Sarampo: mortes nos EUA reforçam importância da vacina
Além dos Estados Unidos, a Argentina também enfrenta um surto da doença, considerada uma das mais contagiosas

A cobertura vacinal contra o sarampo abaixo do ideal impulsiona o aumento de casos da doença pelo mundo. Globalmente, estima-se que 83% das crianças receberam a primeira dose do imunizante, enquanto apenas 74% receberam a segunda aplicação recomendada, segundo dados referentes a 2023.
O índice de 95% de imunizados é essencial para prevenir a disseminação de um dos vírus mais contagiosos existentes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nos Estados Unidos, ao menos três surtos foram identificados em 2025, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Até o dia 6 de março, foram reportados 222 casos no país.
Por lá, o estado do Texas enfrenta a situação mais severa, com 198 casos registrados desde o final de janeiro. Ao todo, 23 pacientes foram hospitalizados e uma criança não vacinada morreu.
Foi o primeiro óbito pela doença no país norte-americano desde 2015. Dias atrás, uma segunda morte aconteceu no Novo México. A vítima era um adulto não vacinado.
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A Argentina também empenha medidas para a contenção de um surto em Buenos Aires, onde foram detectadas seis infecções desde fevereiro.
Diante do cenário, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) reforça o apelo para que a população busque a vacina contra o sarampo, ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Temos um país sem casos de sarampo, somente com registros de infecções importadas, que não se espalham por aqui. Porém, o mundo não vive a mesma situação, então estamos sob risco o tempo todo“, enfatiza o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm.
O médico aponta a necessidade de continuar com coberturas vacinais altas e homogêneas, evitando bolsões de indivíduos suscetíveis, que propiciem a circulação do vírus em uma determinada região.
Situação no Brasil
Em fevereiro de 2025, o estado do Rio de Janeiro confirmou um caso de sarampo ocorrido em 2024, em um menino de seis anos, de Itaboraí. Os sintomas começaram a se manifestar ainda em outubro de 2024.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a criança não apresentava histórico de viagem ou contato com casos suspeitos, não sendo possível identificar a fonte de infecção. A possibilidade de surto foi descartada devido à ausência de novos contágios no município ao longo de 120 dias, segundo alerta epidemiológico divulgado pela secretaria.
O registro não ameaça o status do Brasil como país livre do sarampo, mas acende um alerta.
Embora a cobertura para a primeira dose da vacina esteja em 95,22%, a adesão à segunda dose segue em torno de 80%, consideravelmente abaixo da meta de 95%, o que abre a possibilidade de reintrodução do vírus a partir de casos importados.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que para ampliar a cobertura vacinal, o governo federal investiu na imunização em áreas de fronteira e locais de difícil acesso, além de reforçar a busca ativa de casos suspeitos.
“Foram realizadas ações como o Dia S de combate ao sarampo, oficinas de resposta rápida a casos de sarampo e rubéola nos territórios e cursos online sobre manejo clínico da doença”, afirmou a pasta.
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Sobre a doença
O sarampo é conhecido principalmente pelas manchas vermelhas que se espalham pelo corpo. Além do sintoma característico, os pacientes podem apresentar febre alta, tosse, irritação nos olhos, nariz entupido, coriza e mal-estar geral.
A infecção ainda pode levar a complicações, como pneumonia, infecção do ouvido, inflamação do cérebro e até provocar a morte.
O vírus causador da doença é altamente contagioso e pode ser passado de uma pessoa para outra pelo ar, através de tosse, espirro, fala e respiração próxima.
O diagnóstico costuma ser realizado a partir da observação de sintomas. A confirmação laboratorial envolve exame de sangue ou teste de biologia molecular com amostras de secreções.
Como não existe tratamento específico para o sarampo, são utilizados medicamentos para reduzir o incômodo.
Nesse contexto, a vacinação é recomendada como a principal medida de prevenção. O imunizante faz parte do calendário de infantil do Ministério da Saúde (consulte aqui) e deve ser tomado em duas ocasiões:
- 1ª dose: tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), deve ser tomada aos 12 meses.
- 2ª dose: tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e catapora), deve ser aplicada aos 15 meses.