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POLG: entenda doença rara que causou a morte de príncipe de 22 anos

Príncipe Frederik, de Luxemburgo. convivia com diagnóstico de mutação no DNA mitocondrial há 8 anos e fundou organização para conscientizar sobre a doença

Por Maurício Brum Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
10 mar 2025, 16h58
principe frederik
Príncipe de Luxemburgo foi diagnosticado com condição rara aos 14 anos  (POLG Foundation/Divulgação)
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Uma condição genética rara foi a responsável pela morte do Príncipe Frederik de Luxemburgo aos 22 anos, no dia 1º de março: a POLG, doença mitocondrial que afeta o fornecimento de energia das células e leva à falência múltipla de órgãos.

O falecimento do jovem, filho mais novo do casal formado pelo Príncipe Robert de Luxemburgo e pela princesa Julie de Nassau, foi comunicado pela família por meio da Fundação POLG.

A organização foi fundada pelo príncipe europeu e por sua família, com o objetivo de financiar estudos sobre a condição e promover a conscientização sobre a doença.

“Frederik foi diagnosticado com POLG aos 14 anos, quando seus sintomas estavam se manifestando com mais clareza e quando a progressão da doença se tornou mais aguda. Como a POLG causa uma variedade ampla de sintomas e afeta tantos órgãos, é difícil de diagnosticar, não tem tratamento e tampouco uma cura”, explicou a família em nota.

Frederik era primo em segundo grau do Príncipe Guilherme, que deve assumir o trono de Luxemburgo com a aposentadoria do Grão-Duque Henri, que abdicou do cargo.

O que é POLG?

As mitocôndrias são as organelas responsáveis por fornecer energia para a célula. A energia que consumimos por meio da alimentação é direcionada para as mitocôndrias, que a convertem em adenosina trifosfato (ATP), uma forma que pode ser utilizada pelas células. Esse papel é fundamental para o funcionamento de todo o organismo.

Um fato curioso sobre as mitocôndrias é que elas possuem seu próprio DNA. No corpo, o DNA é o responsável por dar o código para produção das proteínas, que desempenham uma variedade de funções essenciais à vida. Isso significa que, dentro das mitocôndrias, há proteínas específicas que trabalham nesse processo de geração de energia.

Na década de 1990, pesquisadores encontraram uma mutação no gene POLG associada à oftalmoplegia, uma doença que acomete os olhos. Esse gene POLG contém o código para produzir uma polimerase, enzima responsável por duplicar o DNA da mitocôndria.

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Na doença conhecida como POLG, a mutação causa uma diminuição do DNA mitocondrial que afeta o corpo todo, já que a organela não consegue replicar o DNA adequadamente, o que leva a falhas nas mitocôndrias.

Os sintomas afetam de maneira mais aguda os órgãos mais dependentes de energia, como o sistema nervoso central, o fígado e os músculos. Hoje, já foram mapeadas mais de 200 mutações no gene POLG.

+Leia também: O futuro da saúde: ciência de dados, genética e longevidade

Sintomas da mutação

As mutações mitocondriais causam uma ampla gama de sintomas, já que podem afetar qualquer sistema do organismo.

Alguns dos sinais da doença são problemas musculares, como fraqueza, epilepsia, falência do fígado e alterações na visão. Convulsões, dificuldades para se alimentar e neuropatia periférica são outros sintomas.

Pessoas com mutações no gene POLG podem ainda apresentar perda de visão, depressão, ansiedade, atrasos no desenvolvimento, dor de cabeça, apneia, e outras disfunções cognitivas e motoras.

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O diagnóstico é confirmado por meio de testagem genética. Exames de imagem do cérebro podem ajudar a eliminar outras causas para os sintomas.

Estima-se que 1 a cada 10 mil pessoas sejam afetadas pelas mutações no gene POLG ao redor do mundo.

Subtipos e prognóstico da doença

O prognóstico depende da idade em que a doença começa a se manifestar. Os casos mais graves são aqueles com início antes dos 12 anos. A lista de sintomas costuma envolver convulsões, enfraquecimento muscular e problemas no fígado. 

Quando a condição aparece em pacientes de 12 a 40 anos, também estão presentes sintomas como neuropatia periférica – que gera fraqueza e dor nas mãos ou nos pés –, oftalmoplegia e ataxia.

A oftalmoplegia se trata de uma paralisia ou enfraquecimento dos músculos oculares. A ataxia gera problemas motores, prejudicando o equilíbrio, a habilidade de caminhar e de falar.

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O grupo cujo diagnóstico ocorre após os 40 anos também apresenta oftalmoplegia, assim como pálpebras caídas. Esses pacientes tem o prognóstico mais positivo.

Doença não tem cura

Ainda não existe uma cura para as mutações no gene POLG. O tratamento é paliativo e foca em melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Um grupo multidisciplinra de profissionais deve estar envolvido no tratamento: neurologistas, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros.

Medicações anticonvulsivas costumam ser utilizadas, mas os médicos precisam ter cuidados específicos, já que o valproato, muito usado para tratamento de epilepsia, pode causa falência do fígado em quem possui a mutação genética.

Biotina, coenzima Q10 e benzodiazepínicos também podem ser receitados para manejar os sintomas.

 

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