🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 9,90/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!

Homeschooling: 4 pontos para refletir a respeito do impacto na saúde mental dos jovens

Ensino domiciliar dificulta aprendizado de habilidades sociais e pode abrir brechas para que os direitos das crianças e dos adolescentes sejam desrespeitados

Por Larissa Beani Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jul 2026, 17h45 | Atualizado em 8 jul 2026, 13h57
Menino jovem com cabelo escuro, camisa verde-oliva aberta sobre camiseta branca estampada, segurando livros roxos, com expressão pensativa e dedo indicador na têmpora, olhando para o lado esquerdo em fundo roxo
Não há evidências robustas de que o homeschooling seja um método melhor de ensino do que ir à escola (stockking/Magnific)
Continua após publicidade
Homeschooling: 4 pontos para refletir a respeito do impacto na saúde mental dos jovens Priorizar nos meus resultados Google

Sob a justificativa de que as famílias deveriam ter maior “domínio” sobre a educação de seus filhos, movimentos conservadores têm atuado para regulamentar o ensino domiciliar no Brasil, mais conhecido pelo termo inglês homeschooling.

Não há evidências, porém, de que o método seja uma opção melhor para o desenvolvimento cognitivo, educacional e social dos jovens, alertam instituições e especialistas.

O assunto voltou aos noticiários após a condenação ao regime semiaberto de um casal que deixou de levar as duas filhas à escola para dar aulas a elas em casa. O caso aconteceu na cidade de Jales, no interior de São Paulo.

Em junho, senadores ligados à extrema-direita pediram urgência para a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1.338/22, que regulamentaria a prática.

O homeschooling não é permitido no Brasil e fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que institui a obrigatoriedade dos pais de matricularem seus filhos na rede de ensino a partir dos 4 anos. Segundo o artigo 246 do Código Penal Brasileiro, o descumprimento caracteriza crime de abandono intelectual.

O papel da escola

A organização independente Todos pela Educação, referência na defesa da educação pública e de qualidade no país, publicou um documento posicionando-se contra o ensino domiciliar no país.

Continua após a publicidade

“A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 205, que a educação deve visar ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao preparo para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho. A educação domiciliar não é capaz de assegurar plenamente esses objetivos“, declara a instituição.

Para o psicólogo clínico e educacional Rômulo Mafra, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a escola é um ambiente fundamental. “O grande ponto de crianças e adolescentes estarem dentro da escola é, além do desenvolvimento cognitivo e dos resultados, o desenvolvimento e a habilidade socioemocional, a convivência, a empatia, a tolerância às diferenças”, destaca o psicólogo.

A seguir, entenda como o ensino domiciliar pode impactar a saúde mental dos jovens.

1. Aprendendo com as diferenças

O ensino domiciliar tira do estudante a possibilidade de conviver com ideias e experiências diversas.

Continua após a publicidade

“A escola é um espaço de aprendizagem, socialização, convivência com a diversidade e formação cidadã, experiências essenciais para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes e que não podem ser integralmente reproduzidas no ambiente familiar”, defende a organização Todos pela Educação.

O maior problema do homeschooling é criar os jovens em um ambiente de “inflexibilidade“, avalia Mafra.

“É estar formando jovens inflexíveis, que vão sair para o mundo em algum momento e vão se deparar com pensamentos religiosos, filosóficos e políticos diferentes de tudo aquilo que eles aprenderam em sua formação — e como eles vão lidar com isso na fase adulta?”, questiona o psicólogo.

2. Proteção fragilizada

Uma preocupação de especialistas é que a falta de contato das crianças e dos adolescentes com pessoas que vão além do seu círculo familiar acabe por dificultar o reconhecimento de situações de violência doméstica contra os mais novos. Professores, inspetores e outros profissionais são essenciais para notar prejuízos e possíveis sinais de maus-tratos.

Continua após a publicidade

Segundo dados Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 90% dos casos de violência contra crianças de 0 a 4 anos é feita por familiares. Entre 5 e 9 anos, a taxa sobe para 94%. Além disso, 63% dos casos de estupro de vulnerável (abaixo dos 14 anos) é cometido por algum parente.

De acordo com uma reportagem da Agência Pública e da openDemocracy divulgada em 2022, grupos ligados à defesa do homeschooling também incentivam castigos físicos às crianças e instruem adultos a não deixarem “rastros”.

3. Ampliação de desigualdade

Outra preocupação dos experts é que a desigualdade educacional possa crescer. “A educação domiciliar depende de condições materiais, tecnológicas e familiares que estão longe de representar a realidade da maioria das famílias brasileiras”, avalia a organização Todos Pela Educação.

Não há como garantir que, em casa, o jovem tenha acesso aos recursos necessários ao aprendizado. Famílias em situação de vulnerabilidade podem ser as mais prejudicadas pela adoção da prática.

Continua após a publicidade

Na avaliação da instituição, o homeschooling, caso regulamentado, não deve ser amplamente permitido, restringindo-se a ocasiões excepcionais, como quando os estudantes estiverem gravemente doentes e não poderem frequentar a escola ou estiverem temporariamente fora do país, por exemplo.

“Para esses casos, a oferta deve ser regulamentada pelos conselhos de educação, com mecanismos de registro, monitoramento, avaliação periódica da aprendizagem e articulação com outras áreas, como saúde e assistência social, a fim de garantir a proteção e o direito pleno à educação”, frisa a organização.

4. Sem evidências de melhora

Não há estudos robustos que comprovem que a educação domiciliar possa promover resultados superiores de ensino em comparação com as escolas.

“Em geral, as vantagens observadas estão fortemente associadas às condições socioeconômicas e ao perfil das famílias, e

Continua após a publicidade

não necessariamente à modalidade de ensino em si”, ressalta o documento da Todos Pela Educação.

Adolescência: 6 alertas da série da Netflix para os pais

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias com imagens de produtos e um ícone de árvore verde ao ladoMão segurando um smartphone branco com a tela exibindo um aplicativo de notícias, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).