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Os conselhos e memórias da maior porta-voz da terapia cognitivo-comportamental

A psicóloga americana Judith Beck, filha do criador da TCC, fala sobre como a abordagem pode melhorar a sua saúde mental

Por Larissa Beani Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
7 jan 2026, 09h13 •
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A psicóloga Judith Beck deu palestra durante a Artmed Experience, em São Paulo (Artmed/Divulgação)
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  • Quando Judith Beck era adolescente, seu pai casualmente lhe contou a mais nova ideia que tinha tido no trabalho.

    Então professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, o psicólogo Aaron Beck (1921-2021) estava desenvolvendo o modelo cognitivo, conceito que revolucionou a compreensão sobre o comportamento humano. Ele foi o pai da terapia cognitivo-comportamental (TCC).

    E Judith, a filha, também psicóloga, mais tarde o ajudou a desenvolver novas técnicas para cuidar de casos mais graves. À frente do Instituto Beck de Terapia Cognitivo-Comportamental, a especialista fortalece as bases da psicoterapia que hoje está presente em mais de 110 países.

    A TCC é padrão ouro no tratamento de transtornos de ansiedade, depressão, personalidade e outros quadros que vão de insônia a problemas com os hábitos alimentares.

    “Em alguns casos, a pessoa pode até lutar com a condição por toda a vida, mas aprende a manejá-la de forma muito melhor nas sessões”, reflete a terapeuta, que esteve no Brasil para palestrar na primeira edição da Artmed Experience, evento em São Paulo que reuniu 4 mil terapeutas.

    A VEJA SAÚDE, Beck fala sobre as origens e os desafios atuais da psicoterapia com maior chancela da ciência.

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    Como você apresenta a TCC a alguém que nunca fez terapia e por que ela muda paradigmas?

    Meu pai era psicanalista e, um dia, ele teve um insight muito incomum. Uma de suas pacientes lhe confessou que tinha medo de entediá-lo durante as sessões.

    Disso ele concluiu que temos um sistema interno de comunicação que produz pensamentos muito rápidos e espontâneos — os pensamentos automáticos, que refletem o significado que damos a uma situação.

    Então, ele formulou uma maneira de ajudar as pessoas a perceberem que estão sentindo algo negativo ou agindo de forma prejudicial, e as faz refletir sobre isso.

    Também as ajudamos a avaliar quão precisos e úteis esses pensamentos automáticos são, e a responder a eles de maneira apropriada. 

    Como a TCC se tornou o padrão ouro no tratamento de transtornos mentais?

    Inicialmente, a técnica surgiu para tratar depressão. Meu pai conduziu um dos primeiros ensaios clínicos randomizados que comparavam psicoterapia e medicação. E ele conseguiu demonstrar que ambos tinham aproximadamente o mesmo nível de eficácia e que, em alguns casos, a terapia superava os resultados das pílulas.

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    Mas o que realmente mudou o jogo foi mostrar, em pesquisas científicas, que aqueles que haviam feito terapia cognitiva tinham metade da taxa de recaída em comparação com quem só recebeu o tratamento medicamentoso.

    O que faz sentido, porque você não aprende muito apenas tomando remédios. 

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    Uma das principais autoras e psicólogas da terapia cognitivo-comportamental esteve no Brasil para falar sobre a abordagem (Radachynskyi/Getty Images)

    A TCC pode ser usada para tratar qualquer condição? 

    As pesquisas mostram que ela parece ser eficaz para praticamente todos os transtornos psiquiátricos. Em alguns casos, como na depressão grave, na esquizofrenia e no transtorno bipolar, a pessoa pode lutar com a condição por toda a vida, mas aprende a manejá-la de forma muito melhor. Para casos mais “resistentes”, vocês criaram uma nova abordagem. 

    Pode falar um pouco sobre a terapia cognitiva orientada para a recuperação (CT-R)?

    Ela é especialmente indicada a indivíduos que não respondem bem a tratamentos tradicionais. Nela, o foco não é tanto reduzir sintomas, mas ajudar os pacientes a se envolver em experiências positivas e a tirar boas conclusões dessas vivências. O que pode parecer simples, mas é bastante desafiador para alguém que está internado há décadas, por exemplo.

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    Há pessoas que já desistiram. E a equipe do hospital também desistiu delas. Ninguém com quem têm contato acredita que vão melhorar. Por isso, é muito importante que o terapeuta de CT-R, ao falar com esse indivíduo, procure descobrir quando ele está no seu melhor — seja fazendo refeições, assistindo futebol na TV ou jogando basquete.

    Assim, começa a construir uma ponte. O terapeuta engaja o sujeito nesses comportamentos e, melhor ainda, tenta encontrar atividades em que o paciente possa ajudar alguém mais. 

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    No início dos anos 2000, você publicou vários livros sobre como mudar hábitos para emagrecer. Hoje temos um novo arsenal de medicamentos que promovem resultados nunca antes vistos. Ainda assim, como avalia o papel da psicoterapia no tratamento da obesidade?

     No Instituto Beck, vários pacientes estão usando os análogos de GLP-1 [popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, como o Ozempic e o Mounjaro], e a maioria está tendo ótimos resultados. Mas eles ainda estão conosco por uma série de motivos.

    Um deles é que os efeitos costumam diminuir antes da dose seguinte. Então, mesmo que seja muito mais fácil controlar a vontade de comer logo após a injeção, nos últimos dias o efeito já não é tão forte.

    Outra razão é que, muitas vezes, em situações sociais, há pessoas que os incentivam a comer mais — e é preciso lidar com isso.

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    Problemas de relacionamento entre casais também podem começar a surgir a partir do momento em que alguém passa a se sentir melhor consigo mesmo e o parceiro não gosta disso. São vários os problemas que surgem no processo. 

    Para quem já está em um processo terapêutico, o que você diria que pode enriquecer a experiência?

    Feedback. Em todas as sessões eu vou perguntar: “O que achou de hoje? Há algo que gostaria de fazer diferente na próxima vez? Porque é muito importante que essa terapia funcione bem para você”.

    E, caso um terapeuta receba um feedback negativo, é importante que ele pense: “Que bom que você me disse isso”. É assim que podemos melhorar a nossa prática.

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    Judith Beck é psicóloga, professora universitária e presidente do Instituto Beck de Terapia Cognitivo-Comportamental (Artmed/Divulgação)
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