da mãe, gerando abalos nos rins, fígado e coração, assim como do bebê, prejudicando seu desenvolvimento.

    Danos nos vasos

    Embora não se saiba exatamente a causa, a hipótese é a de que tudo começa com um déficit de irrigação na placenta, responsável pela oxigenação e suprimento de nutrientes do bebê.

    A disfunção faz com que células placentárias chamadas trofoblastos produzam substâncias inflamatórias que, ao cair na corrente sanguínea, lesam o endotélio, a camada interna dos vasos, elevando a pressão.

    pre-eclampsia-como-acontece
    Clique na imagem para ampliar (Foto: Jajah-sireenut/Getty Images / Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde)
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    Os reflexos na mulher

    A condição pode até nem dar nenhum sinal, mas em geral a elevação da pressão provoca manifestações como inchaço, sobretudo de mãos, pernas, pés e rosto.

    Falta de ar e proteinúria (perda de proteína pela urina) também são características.

    Nos casos mais severos, a pressão ultrapassa os 16 por 8, desencadeando dor de cabeça intensa e persistente, confusão mental e alterações visuais.

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    (Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde)

    Impacto no bebê

    Ao afetar a circulação sanguínea, a pré-eclâmpsia pode levar à ruptura de artérias que irrigam a placenta, propiciando seu descolamento precoce — ou seja, o órgão pode se soltar em parte ou completamente do útero, interrompendo a oxigenação e o aporte de nutrientes ao bebê.

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    Por isso, sofrimento fetal, nascimento prematuro e baixo peso são as principais consequências para a criança.

    +Leia também: Síndrome de HELLP: entenda quadro que levou Lexa a ter parto prematuro

    Fatores de risco para a pré-eclâmpsia

    A condição afeta até 7% das gestantes e algumas situações favorecem seu aparecimento. São eles:

    Primeira gestação
    A atenção aos níveis de pressão deve ser redobrada quando a mulher engravida pela primeira vez.

    Caso prévio
    É preciso monitorar de perto aquelas que já tiveram pré-eclâmpsia em gestação anterior.

    Histórico familiar
    Como há evidências de predisposição genética, ter casos na família aumenta as chances do problema.

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    Gravidez gemelar
    Estudos mostram que em gestação múltipla, com uma ou duas placentas, o quadro é mais frequente.

    Idade materna
    A incidência aumenta para quem engravida nos extremos etários, antes dos 18 ou depois dos 40 anos.

    Como se trata

    Como profilaxia, o Ministério da Saúde recentemente passou a recomendar a suplementação de cálcio a todas as gestantes, porque o déficit do mineral aumenta o risco de hipertensão.

    Com a pré-eclâmpsia diagnosticada, o plano inclui anti-hipertensivos e monitoramento constante da pressão. O sulfato de magnésio, administrado com a mulher internada por pelo menos 24 horas, é a estratégia para protegê-la diante da iminência de uma convulsão.

    A antecipação do parto é a alternativa quando a gestação já está mais avançada, na 37ª semana, porque a retirada da placenta é a única forma de corrigir de vez o problema.

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    Não confunda

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    Clique na imagem para ampliar (Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde)

    Fontes: Beatriz Carvalho, ginecologista e obstetra, com mestrado sobre gravidez de alto risco pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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