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Óleo de borragem para a TPM: saiba se ele funciona mesmo

Extrato da borragem é estudado por propriedades anti-inflamatórias e pode ajudar com dores associadas à menstruação, mas ainda não dá para cravar os benefícios

Por Maurício Brum 18 mar 2026, 16h55
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Óleo de borragem costuma ser comercializado em cápsulas (Freepik/Freepik)
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Na busca por aliviar a chamada tensão pré-menstrual (TPM) e os sintomas tipicamente associados à menstruação, sobram dicas de remédios e receitas caseiras. Não é surpresa, já que o problema afeta bilhões de mulheres todos os meses, desde o começo da nossa espécie.

O óleo de borragem é uma dessas indicações mais naturais que vêm ganhando proeminência como alternativa para aliviar a TPM e atraindo interesse científico. Como costuma ocorrer, também surgem dúvidas nas potenciais interessadas: será que essa sugestão popular realmente pode ajudar de alguma forma?

Conheça melhor o óleo de borragem e o que se sabe sobre seus impactos.

O que é o óleo de borragem e quais são os seus usos?

O óleo de borragem é obtido a partir das sementes da planta da espécie Borago officinalis, cujas folhas também são comestíveis. Natural de regiões da Europa e da Ásia banhadas pelo Mediterrâneo, ela foi espalhada pelo mundo e também se consagrou no Brasil, especialmente pelos usos populares para aliviar uma série de moléstias.

Embora o óleo tenha se tornado muito famoso para lidar com os sintomas menstruais, a versão em cápsulas também é usada popularmente para diferentes condições associadas a inflamações, como a artrite reumatoide e a asma. Já o uso tópico costuma ser indicado para lidar com condições dermatológicas como a rosácea, a acne e dermatites.

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Mas funciona mesmo? O que a ciência diz?

A borragem é rica em ácido gama-linolênico, o GLA, um tipo de ômega-6 conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias. A apresentação em óleo, por sua vez, potencializa a presença do GLA em relação ao que se encontra naturalmente nas plantas.

Em termos gerais, isso significa que o óleo de borragem tem, sim, potencial para ajudar com sintomas e dores associados a inflamações, o que inclui os incômodos menstruais, inclusive aqueles que ocorrem antes e após o ciclo. No entanto, como ocorre com o óleo de prímula (outra sugestão popular para TPM), esse potencial é demonstrado apenas em estudos pequenos e ainda não dá para atestar que a eficácia é comprovada.

Alguns estudos vêm tentando demonstrar esse poder: um trabalho brasileiro indicou benefícios no alívio da mastalgia cíclica (a dor nos seios relacionada à menstruação), e outro estudo feito por aqui realizou acompanhou 180 participantes e apontou redução nos escores relacionados a sintomas físicos e até emocionais da TPM.

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Fora do Brasil, um trabalho também pequeno, mas randomizado, com placebo e cegamento duplo, se debruçou sobre outros benefícios possíveis do óleo de borragem, neste caso, em relação à asma. Acompanhando 38 pessoas, os pesquisadores observaram uma redução nos sintomas do quadro respiratório, embora a inflamação em si não tenha diminuído de forma significativa.

Trabalhos de revisão sobre o óleo de borragem costumam apontar que o produto tem potencial de ajudar, mas insistem que faltam estudos para cravar os benefícios: em geral, a maioria das pesquisas feitas com seres humanos não passaram por todas as etapas necessárias para demonstrar sua segurança e eficácia quando comparados a um placebo, ou são feitos em grupos muito reduzidos para trazer resultados estatisticamente relevantes.

O indicado é não fazer uso do óleo de borragem sem conversar com um médico antes, e nunca utilizá-lo como substituto de um tratamento mais convencional para os seus sintomas. Embora seja considerada geralmente segura, a substância não é inócua, e pode provocar reações indesejadas e até apresentar toxicidade se utilizada em excesso.

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